O GOVERNO AJUDOU A BAIXAR AS TAXAS DE JURO?

por Pedro Sousa em 26 de Dezembro de 2008

em País

Ouço um coro de críticas a José Sócrates por este ter referido como sendo obra sua a baixa das taxas de juro. Azar da oposição, Sócrates até pode dizer que contribuiu para essa baixa.

Como é sabido a taxa praticada pelos bancos não é a do Banco Central Europeu, mas sim a Euribor e essa não acompanhou a taxa central enquanto os governos intervieram no mercado dando garantias às operações de crédito. O governo de Sócrates até foi dos primeiros a avançar com essas garantias, para ser mais preciso foi o segundo e antecipou-se à decisão do Conselho Europeu.

Quer gostem quer não, desta vez Sócrates tem razão.

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Nota a posteriori: apesar de ter colocado o texto em itálico (indicando ser uma citação) não coloquei a fonte: www.jumento.blogspot.com

{ 11 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 F Santos 29 de Dezembro de 2008 às 10:35

Falta dizer que a Euribor só começou a baixar quando o BCE reduziu a taxa de referência. Mas isso para a propaganda se calhar não interessa.
E hoje está a chover porque o Sócrates previu que não ia estar sol…

O Sócrates é tão influente que até pôs o resto da Europa a fazer o mesmo que ele…

O Sócrates é tão influente que os bancos europeus começaram a emprestar dinheiro uns aos outros com taxas mais baixas (Euribor) porque o Sócrates deu garantias em Portugal que os depósitos estão salvaguardados…

O Sócrates é mesmo influente… até pôs os contribuintes todos a pagar os prejuízos do BPP e do BPN! Foi para ajudar a baixar a taxa de juro, querem ver?

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2 Pedro Sousa 29 de Dezembro de 2008 às 13:15

Mais um acrescento…

Apesar de quererem recusar o peso (ainda que reduzido) que a intervenção do Estado possa ter tido (em conjunto com o resto da Europa) na descida das taxas, a verdade é que havia quem culpasse o Governo por estas estarem altas ou quem se dirigisse ao Governo para saber a que se deviam as subidas. Esses mesmos hoje desvalorizam o que quer que seja que o Governo tenha feito.
Por exemplo, Diogo Feio, deputado do CSD-PP escreveu: “Aproxima-se a data de mais uma decisão do Banco Central Europeu. Será possível aos Estados alguma tomada de posição? Qual o relevo das tomadas de posição por parte dos políticos nacionais?
Estas são questões que devem preocupar todos os que tomam parte da discussão pública. Parece evidente que a decisão deve ser tomada pela instituição europeia competente. Mas isso não iliba a necessidade dos responsáveis do Estado tomarem posições. Assim fez o Presidente da República Francesa. Assim, não fez o Primeiro Ministro José Sócrates

Ou Jerónimo de Sousa que no debate no parlamento (9/10) pergunta “a baixa de juros anunciada hoje pelo BCE deve repercutir-se integral e imediatamente no valor das prestações das casas e das empresas ou serveapenas para beneficiar a banca? Esse era um esclarecimento importante que gostaria de obter.
E mesmo Francisco Louça que já disse várias vezes que o Governo devia “obrigar” os bancos a reduzir os juros…

Não digo que o Sócrates teve toda a responsabilidade, mas partilhou com outros a criação de mecanismos que levou o BCE a ter de o fazer. Goste-se ou não!

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3 F Santos 2 de Janeiro de 2009 às 4:21

Pedro,
mas tu queres um governo só para atacar os professores ou um governo que olhe pelos cidadãos??
Então não é obrigação do governo (até para seu interesse próprio) dizer junto do BCE que quer juros mais baixos?? Faz mais que a sua obrigação??
Daí a dizer que Sócrates contribuiu para a baixa dos juros, anunciando-o como o salvador da economia mundial….
Irra….

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4 Pedro Sousa 2 de Janeiro de 2009 às 6:11

OK, já começamos a falar do mesmo…
O Governo (o português e outros) contribuiu para a descida da taxa de juros, mas “é a sua obrigação”.
Ninguém falou do Sócrates como salvador da economia mundial… mas eu percebo, o ruido é sempre útil nestas questões.
Mas o que os Governos Europeus fizeram nao foi dizer ao BCE que queriam juros mais baixos… o que eles fizeram foi tomar algumas medidas que levaram a isso.
Portanto, o Governo portuguuês contribuiu para isso… OK, era a sua obrigação, mas contribuiu. Já é uma inversão quanto ao discurso inicial

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5 F Santos 2 de Janeiro de 2009 às 6:58

O BCE é alguma instituição distante da Europa? De quem depende e para quem trabalha o BCE? Europa. Então, quem influencia e beneficia das suas decisões? Europa. É uma discussão redundante, porque quem manda é o mesmo que é mandado.

E não te esqueças que apenas 3 países contribuem para 70% do Orçamento Europeu (eu sei que não tem a ver com as taxas de juro, mas tem a ver com influência) e nenhum deles é Portugal, infelizmente.

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6 João 27 de Janeiro de 2009 às 5:41

Discussão interessante!

Na minha opinião a questão essêncial não é essa! Não me parece que a crítica seja relativa actuação real do Governo, mas sim no que concerne à comunicação da medida.
É que o povo português ( nomeadamente todos aqueles que não estão a ter esta discussão) ficaram (após a comunicação de Sócrates) a pensar que a baixa da taxa de juro foi obra exclusiva do Governo português!
Esse foi o objectivo da comunicação tal como foi feita.
Acontece que , “despropagandizar “é bem mais difícil do que “vender peixe” porque os outros dirão sempre que as nossas críticas advêem do facto de sermos da oposição e nunca do facto de sabermos quem realmente têm o poder para baixar a taxa de juro no contexto europeu.

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7 Pedro Sousa 28 de Janeiro de 2009 às 18:23

“É que o povo português ( nomeadamente todos aqueles que não estão a ter esta discussão) ficaram (após a comunicação de Sócrates) a pensar que a baixa da taxa de juro foi obra exclusiva do Governo português!”

Eu não menosprezo tanto a inteligência do povo português!

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8 João 29 de Janeiro de 2009 às 8:27

Você pode não menosprezar a inteligência dos portugueses. Mas Sócrates menospreza, senão não tinha afirmado o que afirmou!

Por outro lado, devo dizer que não tenho nenhum problema em afirmar que o povo português não é tão esclarecido como devia ser. Veja os indices de analfabestismo do nosso país e compare-os com o resto da Europa. Saber que temos um problema cultural ao nível eda educação não é um defeito é uma virtude.
Deixemo-nos de pensar que somos os maiores e que o povo portugues é o maior. Não é! Não somos. Estamos largamente abaixo da média Europeia. É preciso dizê-lo!è preciso mudar! è preciso denunciar quem mente aos portugueses!

O nosso PM disse aos portugueses que baixou a taxa de juro! E de repente eu é que insulto a inteligência dos portugueses?

O argumento que utilizou foi. ” O PM pode ter dito que baixou a taxa de juro, mas o povo portugûes é inteligente e sabe que isso é mentira.”

Bom argumento digo-lhe!

O povo português, repito, está culturalmente muito longe do resto dos países europeus!

Acontece que uns vêem isto como um problema. Afirmam que há um problema ao nível da educação, e pretendem resolvê-lo com a verdade, com informação e esclarecimento. Outro vêm o problema como uma oportunidade! São os chamados oportunistas.

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9 F Santos 29 de Janeiro de 2009 às 9:01

Bem, Pedro o teu blog anda mais concorrido que o arouca.biz….
Ora, um post que começa com o PM a tentar obter para si os louros da descida das taxas de juro já vai na discussão da inteligência dos portugueses…
O caro João diz “O povo português, repito, está culturalmente muito longe do resto dos países europeus!”
Culturalmente longe? Longe de quê? Somos culturalmente diferentes, concerteza. Diferentes dos alemães, dos nórdicos… somos latinos, fervemos em pouca água, somos hospitaleiros, somos solidários…enfim temos um rol interminável de virtudes. E por outro lado, somos um povo que encara a corrupção com normalidade, um país de cunhas, de mentiras e com uma classe política pouco recomendável.

Mas não menospreze a inteligência lusitana. Quando queremos somos bons e quando queremos somos muito maus. O problema é o descrédito que assolou este país. E este PM que mente à força toda.

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10 João 29 de Janeiro de 2009 às 10:00

Caro F Santos

Concordo parcialmente com o que disse. Mas não possod eixar de dizer que quando falei em sermos culturalmente distantes, queria dizer que estamos longe dos índices de cultura. Daquela coisa que se costuma chamar cultura geral.

Não é a cultura civilizacional que estava a falar. Essa é a cultura do fado, do sentimento, da alma portuguesa, que, a meu ver não é inferior aàs outras culturas europeias ( até pelo contrário).

Quando falei em cultura, queria dizer cultura geral. É preciso dizer que estamos abaixo de outros países nesse campo. Temos uma elevadíssima taxa de pessoas que não são recenceadas. Uma enorme taxa de abstenção (tanto nas eleições como em referendos da extrema importância como foi o caso do aborto.)

É dessa cultura que falo. Agora, se me perguntarem se o Sr. fulano é latino, se ferve em pouca água, ou se é hospitaleiro, até poderei dizer que sim. Que é um portugûes de gema, que merece o repeito de todos por ter aquelas virtudes.
Mas isso não faz dele uma pessoa mais culta!

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11 F Santos 29 de Janeiro de 2009 às 12:01

É assim que se constroem opiniões, a debater e desde já o saúdo por isso.

Mas não sei com que base é que diz que, os indices de cultura geral em Portugal são inferiores à Europa (estou a pensar com base em 2009). A população activa em Portugal tem melhorado e muito as suas habilitações e competências profissionais nos últimos, vá, 20 anos. Estou a dizer isto sem base científica, apenas é a minha percepção.

Não se pode esquecer que Portugal foi o último país da Europa Ocidental a estar envolvido numa guerra. Enquanto os outros países tratavam dos seus cidadãos (já tinham aprendido com a II Guerra Mundial), nós andavamos mais preocupados com manter Angola e a Guiné debaixo da nossa alçada, e isso teve um efeito devastador na economia e principalmente na sociedade. Foram muitos anos de guerra.
Quase todos os nossos avós (para não dizer pais de muitos) tinham como base de rendimento a agricultura! Isto para dizer que a nossa sociedade no geral e a cultura em particular têm evoluído imenso desde o 25 de Abril. Só outro exemplo: basta ver a quantidade de alunos que estudam hoje em dia no estrangeiro. Há 40 anos só alguns priveligiados conseguiam. E este know-how contribui para o nosso desenvolvimento.

Depois “Uma enorme taxa de abstenção (tanto nas eleições como em referendos da extrema importância como foi o caso do aborto.)

Bom, acho que isto tem mais a ver com política do que cultura geral. Se as pessoas não participaram mais, pode ter como razão várias coisas, e uma delas pode ser o afastamento da política. E isto só se combate com uma mudança radical na forma como se faz política em Portugal.

São sempre os mesmos, os debates na Assembléia são sempre iguais, as políticas são muito semelhantes e as pessoas vão desacreditando no sistema.

Porque continuo a dizer que Portugal tem matéria humana boa o suficiente para estar noutro patamar de desenvolvimento. Agora, depende de nós e de quem nos governa.

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