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Quinta-feira, Dezembro 4, 2008

Lendo por aí…

por Pedro Sousa em 4 de Dezembro de 2008

em País

Ei-los de novo. Em frente, marche, pois marcha que se farta Mário Nogueira, a mão cheia de nada e a outra de coisa alguma. Repete-se, não se enxerga  e vai de mal a pior aos olhos de quem desconfia deste perigoso unanimismo. Os sinais estão todos à vista: Nogueira não quer isto, não quer aquilo, não quer este modelo, não se sabe que modelo quer, torce o nariz a tudo o que lhe põem no prato como adolescente enfastiado, a esticar a corda. Não, não se pode respeitar este indivíduo, ar de faia, um pintas todo pintas e esta é, talvez, a única característica digna de registo, a graça que ele tem. Porque quanto ao que sobra, estamos conversados: é o vazio. Convenhamos que a luta dos professores não é outra coisa que resistência natural, desastrosa resistência feita de nada, uma lástima. Basta-me passar os olhos pelo blog do professor Guinote para perceber o que anda no ar. Apoucado, o simbólico professor Guinote escreve que se desunha, posta que posta e torna a postar, passa a vida naquilo, às voltas com a não existência, panfletos, a tomada da Bastilha em forma de histórias de vida, lamentosas, chorosas, «prenhes» de amor pelo ensino, pelos alunos, novelas que mostram o que interessa mostrar.
Na 5 de Outubro, a inépcia política começou no dia em que se imaginou ser possível entregar aos professores, entre pares, um regime de avaliação de desempenho, observado como deve ser observado, avaliado, tal e qual e qual é o problema? É isto e mais aquilo, os titulares, os pares e a palavrinha mágica: colega. Todos colegas, todos iguais a subir na carreira sem mais nem menos, sem distinção ou «castas» como ouvi a uma professora que aqueles professores aplaudiram. A isto se resume a «luta», a resistência, o ovo da pobre serpente. Fui clara?
Tudo deveria ter sido oferecido com outro papel de embrulho menos austero e em certa medida, passe o trocadilho, menos embrulhado. Mais tempo, mais tento, menos pressa. Que pena! Por mim, estes professores «humilhados» mereciam, mereciam? Estão a pedir um Ofsted que lhes endireite a coluna, que os faça perceber que se deve ter cuidado com o que se deseja, que os obrigue a sair dessa cozinha provinciana onde toda a estupidez se concentra e coze em fogo lento.
E agora volto a mim de onde saio quando me apetece para voltar quando preciso, no tempo que preciso.

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SINDICATO COM DISCURSO EQUILIBRADO E FRONTAL

por Pedro Sousa em 4 de Dezembro de 2008

em País

Fiquei surpreendido com um texto publicado no DNMadeira, com o Presidente de um Sindicato a ter uma atitude pro-activa e de aviso aos seus filiados. É tão estranho em Portugal que decidi transcrever para aqui:

As reformas implementadas pelo Governo da República ao nível da Administração Pública e muito em particular o peso que passa a assumir a avaliação do desempenho em termos de progressão na carreira, estão a preocupar o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública da Região Autónoma da Madeira (STFP). Um pretexto para aquela estrutura sindical levar a cabo ontem, uma acção de esclarecimento destinada aos seus delegados sindicais.

O presidente do SFTP considera que esta reforma governamental “tem muitas implicações para o futuro dos trabalhadores”, porque representa “uma mudança radical” relativamente ao passado, justificando, por isso, uma “atenção muito especial” por parte destes.

A importância que passa a assumir a avaliação do desempenho, sustenta Ricardo Gouveia, “exige uma nova mentalidade” aos funcionários públicos, a quem aconselha, a partir de agora, a abandonarem “a postura de ligeireza” com que, normalmente, encaravam o seu processo de avaliação. Porque, acrescenta, “acabaram as épocas de dar-se boas notas a toda a gente”.

O dirigente sindical lembra, por exemplo, que os aumentos remuneratórios, antes dependentes “do simples decurso do tempo”, passam agora a “estar baseada no mérito” que por seu turno “é extraído dos resultados da avaliação”.

Com este nove cenário, Ricardo Gouveia sublinha que os funcionários públicos “têm de estar preparados para, nos momentos próprios e de acordo com o processo de avaliação, começarem a defender a sua nota desde princípio”.

O presidente do STFP conclui lembrando aos funcionários públicos que, com as novas regras, “a Administração Pública valoriza muito mais o atingir de resultados do que a maneira como os funcionários fazem o seu trabalho.”

DN Madeira – 03-12-2008

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