PARA AQUELES QUE DIZEM QUE PORTUGAL AGORA ESTÁ PIOR

por Pedro Sousa em 8 de Abril de 2010

em País

Eis alguns retratos de Portugal pela pena corrosiva de Guerra Junqueiro nas “Anotações” anexas à sua obra “Pátria” publicada em 1896:

“ (…Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro”; “Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País”; “A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas”;

“Dois partidos (…) sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, (…)”;

”Um regime económico baseado na inscrição e no Brasil, perda de gente e de capital, autofagia colectiva, organismo vivendo e morrendo do parasitismo de si próprio”; “Liberdade absoluta, neutralizada por uma desigualdade revoltante, o direito garantido virtualmente na lei, posto, de facto, à mercê dum compadrio de batoteiros, sendo vedado, ainda aos mais orgulhosos e mais fortes, abrir caminho nesta porcaria, sem recorrer à influência tirânica e degradante de qualquer dos bandos partidários”;

“E se a isto juntarmos um pessimismo canceroso e corrosivo, minando as almas, cristalizado já em fórmulas banais e populares [...] teremos em sintético esboço a fisionomia da nacionalidade portuguesa no tempo da morte de D. Luís (…).”

Pelo que se pode ler, e do resto que não coube nesta coluna, conclui-se que o drama nacional não é episódico. É idiossincrático.

José Luis Seixas

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1 INQUIETO 8 de Abril de 2010 às 16:23

Caro Pedro,

para aqueles que dizem que temos uma grande história, esta notícia é terrível!

Já não sei dizer se serão os monáquicos, ou os republicanos a salvar a pátria.

Ou talvez os soaristas ou socratistas. Ou os alegritas ou sampaistas.

raios!
não me lembro de mais ninguém!!

um abraço
inquieto

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2 Azevedo 9 de Abril de 2010 às 17:41

Sim,de facto, aos 32 anos, e sendo-se deputado da República é-se como um bébé a tibutear os seus primeiros passos políticos. O facto do senhor engenheiro ter assinado projectos que não podia assinar, e esses projectos têm erros graves de concepção, só mostra o sólido início de uma carreira sem mácula… Daí à sua intrasigente exigência com o mérito e o rigor foi um pulinho!!! Não há mesmo decoro!

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3 joaquim toscano 12 de Abril de 2010 às 1:13

Por estas, e por outras, é que eu adoro o Arouca biz(zzzarro).
Se Cristo descesse à terra lusa…morria de novo, rápidamente…
E de espanto!
Há tanta coisa já descrita, há mais de quinhentos anos e no entanto actual! Então porquê e ou para quê pensar-se ser o melhor, o maior…
o menino mais lindo cá do bairro???

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4 joaquim toscano 13 de Abril de 2010 às 23:50

Esqueci-me de algo…
Não, não foi do fer… roc…
Jesus Cristo começou a vida pública aos 33 anos, segundo o Livro Grande
e… sem grande discurso… apenas Vinho a Martelo em Cannaã da Galileia

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