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Sexta-feira, Janeiro 2, 2009

CASA ASSALTADA, TRANCAS À PORTA

por Pedro Sousa em 2 de Janeiro de 2009

em País

 

Novas regras promovem transparência

O Banco de Portugal, para suster a ofensiva da banca, estabeleceu exigências mínimas de rigor ao nível da informação que deve ser prestada, com destaque para a publicidade aos créditos à habitação e ao consumo e às aplicações em depósitos.

O diploma é uma mais-valia para todos os clientes dos bancos, mas podia ter ido mais longe, considera a Associação de Consumidores e Utilizadores de Produtos Financeiros (SEFIN).

“O Banco de Portugal deve ter capacidade de fiscalizar o cumprimento dessas normas e de penalizar mais severamente do que hoje se faz, não deixando que as coisas sejam dirimidas apenas na esfera comercial. Isso não chega”, critica António Júlio Almeida, presidente da SEFIN.

Em seu entender, é ainda necessário clarificar as esferas de intervenção do Banco de Portugal e da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e dá o exemplo do caso BPP. “As pessoas foram fazer claramente depósitos a prazo e o banco depois foi colocar o produto fora do balanço,em «offshores». Quem tutela isto?”, questiona

 

 

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ATIREM-ME ÁGUA FRIA

por Pedro Sousa em 2 de Janeiro de 2009

em Com a devida vénia

Eu a concordar com Pacheco Pereira?

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O que vou escrever vai por os cabelos em pé a muita gente. Mas nestes dias de crise mais vale ter emprego, mesmo que mau, desprotegido, sem direitos, precário, do que não ter emprego nenhum. E é por isso que o reforço dos direitos laborais, o aumento das contribuições sociais, a dificuldade de contratar a recibo verde, a penalização do trabalho “negro”, têm um enorme preço em deixar mais gente na miséria. Em teoria nada há de mais aceitável, na prática nada há de mais injusto, porque em nome de quem tem trabalho e direitos adquiridos, penaliza-se quem quer qualquer trabalho, porque não encontra um trabalho decente. Para além disso é ineficaz, porque muita gente que não aceitaria trabalhar em condições de precariedade está hoje disposta a fazê-lo em quaisquer condições. A necessidade obriga e a necessidade tem muita força.
É um retrocesso em termos sociais? Certamente que é, mas a alternativa é um retroceso ainda maior, é a pobreza. Não estamos em períodos de normalidade, precisamos de soluções excepcionais, mesmo que temporárias, indexadas por exemplo, aos indicadores de desemprego e de pobreza. Porque na prática, há por aí muita procura de trabalho que não se materializa, porque empregar sai demasiado caro.

(o bold é meu)

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SOZINHO

por Pedro Sousa em 2 de Janeiro de 2009

em País

Bem podem penar aqueles que pensam (e aguardam) que Cavaco dissolva a Assembleia e atire José Sócrates às urtigas. Ele não o fará, por muitas e diversas razões, mas, sobretudo, porque nenhum Presidente extinguiu ou extinguirá uma maioria parlamentar, se não perceber que o país, em eleições, lhe dará outra diferente. Foi o que fez Jorge Sampaio, por exemplo, e acertou em cheio. Cavaco não o fará, porque sabe que este PSD é incapaz de ganhar eleições

http://www.portugalcontemporaneo.blogspot.com/

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A MENSAGEM DE ANO NOVO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

por Pedro Sousa em 2 de Janeiro de 2009

em País

Os que esperavam que a mensagem de Ano Novo do Presidente da República compensasse a falta de competência da oposições enganaram-se, Cavaco Silva não se “vingou” do Estatuto dos Açores e fez um discurso independente e equilibrado. Não faltarão os que encontrarão no discurso críticas ao Governo ou manifestações de solidariedade com esse mesmo Governo. É uma tacanhez analisar todas as palavras de Cavaco Silva sob essa perspectiva, seria um erro se o Presidente da República enveredasse por esse caminho.

Pessoalmente concordo com o conteúdo do discurso e destaco alguns pontos que me parecem importantes:
1. A importância dada ao pequeno comércio:

«Os pequenos comerciantes, que travam uma luta diária pela sobrevivência. O pequeno comércio deve merecer uma atenção especial porque constitui a única base de rendimento de muitas famílias.»

Os governos têm esquecido a importância deste sector e nos últimos tempos actuação da ASAE chegou mesmo a ser deplorável, chegando mesmo o seu presidente a anunciar a falência de metade dos restaurantes.

2. A importância do mundo rural para a coesão nacional:

«O mundo rural faz parte das raízes da nossa identidade colectiva. A sua preservação é fundamental para travar o despovoamento do interior e para garantir a coesão territorial do País.»

Essa coesão deve ser vista em todas as suas vertentes, desde a social à ambiental, visão que não é considerada na PAC e que, ao contrário do que aqui tem sido defendido, é desprezada pelo ministério da Agricultura e mesmo pelas organizaçãos representtivas do sector, mais preocupada em favorecer os seus grupos e em conseguir ajudas comunitárias.

3. A necessidade de encontrar soluções para o endividamento externo:

«Portugal não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos.»

Esta é uma questão antiga e que desde há muito que não foi considerada na política económica muito por força do Euro que tem “dispensado” os políticos de pensar no problema.

4. A necessidade de criar riqueza:

«O reforço da capacidade competitiva das nossas empresas a nível internacional e o investimento nos sectores vocacionados para a exportação têm de ser uma prioridade estratégica da política nacional.

Sem isso, é pura ilusão imaginar que haverá verdadeiro progresso económico e social, criação duradoura de emprego e melhoria do poder de compra dos salários.»

Ainda há uns dias fez-se aqui um comentário sobre a necessidade de aumentar o rendimento dos portugueses, defendendo-se que mais do que pela distribuição isso passa pela criação de mais riqueza.

5. Maior rigor nas opções do investimento público:

«Há que prestar uma atenção acrescida à relação custo-benefício dos serviços e investimentos públicos.»

Essa é uma questão há muito aqui defendida, ainda antes das últimas medidas de combate à crise defenderam-se os investimentos nas escolas e no desenvolvimento tecnológico por oposição às grandes infra-estruturas.

daqui: http://jumento.blogspot.com/2009/01/umas-no-cravo-e-outras-na-ferradura_02.html

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