
{ 1 comentário }
Ponto por Ponto constroi-se uma opinião… aqui junta-se a mania de ter opinião sobre tudo!
Do arquivo da categoria:
Espanha está em estado de choque por causa da morte de 12 jovens que juntamente com mais 20 amigos resolveram ignorar uma proibição de atravessar a linha de um comboio na madrugada de quinta-feira quando se dirigiam para uma festa na praia de Castelldefels, na Catalunha. O acto foi de pura irresponsabilidade. De amnésia total. Assim que saltaram da carruagem, seguiram em frente pelos carris e quando a maioria se apercebeu do perigo já era tarde de mais. Do outro lado circulava um comboio rápido que apitou e tentou travar. De nada serviu. Houve 12 que tiveram morte imediata e mais 13 que tiveram de ser internados com traumatismos vários. Mal se soube desta tragédia, apareceram logo vários personagens a tentar encontrar um culpado. Eram sobretudo testemunhas do que se tinha passado, mas também havia quem apenas quisesse aparecer na televisão ou nos jornais para debitar uma sentença. O mais curioso é que a culpa deste acto de inconsciência teria de ser de algo ou de alguém que não do grupo que o praticou. Surgiram assim as mais variadas interpretações para o sucedido: a estação não estava bem iluminada; a passagem subterrânea é muito estreita e tinha muita gente; não havia seguranças para controlar os passageiros; os altifalantes que avisam sobre a interdição de atravessar a linha do combóio estavam desligados; a noite era de festa e os jovens já estavam bêbados; a estação tem duas linhas de comboio e não deveria ter, etc., etc. Aos poucos e poucos, todos estes argumentos foram perdendo peso porque os inquéritos preliminares vieram confirmar que tudo estava a funcionar de forma correcta e que a única explicação para o acidente fora a imprudência do grupo. Imprudência? Sim, imprudência. Apenas e só, não há volta a dar. Agora, há que consolar os pais que perderam os filhos que saíram de casa naquela noite para se divertirem e reflectir sobre o que é a nossa responsabilidade e a dos outros.
Conto aqui este caso porque todos sofremos com os eventuais riscos que correm os nossos filhos quando não estamos por perto. Educar é uma tarefa difícil. É como construir uma casa sólida, resistente a intempéries e terramotos. Um ser humano responsável é aquele que nos momentos de maior descontrolo sabe o que quer para si próprio e para os outros. É aquele que é capaz de dizer não e de indicar o caminho certo quando vê que todos se dirigem para o abismo. É o que não se queixa, nem procura culpados, quando sabe que fez mal. É aquele que se contenta com o pode ter. É o que sabe que o respeito pelos demais começa por algo tão simples como em não atirar um papel para o chão. Saberemos nós, hoje em dia, dar estes exemplos?
Maria de Lurde Vale – DN
{ 0 comentários }
“A teacher affects eternity; he can never tell where his influence stops.” -
Henry Brooks Adams
{ 0 comentários }
Admiro todos aqueles que abdicam de si pelos outros;
Admiro todos os que largam tudo cá e vão longe tentar agarrar algo;
Admiro todos os que conseguem, no meio da probreza, encontrar e mesmo criar motivos de satisfação;
Admiro todos os que abandonam luxos para receber esforços;
Admiro todos os que encontram enorme riqueza ao minorar a pobreza;
Admiro todos os que, muito mais do que eu, vêm do outro lado do mundo um vizinho que precisa de ajuda;
Admiro, por tudo isto e muito mais, a Rita, a Carla e o Avelino que vão partir em missão de voluntariado para Lichinga em Moçambique e que ainda pagam para isso (procuram patrocinio para o nobre acto, portanto quem puder, faça favor de ajudar).
Podem seguir os detalhes desta aventura em Lichinga2010
O link continuará na coluna da esquerda enquanto durar a aventura
{ 1 comentário }
{ 5 comentários }
Este é o post 1.000 que faço aqui no PontoPorPonto.
Nestes momentos assinaláveis, dois grandes agradecimentos:
a) Ao Rui Gato, pelo convite, pela manutenção do blog e pela diligência e simpatia que tem, sempre que coloco qualquer questão;
b) A todos os que têm a paciência de por cá passar. E ainda mais aos que têm a paciência de comentar.
Obrigado.
{ 7 comentários }
Entre o 25 de Abril de 1974 (mais precisamente entre o 11 de Março de 1975) e o 25 de Abril de 1975 viveu-se, em Portugal, um clima de avassaladora intimidação para quem não comungasse da visão dos revolucionários.
Durante esse período quem ouvisse a rádio, visse a televisão, lesse os jornais, participasse nas famosas RGAs nas Escolas Secundárias, quem ouvisse os sindicatos, as comissões de trabalhadores, de moradores, de soldados e marinheiros e o MFA, ficava completamente convencido que caminhávamos a largos passos para uma sociedade totalitária, na esfera de influência da União Soviética. A música, o vocabulário, as manchetes, as acusações de fascista e reaccionário, tudo fazia crer na esmagadora maioria de votantes no PCP.
Com a surpresa de todos o PCP foi derrotado tendo-se seguido o PREC, altura em que o PCP e a extrema esquerda tudo tentaram para subverter o resultado das eleições constituintes.
Tal como já aqui referi e como o Eduardo Pitta tão bem sintetizou num título de um post, vivemos neste momento o PREC da direita. Os métodos são idênticos e a intimidação de quem ousa dizer o contrário de quem mais grita, de quem mais fala, de quem mais defende a liberdade de expressão, é absolutamente extraordinária. Acresce que em Outubro o país se pronunciou votando maioritariamente no PS.
Mas tudo serve para dar a sensação de desvario, tal como aconteceu com o PREC de 1975. A forma irresponsável como se acusa o poder judicial de estar ao serviço do governo e de Sócrates, essa encarnação do maligno, como se incentiva o julgamento sumário pela populaça, guindando os jornalistas, tal como os militares durante o PREC, ao patamar dos deuses, faz-nos recuar 35 anos.
Tal como nessa época é preciso não perder de vista o essencial – a liberdade, a responsabilidade e o respeito pelas instituições democráticas. Porque é esse desrespeito que faz com que Portugal possa transformar-se num Estado de Direitoformal, como demagogicamente afirmou Paulo Rangel, no Parlamento Europeu.
*Título roubado ao Eduardo Pitta
{ 0 comentários }
Ricardo Araújo Pereira faz, esta semana na Visão, uma crónica genial com o nome “Esclarecer o que nunca existiu com explicações que não explicam nada”. Segue o primeiro parágrafo:
{ 1 comentário }
Os cinco elementos (dois médicos, dois enfermeiros e um logístico) chegaram hoje de madrugada a Port-au-Prince a bordo C-130 da Força Aérea Portuguesa
Numa primeira fase, o grupo liderado por José Luís Nobre, juntamente com a restante ajuda humanitária portuguesa, aguarda instruções para o local onde irá ser montado o acampamento onde irá efectuar assistência médica, por forma a, o mais depressa possível, começar a trabalhar nas primeiras consultas e tratamentos médicos.
À chegada à Port-au-Prince, o grupo de emergência tinha à sua espera a equipa exploratória da AMI que partira de Lisboa na quinta-feira via República Dominicana. O encontro emotivo das duas equipas da AMI deu-se no acampamento anexo ao aeroporto haitiano. No meio de centenas de tendas e material logístico, a permanência da equipa em Lisboa serviu de ponte para o reencontro, já que as comunicações dentro do país eram impossíveis
Digno de registo foi o excelente trabalho de coordenação entre os vários actores portugueses. A equipa conseguiu ainda, com o apoio da representante honorário de Portugal no Haiti, identificar um hospital para desenvolvimento de trabalhos de assistência médica.
A equipa da AMI agradece o enorme apoio e carinho manifestado pela sociedade civil portuguesa. Ao longo destes últimos dias, o facebook e blog da AMI têm recebido centenas de mensagens de encorajamento e amizade. Ainda não é possível efectuar um balanço dos donativos recebidos, sendo inúmeros os contactos para prestar apoio financeiro.
Recorde-se que desde quinta-feira, data partida da primeira equipa, a AMI tem aberta uma conta emergência Haiti.
Conta Emergência BES – NIB: 0007 001 500 400 000 00672
Multibanco: Entidade 20 909 Refª 909 909 909 em Pagamento de Serviços.
{ 3 comentários }
A propósito da situação desesperada no Haiti, constato, uma vez mais, uma curiosa faceta da natureza humana: mostra o seu lado mais nobre sempre que há uma catástrofe, sobretudo quando ela se manifesta a esta escala. As pessoas mobilizam-se, dão-se, ajudam com brio, coragem e altruísmo… e depois esquecem esse rasgo de generosidade que as galvanizou por algum tempo e voltam a fechar-se na sua rotina de anestesia, mal o drama abranda e a vida volta ao normal.
Pergunto-me: será que precisamos de ter bem presentes a nossa própria vulnerabilidade, a nossa impotência, para acordarmos da sonolenta indiferença que nos domina o dia a dia? Será que deveria haver sempre uma tragédia por perto, para sermos melhores pessoas?
{ 0 comentários }