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Com a devida vénia

O MENINO QUE CONSERTOU O MUNDO

por Pedro Sousa em 3 de Setembro de 2010

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

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Lendo por aí…

por Pedro Sousa em 27 de Junho de 2010

em Com a devida vénia,País

Espanha está em estado de choque por causa da morte de 12 jovens que juntamente com mais 20 amigos resolveram ignorar uma proibição de atravessar a linha de um comboio na madrugada de quinta-feira quando se dirigiam para uma festa na praia de Castelldefels, na Catalunha. O acto foi de pura irresponsabilidade. De amnésia total. Assim que saltaram da carruagem, seguiram em frente pelos carris e quando a maioria se apercebeu do perigo já era tarde de mais. Do outro lado circulava um comboio rápido que apitou e tentou travar. De nada serviu. Houve 12 que tiveram morte imediata e mais 13 que tiveram de ser internados com traumatismos vários. Mal se soube desta tragédia, apareceram logo vários personagens a tentar encontrar um culpado. Eram sobretudo testemunhas do que se tinha passado, mas também havia quem apenas quisesse aparecer na televisão ou nos jornais para debitar uma sentença. O mais curioso é que a culpa deste acto de inconsciência teria de ser de algo ou de alguém que não do grupo que o praticou. Surgiram assim as mais variadas interpretações para o sucedido: a estação não estava bem iluminada; a passagem subterrânea é muito estreita e tinha muita gente; não havia seguranças para controlar os passageiros; os altifalantes que avisam sobre a interdição de atravessar a linha do combóio estavam desligados; a noite era de festa e os jovens já estavam bêbados; a estação tem duas linhas de comboio e não deveria ter, etc., etc. Aos poucos e poucos, todos estes argumentos foram perdendo peso porque os inquéritos preliminares vieram confirmar que tudo estava a funcionar de forma correcta e que a única explicação para o acidente fora a imprudência do grupo. Imprudência? Sim, imprudência. Apenas e só, não há volta a dar. Agora, há que consolar os pais que perderam os filhos que saíram de casa naquela noite para se divertirem e reflectir sobre o que é a nossa responsabilidade e a dos outros.

Conto aqui este caso porque todos sofremos com os eventuais riscos que correm os nossos filhos quando não estamos por perto. Educar é uma tarefa difícil. É como construir uma casa sólida, resistente a intempéries e terramotos. Um ser humano responsável é aquele que nos momentos de maior descontrolo sabe o que quer para si próprio e para os outros. É aquele que é capaz de dizer não e de indicar o caminho certo quando vê que todos se dirigem para o abismo. É o que não se queixa, nem procura culpados, quando sabe que fez mal. É aquele que se contenta com o pode ter. É o que sabe que o respeito pelos demais começa por algo tão simples como em não atirar um papel para o chão. Saberemos nós, hoje em dia, dar estes exemplos?

Maria de Lurde Vale – DN

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Lendo por aí…

por Pedro Sousa em 2 de Junho de 2010

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

“A teacher affects eternity; he can never tell where his influence stops.” -

Henry Brooks Adams

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Post de admiração

por Pedro Sousa em 18 de Abril de 2010

em Arouca,Com a devida vénia

Admiro todos aqueles que abdicam de si pelos outros;

Admiro todos os que largam tudo cá e vão longe tentar agarrar algo;

Admiro todos os que conseguem, no meio da probreza, encontrar e mesmo criar motivos de satisfação;

Admiro todos os que abandonam luxos para receber esforços;

Admiro todos os que encontram enorme riqueza ao minorar a pobreza;

Admiro todos os que, muito mais do que eu, vêm do outro lado do mundo um vizinho que precisa de ajuda;

Admiro, por tudo isto e muito mais, a Rita, a Carla e o Avelino que vão partir em missão de voluntariado para Lichinga em Moçambique e que ainda pagam para isso (procuram patrocinio para o nobre acto, portanto quem puder, faça favor de ajudar).

Podem seguir os detalhes desta aventura em Lichinga2010

O link continuará na coluna da esquerda enquanto durar a aventura

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uau!!!

por Pedro Sousa em 4 de Março de 2010

em Com a devida vénia

Cada vez mais me enoja a promiscuidade na capital deste país, um pequeno grupo de gente que se auto-designa de elite, nascidos na classe média da administração salazarista e que hoje domina uma boa parte da vida.

São jornalistas, são deputados, são jurisconsultos, são consultores das mais variadas artes, são comentadores televisivos, são gente que nunca teve dificuldades na vida, a quem para arranjar um emprego para um filho basta um telefonema, para comprarem um carro novo basta uma cunha para mais uma avença. Se foram apanhados na declaração de IRS telefonam ao fulano tal, se precisam de uma operação no hospital passam à frente da fila de espera, resolvem todos os seus problemas com um mero telefonema, são um verdadeiro grupo mafioso assente numa imensa rede de contactos, de compadrios assentes na troca de valores.

Esta gente não tem cor política, não tem ideologia, não tem princípios, não tem o mais pequeno respeito pelo povo que os alimenta e enriquece, de manhã são jornalistas e à noite bloggers, num dia são magistrados e no outro juízes desportivos, se estão na oposição coleccionam avenças, quando beneficiam do poder vão para administradores de empresas públicas, ora são assessores de líderes partidários, ora são directores de jornais.

Esta gente não imagina o que é viver com o ordenado mínimo, nunca estiveram em terra a esperar o regresso de um pai que está no mar debaixo de um temporal, não sabem quanto humilha estar numa fila de desempregados, não imaginam o que se sofre quando se tem de alimentar filhos sem ter dinheiro, não sabem o que é mandar um filho para a escola sem o pequeno-almoço. Não sabem, não imaginam, nem querem saber, têm o maior do desprezo pelo povo cuja opinião gostam de manipular. No entanto ganham rios de dinheiro a comentar nas televisões sobre a melhor forma de resolver os problemas do país e dos portugueses.

Andam por aí a alardear grandes currículos, são ilustres jurisconsultos, jornalistas de primeira água, comentadores televisivos, sentem-se superiores aos que tanto usam nos seus discursos de conveniência. Queixam-se da crise mas ganham com ela, propõem sacrifícios para os outros mas multiplicam a sua riqueza, preocupam-se com a iliteracia mas olham para os outros com o desprezo e incomodam-se pela falta do perfume a 100 euros, há décadas que propõem novas soluções e o resultado é aquilo que se vê.

Cada vez sinto mais nojo desta elite que julga que todo o poder eleito pelo povo lhes deve prestar vassalagem, estão convencidos de que só os “bem falantes” têm direito a expressar as suas opiniões, que julgam que o povo que vota é uma imensa borregada que lhes deve perguntar onde devem votar, que acham que podem fazer e desfazer qualquer político.

É tempo de dizer não a esta imensa promiscuidade disfarçada de bons princípios. É preciso dizer não a esta gente, denunciá-la, combatê-la, antes que passemos a sentir nojo do próprio país. Portugal não é esta seita de proxenetas de gravata Hermes, que se instalou no poder da capital para viver à custa do subdesenvolvimento do país. O meu país é o meu povo e esse é eticamente muito superior a esses canalhas, é gente que sua por cada tostão de ganha, trabalhadores que tiram dos seus filhos os impostos que alimenta essa elite da treta, empresários que todos os meses lutam para que as suas empresas consigam pagar os ordenados dos trabalhadores no fim do mês.

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1000

por Pedro Sousa em 3 de Março de 2010

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

Este é o post 1.000 que faço aqui no PontoPorPonto.

Nestes momentos assinaláveis, dois grandes agradecimentos:

a) Ao Rui Gato, pelo convite, pela manutenção do blog e pela diligência  e simpatia que tem, sempre que coloco qualquer questão;

b) A todos os que têm a paciência de por cá passar. E ainda mais aos que têm a paciência de comentar.

Obrigado.

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O PREC da direita*

por Pedro Sousa em 15 de Fevereiro de 2010

em Com a devida vénia,País

Entre o 25 de Abril de 1974 (mais precisamente entre o 11 de Março de 1975) e o 25 de Abril de 1975 viveu-se, em Portugal, um clima de avassaladora intimidação para quem não comungasse da visão dos revolucionários.

Durante esse período quem ouvisse a rádio, visse a televisão, lesse os jornais, participasse nas famosas RGAs nas Escolas Secundárias, quem ouvisse os sindicatos, as comissões de trabalhadores, de moradores, de soldados e marinheiros e o MFA, ficava completamente convencido que caminhávamos a largos passos para uma sociedade totalitária, na esfera de influência da União Soviética. A música, o vocabulário, as manchetes, as acusações de fascista e reaccionário, tudo fazia crer na esmagadora maioria de votantes no PCP.

Com a surpresa de todos o PCP foi derrotado tendo-se seguido o PREC, altura em que o PCP e a extrema esquerda  tudo tentaram para subverter o resultado das eleições constituintes.

Tal como já aqui referi e como o Eduardo Pitta tão bem sintetizou num título de um post, vivemos neste momento o PREC da direita. Os métodos são idênticos e a intimidação de quem ousa dizer o contrário de quem mais grita, de quem mais fala, de quem mais defende a liberdade de expressão, é absolutamente extraordinária. Acresce que em Outubro o país se pronunciou votando maioritariamente no PS.

Mas tudo serve para dar a sensação de desvario, tal como aconteceu com o PREC de 1975. A forma irresponsável como se acusa o poder judicial de estar ao serviço do governo e de Sócrates, essa encarnação do maligno, como se incentiva o julgamento sumário pela populaça, guindando os jornalistas, tal como os militares durante o PREC, ao patamar dos deuses, faz-nos recuar 35 anos.

Tal como nessa época é preciso não perder de vista o essencial – a liberdade, a responsabilidade e o respeito pelas instituições democráticas. Porque é esse desrespeito que faz com que Portugal possa transformar-se num Estado de Direitoformal, como demagogicamente afirmou Paulo Rangel, no Parlamento Europeu.

*Título roubado ao Eduardo Pitta

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AS ESCUTAS

por Pedro Sousa em 23 de Janeiro de 2010

em Com a devida vénia,País

Ricardo Araújo Pereira faz, esta semana na Visão, uma crónica genial com o nome “Esclarecer o que nunca existiu com explicações que não explicam nada”. Segue o primeiro parágrafo:

Três meses depois de ter sido afastado da Casa Civil do Presidente da República por causa do seu envolvimento no chamado caso das escutas, e dois meses depois da sua reintegração na Casa Civil do Presidente da República sem que tivesse havido novidades a propósito do seu envolvimento no chamado caso das escutas, Fernando Lima veio a público explicar o seu envolvimento no chamado caso das escutas dizendo que, tendo embora estado envolvido no chamado caso das escutas, na verdade não teve nada a ver com ele. Ora até que enfim, um esclarecimento claro e cabal sobre este estranho processo.

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TODOS SOMOS POUCOS…

por Pedro Sousa em 18 de Janeiro de 2010

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

Os cinco elementos (dois médicos, dois enfermeiros e um logístico) chegaram hoje de madrugada a Port-au-Prince a bordo C-130 da Força Aérea Portuguesa

Numa primeira fase, o grupo liderado por José Luís Nobre, juntamente com a restante ajuda humanitária portuguesa, aguarda instruções para o local onde irá ser montado o acampamento onde irá efectuar assistência médica, por forma a, o mais depressa possível, começar a trabalhar nas primeiras consultas e tratamentos médicos.

À chegada à Port-au-Prince, o grupo de emergência tinha à sua espera a equipa exploratória da AMI que partira de Lisboa na quinta-feira via República Dominicana. O encontro emotivo das duas equipas da AMI deu-se no acampamento anexo ao aeroporto haitiano. No meio de centenas de tendas e material logístico, a permanência da equipa em Lisboa serviu de ponte para o reencontro, já que as comunicações dentro do país eram impossíveis

Digno de registo foi o excelente trabalho de coordenação entre os vários actores portugueses. A equipa conseguiu ainda, com o apoio da representante honorário de Portugal no Haiti, identificar um hospital para desenvolvimento de trabalhos de assistência médica.

A equipa da AMI agradece o enorme apoio e carinho manifestado pela sociedade civil portuguesa. Ao longo destes últimos dias, o facebook e blog da AMI têm recebido centenas de mensagens de encorajamento e amizade. Ainda não é possível efectuar um balanço dos donativos recebidos, sendo inúmeros os contactos para prestar apoio financeiro.

Recorde-se que desde quinta-feira, data partida da primeira equipa, a AMI tem aberta uma conta emergência Haiti.

Conta Emergência BES – NIB: 0007 001 500 400 000 00672

Multibanco: Entidade 20 909 Refª 909 909 909 em Pagamento de Serviços.

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Da natureza humana

por Pedro Sousa em 17 de Janeiro de 2010

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

A propósito da situação desesperada no Haiti, constato, uma vez mais, uma curiosa faceta da natureza humana: mostra o seu lado mais nobre sempre que há uma catástrofe, sobretudo quando ela se manifesta a esta escala. As pessoas mobilizam-se, dão-se, ajudam com brio, coragem e altruísmo… e depois esquecem esse rasgo de generosidade que as galvanizou por algum tempo e voltam a fechar-se na sua rotina de anestesia, mal o drama abranda e a vida volta ao normal.

Pergunto-me: será que precisamos de ter bem presentes a nossa própria vulnerabilidade, a nossa impotência, para acordarmos da sonolenta indiferença que nos domina o dia a dia? Será que deveria haver sempre uma tragédia por perto, para sermos melhores pessoas?

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/

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