uau!!!

por Pedro Sousa em 4 de Março de 2010

em Com a devida vénia

Cada vez mais me enoja a promiscuidade na capital deste país, um pequeno grupo de gente que se auto-designa de elite, nascidos na classe média da administração salazarista e que hoje domina uma boa parte da vida.

São jornalistas, são deputados, são jurisconsultos, são consultores das mais variadas artes, são comentadores televisivos, são gente que nunca teve dificuldades na vida, a quem para arranjar um emprego para um filho basta um telefonema, para comprarem um carro novo basta uma cunha para mais uma avença. Se foram apanhados na declaração de IRS telefonam ao fulano tal, se precisam de uma operação no hospital passam à frente da fila de espera, resolvem todos os seus problemas com um mero telefonema, são um verdadeiro grupo mafioso assente numa imensa rede de contactos, de compadrios assentes na troca de valores.

Esta gente não tem cor política, não tem ideologia, não tem princípios, não tem o mais pequeno respeito pelo povo que os alimenta e enriquece, de manhã são jornalistas e à noite bloggers, num dia são magistrados e no outro juízes desportivos, se estão na oposição coleccionam avenças, quando beneficiam do poder vão para administradores de empresas públicas, ora são assessores de líderes partidários, ora são directores de jornais.

Esta gente não imagina o que é viver com o ordenado mínimo, nunca estiveram em terra a esperar o regresso de um pai que está no mar debaixo de um temporal, não sabem quanto humilha estar numa fila de desempregados, não imaginam o que se sofre quando se tem de alimentar filhos sem ter dinheiro, não sabem o que é mandar um filho para a escola sem o pequeno-almoço. Não sabem, não imaginam, nem querem saber, têm o maior do desprezo pelo povo cuja opinião gostam de manipular. No entanto ganham rios de dinheiro a comentar nas televisões sobre a melhor forma de resolver os problemas do país e dos portugueses.

Andam por aí a alardear grandes currículos, são ilustres jurisconsultos, jornalistas de primeira água, comentadores televisivos, sentem-se superiores aos que tanto usam nos seus discursos de conveniência. Queixam-se da crise mas ganham com ela, propõem sacrifícios para os outros mas multiplicam a sua riqueza, preocupam-se com a iliteracia mas olham para os outros com o desprezo e incomodam-se pela falta do perfume a 100 euros, há décadas que propõem novas soluções e o resultado é aquilo que se vê.

Cada vez sinto mais nojo desta elite que julga que todo o poder eleito pelo povo lhes deve prestar vassalagem, estão convencidos de que só os “bem falantes” têm direito a expressar as suas opiniões, que julgam que o povo que vota é uma imensa borregada que lhes deve perguntar onde devem votar, que acham que podem fazer e desfazer qualquer político.

É tempo de dizer não a esta imensa promiscuidade disfarçada de bons princípios. É preciso dizer não a esta gente, denunciá-la, combatê-la, antes que passemos a sentir nojo do próprio país. Portugal não é esta seita de proxenetas de gravata Hermes, que se instalou no poder da capital para viver à custa do subdesenvolvimento do país. O meu país é o meu povo e esse é eticamente muito superior a esses canalhas, é gente que sua por cada tostão de ganha, trabalhadores que tiram dos seus filhos os impostos que alimenta essa elite da treta, empresários que todos os meses lutam para que as suas empresas consigam pagar os ordenados dos trabalhadores no fim do mês.

{ 5 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 f 4 de Março de 2010 às 23:07

Gostava de felicitar a pessoa que escreveu este texto mas, como sempre, esqueces-te de publicar a fonte.

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2 Pedro Sousa 4 de Março de 2010 às 23:24

Frank,

Tens toda a razão… não coloquei o link, apesar de ter colocado o texto em citação.

Já corrigi.

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3 f 4 de Março de 2010 às 23:09

O que nos vale é que o Google é nosso amigo.

http://jumento.blogspot.com/2010/03/promiscuidade.html

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4 Jorge Monteiro 4 de Março de 2010 às 23:22

Finalmente alguém escreveu o que eu sentia!

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5 inquieto 8 de Março de 2010 às 20:15

ora aqui está uma reflexão engraçadita!

Meus caros todos nós já sentimos isto!! Eu, há uns bons pares de anos!
Mas enquanto não tomármos mãos na coisa, podem crer, ninguém levanta o rabo. Todos caladinhos!

-Lembram-se das tentativas de reduzir o número de deputados?
Não está relacionado? Claro que está, absolutamente!

Lembram-se dos círculos uninominais?
Onde está o Fdp do deputado que eu elegi por Aveiro? é quem nem eu o conheço, nem ele se importa! todos caladinhos!!

Enquanto votarmos na lógica dos partidos(qualquer um que seja), meus caros, sempres teremos do mesmo, ou seja, aquilo que sobra!!

Á partida todos felicitámos a democracia, mas ela tb tem inconvenientes. E o maior é tu puderes falar bem alto e ninguém te ouvir.

Nã sei de seria viável, mas uma medida do tipo: todas as secções locais do distrito ou da região entregavam os cartões de militantes dos partidos e encerravem as suas actividades. Parece-me bem.

Enquanto discutirmos os boys do Sócrates e do Vara, ou os submarinos do Portas e suprema inteligência do Dias Loureiro, meus caros amigos, estou certo, estámos a prestar um péssimo serviço ao futuro dos nosso filhos. O voto, pelo menos o meu, na minha opinião, não dá legitimidade alguma a estes trapaceiros!
Dirme-ão que a sociedade moderna não se compadece com mudanças bruscas. Ok, até posso estar de acordo!

Mas uma certeza tenho. Eu e os camradas deste blogue, e todos os que desta forma pensam, seriam melhor sucedidos a fazer um PEC, a gerir uma PT, EDP, um banco, e sobretudo seríamos óptimos analistas e melhores deputados!

Alguém tem dúvidas?

Eu não.

um abraço
inquieto

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