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Com a devida vénia

AS ESCUTAS

por Pedro Sousa em 23 de Janeiro de 2010

em Com a devida vénia,País

Ricardo Araújo Pereira faz, esta semana na Visão, uma crónica genial com o nome “Esclarecer o que nunca existiu com explicações que não explicam nada”. Segue o primeiro parágrafo:

Três meses depois de ter sido afastado da Casa Civil do Presidente da República por causa do seu envolvimento no chamado caso das escutas, e dois meses depois da sua reintegração na Casa Civil do Presidente da República sem que tivesse havido novidades a propósito do seu envolvimento no chamado caso das escutas, Fernando Lima veio a público explicar o seu envolvimento no chamado caso das escutas dizendo que, tendo embora estado envolvido no chamado caso das escutas, na verdade não teve nada a ver com ele. Ora até que enfim, um esclarecimento claro e cabal sobre este estranho processo.

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TODOS SOMOS POUCOS…

por Pedro Sousa em 18 de Janeiro de 2010

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

Os cinco elementos (dois médicos, dois enfermeiros e um logístico) chegaram hoje de madrugada a Port-au-Prince a bordo C-130 da Força Aérea Portuguesa

Numa primeira fase, o grupo liderado por José Luís Nobre, juntamente com a restante ajuda humanitária portuguesa, aguarda instruções para o local onde irá ser montado o acampamento onde irá efectuar assistência médica, por forma a, o mais depressa possível, começar a trabalhar nas primeiras consultas e tratamentos médicos.

À chegada à Port-au-Prince, o grupo de emergência tinha à sua espera a equipa exploratória da AMI que partira de Lisboa na quinta-feira via República Dominicana. O encontro emotivo das duas equipas da AMI deu-se no acampamento anexo ao aeroporto haitiano. No meio de centenas de tendas e material logístico, a permanência da equipa em Lisboa serviu de ponte para o reencontro, já que as comunicações dentro do país eram impossíveis

Digno de registo foi o excelente trabalho de coordenação entre os vários actores portugueses. A equipa conseguiu ainda, com o apoio da representante honorário de Portugal no Haiti, identificar um hospital para desenvolvimento de trabalhos de assistência médica.

A equipa da AMI agradece o enorme apoio e carinho manifestado pela sociedade civil portuguesa. Ao longo destes últimos dias, o facebook e blog da AMI têm recebido centenas de mensagens de encorajamento e amizade. Ainda não é possível efectuar um balanço dos donativos recebidos, sendo inúmeros os contactos para prestar apoio financeiro.

Recorde-se que desde quinta-feira, data partida da primeira equipa, a AMI tem aberta uma conta emergência Haiti.

Conta Emergência BES – NIB: 0007 001 500 400 000 00672

Multibanco: Entidade 20 909 Refª 909 909 909 em Pagamento de Serviços.

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Da natureza humana

por Pedro Sousa em 17 de Janeiro de 2010

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

A propósito da situação desesperada no Haiti, constato, uma vez mais, uma curiosa faceta da natureza humana: mostra o seu lado mais nobre sempre que há uma catástrofe, sobretudo quando ela se manifesta a esta escala. As pessoas mobilizam-se, dão-se, ajudam com brio, coragem e altruísmo… e depois esquecem esse rasgo de generosidade que as galvanizou por algum tempo e voltam a fechar-se na sua rotina de anestesia, mal o drama abranda e a vida volta ao normal.

Pergunto-me: será que precisamos de ter bem presentes a nossa própria vulnerabilidade, a nossa impotência, para acordarmos da sonolenta indiferença que nos domina o dia a dia? Será que deveria haver sempre uma tragédia por perto, para sermos melhores pessoas?

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/

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UM GRANDE OBRIGADO AOS 4000

por Pedro Sousa em 30 de Setembro de 2009

em Arouca,Com a devida vénia,Estado de Espírito

Bem, a vaidade continua… obrigado a todos os que permitiram que no último mês, o PontoPorPonto atingisse – por pouco – as 4000 visitas.

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A BARREIRA DOS 3.000

por Pedro Sousa em 4 de Setembro de 2009

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

Este modesto blog, que deve a sua existencia ao Arouca.biz, registou no último mês mais de  3.000 visitas.

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Obrigado a todos… por favor, convidem a familia a aparecer também que eu quero passar as 4.000

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O QUE EU GOSTAVA DE TER ESCRITO XXVI

por Pedro Sousa em 12 de Junho de 2009

em Com a devida vénia,País

Portugal vai finalmente entrar nos eixos. Acabaram-se as malfeitorias de Sócrates e iremos voltar a ter calma e tranquilidade. Para começar, em resultado das eleições e tal como exigiu Paulo Rangel, o Governo não deve fazer mais nada. Deve parar totalmente a sua actividade, pelo menos, até final do ano. Parece-me bem.

Pode ser que entretanto a crise passe e lá para o Natal os portugueses acordem cheios de prendas na respectiva árvore. Se não for assim, logo se verá.

Nessa lógica, e dado o notável crescimento do Bloco, fica também desde já proibido qualquer despedimento, sendo que a empresa que o faça será imediatamente encerrada pela polícia.

Na mesma linha doutrinária bloquista, os desempregados deverão ser admitidos, compulsivamente, pelas empresas com grandes lucros, mesmo que não tenham nada para fazer ou sem aptidões. Esta medida irá diminuir drasticamente a taxa de desemprego e salvar a segurança social. As empresas que se recusarem a fazê-lo serão igualmente encerradas.

As pequenas e médias empresas, principalmente as falidas e obsoletas, serão altamente financiadas pelo Estado. Pouco importando se o dinheiro vai para a modernização ou para comprar BMW’s. Todos os economistas do PSD, PCP, Bloco e CDS garantem que é assim que se estimula a economia.

Serão distribuídos avultados subsídios aos pescadores, os quais poderão doravante pescar tudo o que quiserem sem qualquer restrição. Quando o peixe acabar logo se vê. A agricultura será também totalmente subsidiada protegendo-se assim os produtos nacionais, mesmo os de baixa qualidade ou sem consumidores. Esta medida será acompanhada da proibição da venda de produtos agrícolas e piscícolas oriundos de outros países.

Considerando também a expressiva votação nos partidos contra a Europa – Bloco, PCP e CDS -, e dada a pouca convicção do PSD actual sobre o assunto, deverá dar-se início às negociações para abandonarmos a Comunidade Europeia. Portugal ganhará deste modo a plena soberania, o que, entre tanta coisa extraordinária, dará toda a legitimidade para se reclamar o importante território de Olivença que nos foi vilmente roubado pelos espanhóis.

Todos os programas “na hora” e de desburocratização serão abandonados para se regressar às velhas e serenas rotinas. Pedir uma qualquer certidão terá forçosamente que demorar no mínimo três meses.

Os professores deixarão de ser avaliados. A progressão na carreira voltará a ser rigorosamente automática não distinguindo, sob nenhuma forma, a prestação individual que será sempre excelente. De forma a repor a autoridade dos docentes na sala de aula voltarão as reguadas.

Medida urgente será a apreensão de todos os computadores Magalhães e, em vez deles, distribuídos lápis e borrachas, o que muito estimulará estas importantes indústrias. A Internet será fortemente censurada e só poderá ser usada entre as 16 e as 18 horas aos sábados, sob estrito controlo parental, já que aos domingos as televisões passarão todo o dia futebol.

A ASAE será extinta.

Todos os projectos, como o TGV e o aeroporto, serão cancelados. Não será construído nem mais um centímetro de estradas. Isto trará de volta o famoso “orgulhosamente sós” de tão boa memória para muitos portugueses. As corridas com touros de morte serão legalizadas em todo o território nacional. Esta medida terá um enorme impacto no crescimento do turismo, atraindo bárbaros de todo o mundo para Portugal.

Os polícias terão ordem para disparar à vontade, bater nos presos e forjar provas, desde que garantam condenações. Será encomendado um estudo, ao grupo parlamentar do CDS, para reintrodução da pena de morte em Portugal.

Marinho Pinto será imediatamente destituído. Será também terminantemente proibida qualquer crítica às decisões de juízes e magistrados, considerando-se uma forma de pressão intolerável e fortemente punível, tudo o que não seja vénia e subserviência. Todos os estrangeiros serão expulsos do País, repondo-se deste modo a pureza da raça latina.

Só serão permitidos casais de um homem e uma mulher, os quais tendo em vista a doutrina desenvolvida por Manuela Ferreira Leite, terão obrigatoriamente que procriar. Também nesta linha de promoção da ordem na família os maridos poderão voltar a bater nas mulheres.

Por fim dada a consonância de posições entre os quatro partidos da actual oposição, PCP, Bloco, PSD e CDS irão juntos formar o próximo governo de Portugal. Assim temos futuro.

in Jornal de Negócios

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A minha escola

por Pedro Sousa em 24 de Maio de 2009

em Com a devida vénia,País

Eu andei sempre na escola pública. Tive bons colegas e maus colegas. Ricos e pobres. Limpos e sujos. Espertos e preguiçosos. Sou do tempo em que ainda havia a escola primária e o ciclo, em que havia furos e sempre que um professor faltava ficávamos por ali a deambular, em que os currículos não eram enriquecidos e não havia ninguém para me orientar o estudo. As coisas eram o que eram. Havia bons alunos e maus alunos e alunos médios. Havia os que já sabiam o que queriam ser quando fossem grandes, havia os que queriam ir para a universidade e os que se ficavam pelo caminho. Sem dramas. Havia chumbos e não havia cá recuperações nem programas especiais. Tive colegas que deixaram a escola no oitavo ano para se juntarem com o namorado, para terem filhos, para irem trabalhar numa oficina. Eu sou do tempo em que o balneário do ginásio tinha duche colectivo e quando as meninas estavam com o período pediam dispensa da ginástica ao professor porque não sabiam muito bem como resolver a coisa. Sou do tempo em que nas aulas de trabalhos manuais aprendíamos a fazer macramé e fada-do-lar (lembram-se?), em que fazíamos bonecos horrorosos em barro e chaveiros de madeira. Não tínhamos disciplinas com nomes pomposos mas aprendíamos a escrever à máquina e a redigir cartas comerciais. Os testes eram dados em stencil e, com sorte, nas aulas havia uns acetatos manhosos projectados no quadro. Fazíamos trabalhos de grupo, em cartolinas ou em folhas A4 escritas à mão – não havia internet nem copy-paste, era preciso ler livros e copiar letra a letra (e enquanto líamos e escrevíamos e passávamos a limpo e tudo isso, alguma coisa ia ficando na cabeça). Eu tive bons professores e maus professores. Péssimos e excelentes. Tive professores apaixonados, que não se limitavam a dar matéria, que não se limitavam à matéria. E tive professores que não faziam a mínima ideia do que estavam a ensinar (para terem uma ideia um dos meus professores de biologia é hoje, na mesma escola, professor de culinária). Tive professores que não sabiam domar as feras de doze anos, que eram gozados e aldrabados, que tinham alcunhas feias e que, se fosse hoje, teriam as aulas no youtube para serem criticados pelo país inteiro e quem sabe até com direito a processos disciplinares. Tive professores na faculdade que de doutores só tinham o nome, que se estavam a marimbar para nós, que não davam as aulas ou que só queriam que nós os ajudássemos a fazer investigação para as suas teses de doutoramento.
A minha escola tinha problemas, pois tinha, mas não foi nada disso que me fez ser pior pessoa ou mais burra ou mais inculta ou mais mal educada. Porque o mais importante da educação não vem da escola, vem de casa. O mais importante de tudo foi o que os meus pais me ensinaram. Uma ética que me fez ir sempre às aulas, que me coibia de cabular, que me fazia estudar sem ser obrigada (porque esse era o meu trabalho e porque ainda acreditávamos todos que o bom trabalho seria recompensado). Um brio que me fazia querer fazer as coisas bem feitas, ir para além da mediania, dar o máximo. Uma curiosidade que me fazia querer saber mais, não ficar só a a marrar para os testes mas gostar realmente de aprender. Sem isto, a escola até pode ser a melhor do mundo, ter milhares de magalhães e quadros interactivos, ter professores com a papelada toda em dia e currículos muito bonitos. Mas não adianta nada.

in http://agatachristie.blogspot.com

notasescola

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AFINAL NÃO É HUMOR

por Pedro Sousa em 14 de Abril de 2009

em Com a devida vénia

I don’t make jokes. I just watch the government and report the facts.

Will Rogers

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ESTÓRIA

por Pedro Sousa em 11 de Fevereiro de 2009

em Com a devida vénia

Ouvida agora na SIC-N, no programa Negócios da Semana:

Um Rico foi ter com um socialista à prisão e disse:

- Aderi às suas ideias… vou pegar na minha riqueza e distribuir por todos os pobres;

Resposta do socialista:

- Não faça isso. Só vai conseguir criar mais um pobre e não vai enriquecer nenhum.

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a vida tal como ela é

por Pedro Sousa em 2 de Fevereiro de 2009

em Com a devida vénia

Hoje de manhã íamos no carro, depois de mais um acordar em correria, e eu sentia-me exausta, e olhei-te e estavas exausto, e lá atrás os miúdos gritavam um com o outro, É meu! Não, é meu! Ó mãe! Ele chamou-me bebé! Eu não sou bebé! E os gritos enchiam-nos os ouvidos e o sangue principiava a ferver-nos dentro das veias, sim, que eu bem senti o teu sangue ferver-te nas veias da mesma maneira que o meu, uma vontade imensa de gritar CALEM-SE C**AL*O!, e o cansaço, às 8.30, tão fundo.
Olhei para ti sem que te apercebesses (creio que estavas a entrar numa espécie de transe) e pensei: isto é a vida. A vida tal como ela é. E há poucas pessoas capazes de aguentar a vida como ela é. E quando se dão conta de que a vida não é como no Sexo e a Cidade, quando percebem que a vida não é só jantares românticos e festas e fins-de-semana em resorts de luxo, quando percebem que estão num carro, às 8.30 da manhã, completamente esvaídas, sem forças para darem um grito sequer, quando percebem, as pessoas – muitas pessoas – rebentam. Desistem. Dizem: Isto não é vida. Vou-me embora. Separo-me. Vou à procura de outra coisa. Melhor. Mais excitante. Mais glamorosa. Mais cool. A porra é que é engano. É mentira. É ficção. Daí a pouco, noutra casa, noutro carro, sentirão o mesmo. Sem tirar nem pôr. Porque isto é a vida. A vida tal como ela é.

Claro que há momentos de uma felicidade que não tem tamanho nem preço nem palavras que a definam. Ah, sim, claro! Mas são momentos. Excelentes por serem isso mesmo: instantes. E a gente vai naquele carro e pensa: daqui a bocado vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. No fim-de-semana vai ser melhor. Nas férias vai ser excelente. Para o ano é que vai ser em grande. E vai. Mas a vida, a p**a da vida, é aquele momento no carro. E a maior parte das pessoas que eu conheço não me parece minimamente preparada para aquele momento. Ou seja, para a vida.

http://coconafralda.blogspot.com/2009/01/vida-tal-como-ela-e.html

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