UM TEXTO INTERESSANTE E BASTANTE EQUILIBRADO SOBRE A AVALIAÇÃO (SIM MAIS UM)

por Pedro Sousa em 8 de Dezembro de 2008

em País

Sempre achei que neste processo falta sobretudo bom-senso. Do lado do ministério, não compreendo como é que se chegou a este ponto. Se havia erros, lacunas, complicações desnecessárias, má concepção e má organização interna do famigerado “processo de avaliação”, porque é que não foram detectadas mais cedo? Parece que se fazem as coisas em beta-version para experimentar, usando os professores como cobaias, e depois corrige-se quando há problemas e, sobretudo, se há contestação. Afinal o processo vai ser simplificado. Isso quer dizer que, de início, era complicado, que o ministério é incapaz de elaborar um processo simples, claro, previamente discutido e melhorado. Mas a firmeza da ministra, alvo de todas as farpas e de todos os insultos, em recusar-se a suspender o processo, é de louvar. Não andamos a brincar às avaliações, não andamos a brincar à educação. Está na hora de este país deixar as meias-reformas, os processos inacabados. E se só falta um ano para as eleições, maior é a admiração que deve suscitar.

E AINDA

O prestígio da classe docente está destroçado. Dói-me, e digo-o sem reservas e sem ironia, quando oiço (e já ouvi por diversas vezes) uma professora com muitos anos de serviço anunciar a sua reforma por estar farta, desorientada e cansada, por se achar desrespeitada e a perder demasiado tempo com burocracias e papéis em vez de ensinar os alunos. E imagino o aperto que é para um jovem professor andar com a casa às costas anos a fio, umas horas aqui, outras ali, projectos de vida adiados, mais um ano, pode ser que para o próximo consiga, um ano a ensinar, outro desempregado.

Porém, a classe docente perdeu e perde pontos. Os maiores inimigos dos professores parecem ser eles próprios, porque se desrespeitam a si mesmos e não se fazem respeitar. Os professores, como os médicos, como os magistrados, como as forças policiais e militares, são cidadãos especiais, com responsabilidades especiais. Querem respeito, mereçam-no. A torrente de insultos, de calúnias, de piadas de mau-gosto, de insinuações, acerca da ministra da educação, libertada pelo fel de muitos professores nas últimas semanas, na blogosfera como noutros palcos, é um boomerang que mais cedo ou mais tarde se volta contra os professores. Há uma dignidade na função docente que está a ser desbaratada.

texto completo aqui: http://jugular.blogs.sapo.pt/535819.html

{ 9 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Manuela 9 de Dezembro de 2008 às 3:39

Concordo plenamente com a opinião exposta. A classe dos professores sempre teve uma tratamento à parte. Não lhes é exigido qualquer requisito no acto da admissão, não são sujeitos a qualquer processo de seriação e nunca foram avaliados. Mas os tempos mudam, as necessidades são outras e as circunstânias exigem. É claro que é um processo complicadop ara ambas as partes, mas a solução passa pela cooperação e colaboração também dos professores. Penso que o pior caminho é o da greve e o melhor incluirá o preocupação de cada professor em contribuir para a criação do melhor modelo de avaliação. A renúncia só por renúncia, não é solução.

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2 F Santos 9 de Dezembro de 2008 às 15:03

Querem respeito, mereçam-no. A torrente de insultos, de calúnias, de piadas de mau-gosto, de insinuações, acerca da ministra da educação, libertada pelo fel de muitos professores nas últimas semanas, na blogosfera como noutros palcos, é um boomerang que mais cedo ou mais tarde se volta contra os professores. Há uma dignidade na função docente que está a ser desbaratada.

A primeira afirmação é sem comentários.
Todos estes comentadores que se dizem (ou acham) inteligentes, cultos e bem formados vieram todos de escolas no estrangeiro. Porque em Portugal a classe docente é uma lástima! Todos os doutores, engenheiros e arquitectos deste país vêm de Harvard! Nenhum teve aulas em Portugal. Então e a Ministra dá-se ao respeito????? São só os professores que se têm de dar ao respeito?????
Tratem-se!!!

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3 Observador 11 de Dezembro de 2008 às 8:51

“Todos estes comentadores que se dizem (ou acham) inteligentes, cultos e bem formados vieram todos de escolas no estrangeiro. Porque em Portugal a classe docente é uma lástima! Todos os doutores, engenheiros e arquitectos deste país vêm de Harvard! Nenhum teve aulas em Portugal. ”

Estás muito mal informado, o que escreveste é um barbaridade!

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4 F Santos 12 de Dezembro de 2008 às 16:37

Caro Observador,

acho que todos menos o caríssimo Observador perceberam que este comentário é irónico….

Podia estar aqui agora a justificar o meu comentário, mas acho que ficou claro para (quase) toda a gente.

É óbvio que a maioria dos intelectuais portugueses foram formados em Portugal. Daí o respeito que se quer devido aos professores.

Espero que tenha percebido agora.

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5 F Santos 12 de Dezembro de 2008 às 16:39

P.S.
Lendo melhor, parece-me que pensou que este comentário foi escrito pelo Pedro Sousa. Olhe que não. “Estás muito mal informado”

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6 Pedro Sousa 13 de Dezembro de 2008 às 4:30

Ouve lá, ó F. Santos…

Não devias estar a praticar as as primeiras mudas de fraldas???? :D :D :D

PARABÉNS!!

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7 F Santos 13 de Dezembro de 2008 às 17:31

Já estou mestre ! Nos intervalos venho cá :)

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8 Comentador Arouca 15 de Dezembro de 2008 às 23:33

Bem… pensemos em 140 mil Professores que se manifestaram contra este modelo de avaliação. Que vontade os moveu? Serão todos irresponsáveis ao ponto de se exporem? Quando foi a última vez que isso aconteceu?

Acho que há uma pessoa que está certa e 140 mil estão errados…

Muito me apraz escrever neste blogue de promoção ao PS de um pseudo-engº.

Sr. Sousa: Tenha juízo! Não opine sobre o que nada percebe… ou melhor não exponha aqui ideias de outros que nada percebem.

tenho pena de si…

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9 Pedro Sousa 16 de Dezembro de 2008 às 12:40

Caro Comentador,

Presumo que seja o mesmo que participa no arouca.biz e portanto é professor. Isso dá-lhe uma responsabilidade acrescida e não pode escrever aqui coisas como “Não opine sobre o que nada percebe”. Então é esse espírito acritico que ensina?
Os seus alunos não devem criticar um filme, se não forem realizadores? Não deve criticar um texto, se não forem escritores? Não deve criticar os politicos, se não forem de partidos?

Quanto à questão dos 140.000… a resposta mais fácil era lembrar-lhe Galileu. Mas não indo por aí… o facto de serem 200.000 não lhe dá razão, agora, como já escrevi, também não pode ser ignorado. E, se no ínicio, MLR tentou ignorar, depois não teve outra hipotese que não fosse fazer alterações. E quando os professores podiam ter comunicado a “vitória” na primeira batalha, decidiram esticar a corda e pedir a suspensão total. Foi a estratégia que escolheram… para mim errada.

Continuo a achar que, fosse o representante da classe outro que não o Mário Nogueira, já se teriam dados passos mais importantes. Mas é uma questão de opinião de quem nada percebe.

Aliás, tendo em consideração que os pais nada percebem, deviamos até todos ser impedidos de dar qualquer opinião sobre a escola, os professores, as notas, a segurança… e os professores fariam uma lista sobre os assuntos sobre os quais podemos opinar. Ás vezes julgo que a democracia atrapalha alguns…

Mas não tenha pena de mim… eu estou bem de saúde e o debate não me atrapalha nada.
Pode chamar-me fanático, socialista, rosa, cego… o que quiser…. mas nunca me vai ver escrever para alguém algo como “Não opine sobre o que não percebe…”. A democracia não me incomoda.

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