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Domingo, Março 23, 2008

Ideias para a Educação

por Pedro Sousa em 23 de Março de 2008

em País

Considerando o tom geral do debate, em torno do «estatuto do aluno», da proibição do uso de telemóveis na escola e das «causas» da má educação, indisciplina, às vezes, da ordinarice sem consequências de alguns alunos, deixo aqui algumas ideias para pôr termo à bandalheira. Aqui vão:

1. Explicar ao País que a educação pública não é um «direito universal e gratuito», mas um privilégio caro, que é pago pelos contribuintes, por todos os contribuintes, mesmo até por aqueles que não beneficiam minimamente dela;

2. Explicar, imediatamente depois, que tratando-se de um privilégio, a educação não paga pelos utentes deve ser um bem escasso, do qual eles não podem usufruir indefinidamente sem aproveitamento;

3. Responsabilizar os utentes do serviço, isto é, os alunos, pela sua manutenção no sistema gratuito, criando prazos de prescrição para as suas matrículas gratuitas, que, quando ultrapassados, terão por consequência a sua saída do sistema, passando esses alunos a terem de pagar o custo real do serviço que lhes é prestado caso queiram continuar a frequentá-lo;

4. Imposição de regras severas de frequência: limite de faltas não justificadas muito pequeno, com reprovação imediata para quem o ultrapassar; proibição efectiva de tabaco, álcool, telemóveis, etc. no espaço da escola e nas suas imediações; cumprimento das normas básicas de educação e etiqueta para com os professores;

5. Avaliações rigorosas dos alunos, com reprovações anuais efectivas;

6. Obrigação de uso de farda escolar, personalizada escola a escola, até, pelo menos, ao fim do 3º ciclo do Ensino Básico (escolaridade obrigatória, concluída, mais ou menos, até aos 14, 15 anos de idade, muito boa idade para se andar de farda);

7. Criação de um sistema de incentivos para os melhores alunos, com acesso directo ao sistema gratuito de ensino superior e outro tipo de prémios;

8. Obrigação de actualização científica e pedagógica dos professores em períodos nunca inferiores a sete anos, através da realização de cursos que lhes atribuam créditos profissionais, em cursos protocolados pelas direcções das escolas, e da qual dependa a progressão na carreira com a correspondente compensação salarial acrescida;

9. Avaliações científicas e pedagógicas rigorosas dos professores, através de exames regionais/nacionais elaborados, fiscalizados e corrigidos por equipas preparadas para isso, e onde os alunos e os pais dos alunos não tenham a mais pequena participação;

10. Autonomia completa das direcções gerais das escolas, com base em contratos a prazo, e com avaliação de resultados, da qual dependerá a progressão na carreira dos professores envolvidos, em função dos resultados apresentados;

11. Extinção das funções «pedagógicas» das Associações de Estudantes, que são, em regra, constituídas por analfabetos funcionais dedicados às «jotas» e que agem exclusivamente como sindicatos políticos nos órgãos directivos das escolas em que têm assento;

12. Extinção do Ministério da Educação, terminando com o modelo único e centralizado das últimas décadas, passando a gestão completa das escolas para os poderes locais (municípios ou, se existissem, regiões).

daqui: http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2008/03/os-nossos-problemas-com-educao.html

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O que eu gostava de ter escrito XIV

por Pedro Sousa em 23 de Março de 2008

em Com a devida vénia

«Na Escola Carolina Michaëlis do Porto, uma escola da classe média e não uma escola “problema” de um bairro popular, a professora de Francês (altamente qualificada, por sinal) confiscou um telemóvel a uma aluna. Quase com certeza porque o telemóvel interferia com a aula (ou porque estava a ser usado, ou porque tocava, ou por uma razão qualquer igualmente grave). A dita aluna berrou e agrediu a professora. Não a deixou sair da sala. À volta, a turma ria e comentava: “Olha que a velha vai cair!”, por exemplo. No fim, já havia um molho tumultuário e confuso, que outra criancinha prestavelmente filmava e que dali a pouco apareceu no YouTube e, a seguir, na televisão. Convém acrescentar que a professora era pequena e frágil e a aluna alta, anafada e forte. A brutalidade da coisa constrangia.

Perante isto, os nossos comentadores descobriram logo um culpado: os pais. Toda a gente imagina a cantilena: pais que não se interessam pelos filhos; pais que não “educam” os filhos; pais que não lhes tramitem os “valores” do respeito, da dignidade e da convivência. Muito bem. Mas não me cheira que a aluna do telemóvel bata habitualmente nos pais como bateu na professora. Porquê? Porque não acredito que ela goze em casa a impunidade de que goza na escola. Na escola não lhe podem responder bofetada a bofetada. Não a podem em definitivo pôr fora do sistema de ensino (excepto com a aprovação pessoal do ministro). Não a podem sequer fazer perder o ano por faltas. Não há melhor ambiente para um tiranete. É a lei da rua. Em última análise, é a lei da violência.

Vasco Pulido Valente, hoje no Público

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A aluna, a professora e o telemovel III

por Pedro Sousa em 23 de Março de 2008

em Com a devida vénia

Escrito por uma Professora de Inglês do Ensino Básico

Mas, por momentos, reflictamos sobre se aquela menina seria capaz de um comportamento idêntico noutra Escola; se aquela turma seria capaz de um comportamento tão aberrante noutra Escola.Isto é, centremo-nos, por momentos em equacionar a hipótese de o problema estar naquela Escola concreta, a Carolina Michäelis.

Porque é que haveríamos de fazê-lo?

Em primeiro lugar, porque é normal que as relações de causalidade se procurem dentro do seu círculo ecológico próximo, neste caso, a sala de aula, a escola.  (continua aqui)

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O que eu gostava de ter escrito XIII

por Pedro Sousa em 23 de Março de 2008

em Com a devida vénia

A história do telemóvel da aluna do Porto é razoavelmente conhecida … e, evidentemente, inaceitável.

Perante esses acontecimentos, que fazem dois representantes de partidos da oposição, um do PSD, outro do CDS-PP? Apelam a que a escola onde o incidente teve lugar use das competências de que dispõe para averiguar os factos e, sendo caso disso – como sugerem as imagens de vídeo – punir a aluna e os demais prevaricadores? Exprimem publicamente solidariedade com a professora?

Nada disso: um desses responsáveis partidários pede a presença da Ministra da Educação no Parlamento; o outro culpa o Estatuto do Aluno.

Já agora, para evitarem ser confundidos com demagogos entregues a manobras politiqueiras de baixo nível, podiam fazer dois favores aos vulgares cidadãos com quem partilham o espaço público: (i) explicar quais são as inovações introduzidas pelo Estatuto do Aluno que consideram ter originado os factos ocorridos na escola secundária do Porto ou que os tornam insusceptíveis de punição e (ii) indicar as propostas recusadas pelo Governo ou pela maioria parlamentar do PS que, se estivessem em vigor, teriam evitado os desacatos que se podem ver na internet e que o Expresso publicitou.

daqui: http://ocanhoto.blogspot.com/2008/03/podiam-explicar-se-sff.html

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