OS MEUS VOTOS, O VOSSO PROGRAMA

por Pedro Sousa em 8 de Novembro de 2009

em País

O meu caro amigo e social-democrata André Almeida decidiu aderir aqui à nova moda que se instalou entre a oposição: a de que os votos são do PS, mas o programa de Governo devia ser de outra entidade qualquer.

Realmente há coisas estranhas… o Partido Socialista decidiu fazer do seu programa de campanha eleitoral o seu programa de Governo. Depois de ser habitual queixar-se de que os politicos prometem uma coisa em campanha e depois no Governo fazem outra, vem a queixa de que os politicos prometem uma coisa em campanha e depois fazem-na mesmo.

O sistema eleitoral em Portugal não diz que só os partidos eleitos com maioria podem traduzir no programa de Governo o seu manifesto eleitoral. Um dia ainda termos partidos menos votados a pedir que, se tiverem por exemplo 29% dos votos, que 29% do programa seja deles.

Sejamos claros… o programa eleitoral do PS foi a votos e foi esse que os portugueses escolheram e que o Presidente da República achou merecedor de indigitação. O PS fez muito bem antes em procurar recolher contributos que todos os partidos negaram, para poderem agora em sede de Assembleia ter este tipo de discurso. Ao recusá-lo, convidaram o PS a não se desviar um milimetro.

Sobre o tema sugiro a leitura deste excelente artido de Emídio Rangel no Correio da Manhã:

O PS encontrou-se com os líderes de todos os partidos políticos com assento parlamentar. Propôs-lhes a formação de governos de coligação, tendo em vista os altos interesses nacionais e a gravidade da crise que nos entorpece os movimentos. Pois bem, todos os partidos da oposição rejeitaram a hipótese de formação de um governo de coligação, rejeitaram a realização de acordos de incidência parlamentar e deixaram o PS com a responsabilidade isolada de solucionar as dificuldades do País

{ 14 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Azevedo 9 de Novembro de 2009 às 2:06

Um bom artigo? Bom jornalismo? Emídio Rangel? Nada disto rima. Este é o senhor que se tornou o símbolo de um modo de ser jornalista em Portugal: mão dada com o poder e de vendinha nos olhos.
Ao que parece, apesar de haverem leis, apesar de uma larga maioria não ter votado no programa do governo, os partidos da oposição devem adestrar-se ao programa do PS. Na cabecinha de alguns a democracia é apenas isto. Deviam meter na cabeça que já não há maioria e, ou fazem cedências à oposição, ou demitem-se já… O povo os estará para julgar pelas responsabilidades que não assumiram e pelo poder absoluto que querem e não sabem ter!

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2 Pedro Sousa 9 de Novembro de 2009 às 10:06

Caro Azevedo,

Não me parece que seja justo para com Emídio Rangel banalizar a sua opinião. Estamos a falar de um fundador da TSF, fundador da SIC, Director da RTP1 (durante pouco tempo, curiosamente) e convidado pela ZON para o concurso ao 5º canal. Com prémios quer em Portugal quer em Espanha. Portanto, não é um curriculum que a maioria dos jornalistas em Portugal possam apresentar.
Também é tempo de deixar de achar que todos os que concordam com o Governo são isto e aquilo e os outros (que massacram o Governo) é que são um grande exemplo de jornalistmo.
Acho que os socialistas já meteram na cabeça que não há maioria, daí ter convidado os outros partidos para reuniões ainda antes de anunciar a composição do Governo e o seu programa. Agora, estes demitiram-se de dar contributos estava à espera de quê? Que o PS se demitisse das suas responsabilidades e andasse, o próprio PS, a procurar nos programas dos outros o que é que iria utilizar? Á oposição também se exige trabalho… veja a questão da avaliação dos professores. Mesmo passado todo este tempo, só agora Aguiar Branco mandou uma carta aos líderes parlamentares para ver se arranjam consenso para uma solução. Então não era tempo de o PSD já ter uma solução alternativa e defendê-la sem medos?
Diz que o povo os julgará… anda distraído. Ainda há pouco tempo fomos julgados (tal como os outros partidos) e todos sabemos os resultados.

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3 F Santos 9 de Novembro de 2009 às 11:50

Pedro

O erro de Sócrates está, a meu ver, em propôr um governo de coligação aos outros partidos mantendo o seu programa eleitoral. Se dizes que Sócrates não se pode desviar do seu programa, porque foi esse que venceu as eleições, o mesmo se aplica à oposição, pois viram a sua legitimidade reforçada para combater as políticas do PS e não compactuar com estas.
Virem agora dizer que propuseram acordos e ninguém aceitou faz-me lembrar aquele menino mimado que é dono da bola e não deixa ninguém jogar, até que um dia lhe apetece partilhar a bola mas aí já ninguém aceita, porque devia ter partilhado não quando queria, mas quando todos queriam.

Quanto ao Emídio Rangel, já que passas a vida a postar “Jornalismo de Sarjeta”, quando este não agrada ao PS, devias iniciar agora o “Jornalismo Espectacular, Totalmente Isento e Imparcial” quando se fala bem do PS. Para seres coerente. Rangel dá muitos contributos para este tópico. Basta veres o Directo ao Assunto na RTPN, à 5ª à noite.

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4 Pedro Sousa 9 de Novembro de 2009 às 21:26

Caro F Santos,

Não sei se Sócrates propôs um governo de coligação mantendo o seu programa. Como sabes disso? Não saiu o resultado das reuniões e acredito que Sócrates não fosse tão ingénuo nesse ponto. Aliás o próprio disse que ía de mente aberta para essas reuniões. E eu não disse que Sócrates não se pode desviar do seu programa. Onde leste isso? O que Sócrates fez, dado que nenhum outro partido quis contribuir, foi apresentar o seu programa. Mas então que outra alternativa havia? JS ligar aos outros líderes a pedir por favor para lhe darem umas ideias para o programa de Governo?
A analogia da bola parece-me bem até ao ponto em que falamos do futuro do país… se a posição da Oposição agora foi “agora também não brinco”, a atitude ficará com quem a toma. Será que o aumento das intenções de voto no PS já reflectem a leitura que os portugueses fazem dessa posição?
Quanto aos jornalismo, percebo o humor, mas é muito ao lado… eu não disse que era isento. Disse que era opinião que não se devia minimizar, o que é completamente diferente. E nunca (que me lembre) nos posts “Jornalismo de Sarjeta” apontei a um jornalista em particular, sempre foi a uma linha editorial, o que é significativamente diferente.
Além disso, o “JOrnalista de Sarjeta” surge-me porque por vezes assiste-se a tentativas de “assassinato de carácter”. Rangel nunca o vi a por em causa a credibilidade ou honestidade (sem qualquer dado factual) de qualquer político.

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5 F Santos 10 de Novembro de 2009 às 22:23

Caro Pedro
“E eu não disse que Sócrates não se pode desviar do seu programa. Onde leste isso?” Não disseste isso, disseste:
“O PS fez muito bem antes em procurar recolher contributos que todos os partidos negaram, para poderem agora em sede de Assembleia ter este tipo de discurso. Ao recusá-lo, convidaram o PS a não se desviar um milimetro.”
As políticas governativas, ditas pelo próprio JS, são para continuar. Queres o quê?? Se a oposição, e bem, é contra algumas, para não dizer todas, as políticas deste governo, queres o quê? Que digam amén a Sócrates? Poupa-me. O discurso da vitimização não cola, desculpa. Teve 4 anos para governar em sintonia com a Assembleia, mas só se lembrou dela agora. Sem comentários.
Quem tem de governar é Sócrates, e se o quer fazer tem de vergar.

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6 Pedro Sousa 11 de Novembro de 2009 às 12:05

Caro F Santos,

Eu não quero que digam AMEN a ninguém, agora não podemos actuar da forma que criticamos em terceiros. Eu não acho que Sócrates não se pode desviar, claro que pode. Mas a oposiçao ao recusar contribuir para o programa e para a governação, convidou o PS a apresentar o seu programa. Então não é lógico? Quer dizer, só faltava na reunião de preparação do programa de Governo, o PS andar à procura de propostas da oposção que a própria recusou dar.
O programa do governo ainda não é um livro do Kafka.

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7 Observador 16 de Novembro de 2009 às 12:10

“Os portugueses pretenderam também que esse programa tenha que procurar o apoio de outras forças parlamentares. ”

Pedro Sousa em 29 de Setembro de 2009

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8 Pedro Sousa 17 de Novembro de 2009 às 0:22

Caro Observador,

Obrigado por lembrar a minha coerência… efectivamente o PS procurou o apoio das outras forças parlamentares e o que aconteceu? Todas recusaram colaborar. Depois o PS fez o que sabe fazer melhor: avançar Portugal. Decidir. Apresentar o seu programa de Governo. O PS não tem de ficar refém…
Depois de convidar os outros partidos e eles não aceitar ía fazer o quê? Tentar colocar no seu programa medidas dos outros partidos que estes recusaram sugerir para o programa? Please…

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9 Observador 17 de Novembro de 2009 às 11:24

Ainda bem que falas na tua coerência. Para te voltar a citar, digo que o Governo é que tem de “procurar o apoio de outras forças parlamentares”. Procurar é diferente de impôr. Ponto.

Não respondas, as afirmações são tuas.

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10 Pedro Sousa 17 de Novembro de 2009 às 23:38

Caro Observador e Caro F Santos,

Procurar é diferente de impor? La Palisse não diria melhor.
Eu não sei se nas reuniões entre Sócrates e os restantes partidos houve ou não imposições. Acho estranho que, caso tenham exisitido, nenhum dos líderes o tenha sublinhado ao sair da reunião. Agora, tendo eles virado as costas nesse momento (legitimamente) deram legitimidade ao PS para apresentar o seu programa. Até isto me parece um truísmo ao nível do Sr. de La Palisse, mas estarei errado.

Eu percebo essa forma de ver a gestão do país (quase “guterriana”), mas a verdade é que nem sempre é possível consensos ou acordos. E quando isso não é possível, tem que existir quem seja determinado na acção. De qualquer forma, a responsabilidade de cada partido será avaliar o programa e a sua implementação. Caso achem mau para o país, exige a responsabilidade política que apresentem uma moção de censura.

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11 F Santos 17 de Novembro de 2009 às 17:16

O caro Observador tem toda a razão: em que bases foram propostos os supostos acordos? Na base da egociação ou da imposição? E já agora, Sócrates propôs o mesmo a todos ou adequou as propostas a cada partido? Nunca saberemos.

O que sabemos é que, pe ex, em matéria de educação, para gaudio dos socialistas, o PSD concordou em NÃO SUSPENDER a avaliação dos professores, mas, como sempre propôs, PROCURAR ALTERNATIVAS em conjunto com os sindicatos. Algo que Sócrates nunca faria se continuasse em maioria, nem sei se fará nas actuais circunstâncias.

“Tentar colocar no seu programa medidas dos outros partidos que estes recusaram sugerir para o programa?” Sabes se foi assim ou assado? Pois, lembraram-se agora, repito, que há uma coisa que se chama… como se diz… oposição!

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12 Observador 18 de Novembro de 2009 às 10:59

Se não sabes o que se passou nas reuniões porque fazes suposições?
Normal, os teus textos estão recheados de incoerências, falsidades e deturpações das palavras dos outros, por vezes mesmo até invenções de afirmações de outros. E pronto, ponto. De post em post, de comentário em comentário, lá se vai a coerência (cada vez mais). Continua.

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13 Pedro Sousa 18 de Novembro de 2009 às 23:45

Caro Observador,

Em ponto prévio, diria que convinha manter o bom tom que todos os intervenientes que por cá costumam passar mantêm, tal como eu. Vir para aqui acusar de falsidades e invenções, sem apresentar casos, ainda por cima sob o manto do anonimato, não é correcto e merece retracção.

Sob o comentário. Eu não faço suposições. Por exemplo, Paulo Portas disse ao Jornal Semanário «Sim, ele perguntou [se esrava disponível para coligações ou acordos] eu eu disse que não». O Jornal i escreveu «José Sócrates reuniu ontem com o PSD e com o CDS e quis saber se algum deles estaria disponível para coligações, alianças, acordos formais ou informais». No dia que foi recebida por Sócrates, Manuela Ferreira Leite confirmou «[...] o convite de Sócrates para uma coligação ou acordo parlamentar.»

Com toda esta informação, acho que a minha suposição tem algum fundamento, certo?

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14 F Santos 18 de Novembro de 2009 às 23:21

Caro Pedro

Eu diria que no dicionário socialista procurar é sinónimo de impôr. Era até agora. Como já não é, vamos ao “guterriano” diálogo, a ver se a opinião pública tem pena do Sr Sócrates, coitadinho que não tem maioria e ninguém o ajuda a governar. Ele quis ajuda para governar nestes 4 anos? Procurou consensos e acordos multipartidários em matéria de educação (escândalo), justiça (anda demasiado ocupada com ela mas por outros motivos), saúde, etc? Achas??? Não era preciso! Mas agora……

A lata que é usada pelo PS para defender agora o diálogo foi bem retratada pelo Gato Fedorento, julgo não ser necessário relembrar. 15 “diálogos” e “dialoar” em 10 minutos, nem Guterres. Mas pior é quererem fazer transparecer que são coitadinhos porque a oposição não vos liga nenhuma!! Bom remédio: antes quebrar que vergar: sigam com o vosso programa, orgulhosamente sós, que a oposição fará o mesmo.

Aliás, o título do post relembra a mania da posse que caracteriza JS: o meu, o vosso… o nosso não existe: ou é como ele quer ou não é. Felicidades. A continuar assim, não será por muito tempo.

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