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Segunda-feira, Novembro 23, 2009

AS MÃES DE HOJE

por Pedro Sousa em 23 de Novembro de 2009

em Estado de Espírito,País

Este fim de semana calhou-me ter de levar o filhote mais velho a um aniversário, num daqueles parques de insufláveissreaming e divertimentos afins. Azar dos azares era o único pai, os resto eram tudo mães.

Estive para lá ficar à espera, pois uma hora e meia passa num instante com um bom jornal e um bom telemóvel. Mas desisti rapidamente depois de ouvir quase 20 minutos de conversa, tipo concurso, sobre as crianças. Conversa que, claramente, era para durar…

Juntas, pelo menos nestes eventos, parece que mais nada existe. Uma mãe diz que o filho isto e aquilo, outra contrapõe que o dela já fez aquilo e isto, outra que não quer ficar atrás diz que o mais novo não sei o quê comparado com o mais velho… etc, etc, etc… 20 minutos de conversa que não consigo perceber como pode ter interesse. É óbvio que todos temos orgulho nos nossos filhos, mas o concurso que lá decorreu na tentativa de passar a mensagem que “o meu filho é melhor que o teu, ou mais avançado, ou mais dificil, ou mais qualquer coisa…” enche a paciência a qualquer um. Senti, já quando estava quase a decidir vir embora, que olharam para mim à espera do meu contributo… saí-me com o que me parece básico: “O meu filho é como qualquer criança”. Senti frustação nas mães em volta… como raio se diz que se é melhor do que isso? Despedi-me e fui ler o jornal para outra freguesia.

Outra questão que me ocorreu foi quando uma das mães (com a concordância das restantes) começou a dizer que a melhor táctica para levar o filho a fazer qualquer coisa é negociar. Por exemplo, se não fizeres isto, tiro-te a Playstation durante uma semana; se não fizeres aquilo ficas sem canal Panda durante duas semanas; se não fores não sei aonde ficas sem o computador durante uma semana; se não comes não vais à piscina durante x tempo, etc, etc,etc.

Tudo isto levantou-me 2 questões:

1ª – Como negociarão os mais pobres, aqueles que não têm PC, Playsation, Piscinas e afins?

2º – Desde quando é que ficou aceitável uma criança deixar de fazer o que quer que seja, não bastando o argumento de que eu sou o pai/mãe e, portanto, tem de fazer. PONTO. Explicando o porquê, obviamente, mas tem de fazer.

Já andamos assim tão fracos pais??

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