Doente ou coitadinho?

por Pedro Sousa em 21 de Outubro de 2007

em Sem categoria

Temos vindo a assistir a várias queixas em reacção a decisões de juntas médicas, trata-se, em regra de profissionais que sofreram de um cancro que de alguma forma limitou as suas capacidades. O último caso refere-se a uma professora do ensino primário que por lhe ter sido retirada parte da língua tem algumas dificuldades em falar.

Deve um cidadão nestas condições ser aposentado? Da mesma forma que não considero alguém que tenha sobrevivido a um cancro como um coitadinho não me parece que ter padecido dessa doença seja motivo para que o funcionário beneficie de uma aposentação. Se o funcionário em causa não puder dar o seu contributo com as suas habilitações porque a doença o incapacitou concordo, mas se assim não suceder não me parece que a solução seja a aposentação.

Se o Estado tem funções a atribuir à professora em causa respeitando a sua dignidade profissional não há razões para que seja aposentada. Não é aceitável que seja despromovida para jardineira, mas se, por exemplo, ficar responsável de uma biblioteca nada justifica a aposentação a não ser um tratamento de “coitadinha”, tratamento de que muitos outros cidadãos com dificuldades maiores não beneficiam.

daqui: http://jumento.blogspot.com/2007_10_21_archive.html

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O autor deste blog põe o dedo na ferida. É óbvio que quem padece de um cancro merece todo o apoio, mas todos conhecemos casos (felizmente) de pessoas que tendo passado por esse difícil desafio, conseguiram vencer e continuar a sua vida. Portanto, cancro não pode ser igua a aposentação. Doente não é o mesmo que incapaz ou incompetente. Não vamos generalizar. As Juntas Médicas que cumpram verdadeiramente o seu papel, separando os casos que são efectivamente dramáticos, daqueles onde alguns aproveita o infortúnio para antecipar a reforma.

{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 pedro 24 de Outubro de 2007 às 14:02

Pois quando as maleitas acontecem aos outros é muito fácil opinar. Recordo que no caso de ter de continuar no sistema, não volta a ser professora e acaba na mobilidade especial com redução de ordenado, pelo simples facto de não possuir as capacidades para ser professora. Que país socialista !!! Só espero que nos vossos empregos não vos aconteça o mesmo. Abraços.

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2 Pedro Sousa 25 de Outubro de 2007 às 19:25

Pedro, essa não é a questão.
O que pretende o autor de post, e acho que bem, é evitar generalizações. Isto é, cancro não pode ser igual a reforma. Existe muita gente que, depois de passar por essa terrível doença (ou outra qualquer) pretende é voltar à vida útil e ser activo.
Doente e coitadinho, são coisas muito diferentes.
Recordo-me até, numa edição passada do Expresso (mais ou menos de há dois meses), vir precisamente alguém que pretendia ser reentegrado apesar da Junta Médica o ter dado como inapto.

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3 inigmatico 1 de Novembro de 2007 às 16:39

http://www.averdadeacimadetudo.blogspot.com
De facto tem razao em tudo o que escreveu, convido a visitar e participar no blog acima descrito.obrigado

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