Jornalismo de sarjeta

por Pedro Sousa em 2 de Setembro de 2009

em País

A primeira página do Correio da Manhã é o jornalismo no seu pior. Diz “PORTUGAL ESCONDE 125 MIL DESEMPREGADOS”.

Lendo a notícia, de onde vêm esses números?? Do INE, do Eurostat?? Não, é um estudo de um economista qualquer, que é deputado do PCP e Membro do Gabinete de Estudos da CGTP.

{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 F Santos 3 de Setembro de 2009 às 22:52

Vê lá estes dados:

Este pequeno estudo de investigação, utilizando dados oficiais publicados pelo INE, mostra:

1- O desemprego corrigido , calculado com base em dados publicados pelo INE, atingiu, no 3º trimestre de 2007, 516.500 trabalhadores ultrapassando, pela primeira vez, o meio milhão, e a taxa de desemprego corrigida 9,4%, ou seja, mais 38% do que a taxa oficial de desemprego que foi 6,8% (quadro I).

2- Segundo o INE, num ano apenas – 3T2007/3T2008 – foram destruídos em Portugal 141.200 postos de trabalho em quatro profissões — profissões ligadas à agricultura e à pesca, e nos grupos profissionais “operários, artífices e similares”, “operadores de instalações, máquinas e trabalhos de montagem” e “trabalhadores não qualificados” — que concentram mais de metade da população activa portuguesa, o que dá uma média mensal de 11.766 postos de trabalho destruídos nestas profissões, ou seja, 392 postos de trabalho destruídos por dia, incluindo sábados e domingos (quadro II).

3- Num ano apenas, o desemprego de longa duração (com um ano ou mais) cresceu 39,1% em Portugal, mas o desemprego de longuíssima duração (com 25 meses ou mais) aumentou 67,3%, o que revela dificuldades crescentes de uma parte significativa dos desempregados em encontrar emprego podendo estar a caminhar-se, se não forem tomadas medidas urgentes para inverter tal situação, para a exclusão social de um numero crescente e muito significativo de portugueses. (quadro III).

4- Cerca de 74% dos desempregados têm apenas o ensino básico ou menos, o que dificulta a sua reinserção no mercado de trabalho. Por outro lado, 97.200 desempregados (cerca de 26% do total) têm o ensino secundário ou superior (43.600 desempregados têm o ensino superior), o que indicia um elevadíssimo desperdício de mão-de-obra qualificada ou potencialmente qualificada num País de baixa escolaridade (quadro IV).

5- A verba inscrita pelo governo no Orçamento da Segurança Social para pagar subsídios de desemprego em 2005 representa, em relação ao orçamentado em 2004 para o mesmo fim, um crescimento de apenas 4%, o que é menos de metade do aumento verificada em 2004 (em 2004, aumentou 11,8%), e menos de um oitavo do crescimento registado em 2003 (em 2003, cresceu 34,8%). Tal facto, tendo em conta o crescimento previsível do desemprego em 2009 que os últimos dados do INE sustentam, só poderá indiciar ou um valor orçamentado claramente insuficiente para não ultrapassar o défice de 3% ou a intenção de reduzir o número de desempregados com direito a receber o subsidio de desemprego o que, a verificar-se, agravará ainda mais as dificuldades em que já vivem centenas de milhares de famílias em Portugal (quando V). (in INE)

E depois:

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou 30% em Julho face ao mesmo mês do ano passado. São agora quase 497 mil. (in IEFP)

Só aqui são 20 mil de diferença. Quem tiver cabeça que pense.

Só para dizer mais isto: a taxa de desemprego quando Sócrates chegou ao governo era de 6,4%; agora é de 9,4%… é a crise internacional….

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2 Pedro Sousa 4 de Setembro de 2009 às 1:07

Caro F Santos,

Gosto, principalmente, da superioridade moral da frase “Quem tiver cabeça que pense”. Não só são os detentores da verdade, como são “os que pensam”. Água benta e presunção…

Se é ou não a crise internacional, acho que é fácil: o movimento que apontas aconteceu apenas em Portugal? SIM, então é resultado da politica do Governo; NÃO, então houve influencia internacional. Achar que Portugal podia ficar imune, é uma opinião.

Um país com um mercado tão pequeno e que depende tanto das exportações, não ter influência do que se passa no exterior seria ter fé…

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3 F Santos 4 de Setembro de 2009 às 10:36

Caro P Sousa

é jornalismo de sarjeta tudo o que saia na comunicação social e não diga amen às vossas políticas e estatísticas. Mas isso é a vossa opinião, respeito-a.

Não é superioridade moral nenhuma; é antes considerar chover no molhado andarmos sempre a falar do mesmo e a tentar arranjar uma nesga de oportunidade para justificar o injustificável. É tudo culpa ou do passado ou da crise. Do PS só boas políticas. Infantil essa atitude do teu partido.

Esta notícia indica o que todos, na generalidade, sabemos: há desempregados, quantos não sei, que não “existem” por não estarem recenseados nos centros de emprego. Se são 125 mil, não sei. Quem investigou e publicou a notícia terá uma base, concerteza, para publicar esse número. Certa ou errada, também não sei.

Mas como a notícia é contra as vossas pretensões, é jornalismo de sarjeta. Como o que era praticado na TVI e que foi agora silenciado, num episódio negro na nossa democracia. Aguardemos as explicações dos accionistas da PRISA.

Mas é incrível que um PM que tinha prometido criar 150 mil postos de trabalho, ou seja reduzir o desemprego em Portugal, o tenha, pelo contrário, aumentado em quase 200 mil.

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