ELEITORALISTA?

por Pedro Sousa em 15 de Fevereiro de 2009

em País

Não consigo perceber quem acusa José Sócrates de ser eleitoralista quanto traz o tema do casamento de pessoas do mesmo sexo para o debate. Eu acho uma medida de coragem (e também desnecessária, neste momento).

De coragem, porque acredito que será muito maior a perca de votos do que os ganhos com o facto de trazer o tema à ribalta.

A ver vamos…

{ 10 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 F Santos 15 de Fevereiro de 2009 às 16:59

Esse é o teu ponto de vista.
O meu é o seguinte:
“Pensa o PM: Ora bem, como andamos há 4 anos a fazer o que a direita se propunha e conseguimos conquistá-los, isso está resolvido.
Agora vamos lá olhar para a esquerda e propôr um tema fracturante como o casamento entre homossexuais (para os esquerdistas + radicais) e outro mais abrangente como o aumento dos apoios à classe média (para os ex-comunistas chamados socialistas).”

Adeptos do PS, tudo bem. Ingénuos, não pf. Estamos em campanha, vão começar os pregões de vendedor de peixe estragado. E começar as ilusões e mentiras.
Não deves ter visto o email que te mandei do Eng Sócrates a falar no parlamento quando ainda era líder… da oposição. É o clássico diz uma coisa e faz o oposto, ou, sendo mais tradicional, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Conforme as conveniências.

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2 Pedro Sousa 15 de Fevereiro de 2009 às 18:38

Caro F. Santos,

As eleições não se ganham com a esquerda ou com a direita. Ganham-se com o centro, e não sei se esse é grande adepto deste tema fracturante

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3 F Santos 16 de Fevereiro de 2009 às 3:45

Pois, certo.
Acho curioso que digas que não se ganham eleições com a esquerda ou com a direita. Se assim fosse, os partidos não faziam tanta questão de se afirmarem constantemente de uma outra corrente política. Diziam todos que eram centristas e estava tudo bem. Aliás, nas fundações de cada partido estão orientações ora mais à esquerda ora mais à direita e se houver desvio desses ideais deixa de fazer sentido haver tantos partidos.
O que queres dizer, se calhar, é que o PS não ganha só com os votos da esquerda nem o PSD só com os da direita. Têm de ir buscar votos ao outro “lado”. E aí estamos em sintonia. E aí também faz todo o sentido o que escrevi no coment anterior. Vão-se lançando uns temas que agradam a gregos e outros a troianos, e no fim pode ser que os votos obtidos venham de vários quadrantes.

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4 RJTS 16 de Fevereiro de 2009 às 12:15

Caro F Santos,

Concordo plenamente contigo, e acho que todas as pessoas que não são “doentes”, como se fiz na linguagem futebolistica, conseguem ver que é verdade…

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5 Pedro Sousa 16 de Fevereiro de 2009 às 16:47

Caro F. Santos,

Dizerem todos que eram centristas, colocar-los-ía em pé de igualdade. A distinção está nas “pontas” esquerda ou direita.

O risco é que os temas que agradam a gregos, desagradem a troianos e vice-versa.

Acredito, sinceramente, que este tema vai prejudicar o PS, daí não o veja eleitoralista. Não acredito que a questão desvie votos para o PSD, mas acredito que crie votos brancos ou aumento da abstenção.

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6 F Santos 17 de Fevereiro de 2009 às 3:36

O mais curioso (e já é hábito) é que esta proposta foi sugerida para debate pelo Bloco há uns meses atrás e chumbada pela maioria do PS. Na altura não era oportuno. Agora já é. Porquê? Se não é eleitoralista é o quê?

Só vejo um motivo para esta proposta. Continuo a dizer que este debate é sugerido agora pelo PS para mostrar a sua faceta de esquerda e tentar “sacar” votos ao Bloco e, eventualmente, ao PCP. Se resulta ou não, a ver vamos. Se achas que o PS vai sair prejudicado, então porque raio é que o vosso Secretário-Geral vem propor isto agora? Achas que quer prejudicar o resultado do PS nas eleições?

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7 Pedro Sousa 18 de Fevereiro de 2009 às 17:05

Caro F Santos,

Efectivamente acho que pode prejudicar, mais do que ajudar. Mas é uma percepção minha, eventualmente haverá quem tem visão diferente. Não podemos esquecer que em Outuro do ano passado, 53% dos portugueses eram CONTRA esta questão.

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8 RJTS 17 de Fevereiro de 2009 às 6:45

Como diz o F Santos e já ontem no Jornal de Noticias tivemos a oportunidade de ler o artigo do Mário Crespo que dizia:

“Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.”

Agora reparem na seguinte frase:
“Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos. ”

Sequiserem ler o resto do artigo podem ler aqui:
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

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9 Observador 18 de Fevereiro de 2009 às 11:33

“O mais curioso (e já é hábito) é que esta proposta foi sugerida para debate pelo Bloco há uns meses atrás e chumbada pela maioria do PS. Na altura não era oportuno. Agora já é. Porquê? Se não é eleitoralista é o quê? ”

Está tudo dito F Santos.
É claramente eleitoralista e considero estranho como um analista e opinion maker político como é o Pedro Sousa não o considere. Só mesmo a “cegueira” que falei nuns comentários atrás não o pode deixar ver isso.

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10 Pedro Sousa 18 de Fevereiro de 2009 às 17:02

Não há como negar o facto de em Outubro o PS ter recusado o tema e agora dizer que NA PRÓXIMA LEGISLATURA, portanto pode ser daqui a mais de um ano, vai retomar o tema.
Quando rejeitou a proposta do BE (e dos Verdes na altura) os deputados do PS explicaram porquê: a sociedade ainda não tinha feito esse debate (e agora vai ter tempo para o fazer, dado que Sócrates lançou o tema e temos 1 ou 2 anos para o discutir) e tal medida não fazia parte do programa de Governo, e agora provavelmente vai fazer. Bem ou mal, justificado.
Na altura o PS votou contra e o PSD também (excepto alguns deputados onde se integrava o André Almeida, que se absteve). Vamos ver qual a posição do PSD agora.
Mário Crespo esquece que não era oportuno aprovar a lei em Outubro e que agora ninguém está a aprovar uma lei. Está a colocar no eventual programa de Governo, o que é significativamente diferente.
Quanto a ser eleitoralista… não sei como é que um tema que, em Outubro, tinha a oposição de 53% dos portugueses pode ser considerado um trunfo eleitoral.

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