AS TAIS FORÇAS NEGRAS?

por Pedro Sousa em 9 de Fevereiro de 2009

em País

O último editorial do Expresso é uma leitura obrigatória.

Nesse editorial, o Expresso tente demonstrar que não tem qualquer objectivo em prejudicar José Sócrates. A meio desse editorial pode ler-se:

[...] além do material que publicamos, temos material que recusamos publicar por [entre outras razões] parecerem provenientes de pessoas cuja motivação poderia não ser o simples esclarecimento e informação, mas antes espalhar boatos ou meias-verdades.

Será injusto aferir daqui que, afinal, existem campanhas que se pretendem orquestrar? Não seria útil que o Expresso, tão lesto a quebrar o segredo de justiça, quebrasse o segredo das “fontes” e dissesse quem lhe anda a passar informação, interessado em espalhar boatos ou meias-verdade?

{ 4 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Observador 9 de Fevereiro de 2009 às 17:49

Decidi deixar-te este artigo de opinião, de um dos jornalistas mais credíveis da nossa praça, pois noto que gostas de muito de ler este tipo de artigos e até de públicá-los. Este merecia destaque no teu Blog, pensa na sugestão…

E já agora deixo a questão:

Terá este artigo destaque na opinião pública?

“Está bem…Façamos de conta”

“Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das “melhores posições no Mundo” para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o “Magalhães” é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que “quem se mete com o PS leva”. Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de “malhar na Direita” (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por “onde é que eu ia começar” a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a “falta de liberdade”. E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.”

Mário Crespo, in Jornal de Notícias (9 de Fevereiro de 2009).

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2 Pedro Sousa 9 de Fevereiro de 2009 às 19:45

Excelente artigo, no estilo do Mário Crespo que já aqui citei.

No entanto, em Fevereiro de 2008 o mesmo Mário Crespo escrevia:
“Claro que é engraçado este jornalismo de ASAE numa eterna busca de um Watergate com migas à moda da Guarda. É engraçado mas não tem piada. Por tudo isto começam a repugnar-me estes autos de fé ruidosos, deslocados no tempo, cruéis e sobretudo inconsequentes. A inconsequência advém de não haver ilegalidades. A ser uma questão de “carácter” perdida no tempo, só servirá para as eleições. Não é um bocadinho cedo para isso?”

http://jn.sapo.pt/2008/02/04/opiniao/watergate_migas.html

Não deixa, no entanto, de ser um artigo interessante.

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3 Observador 11 de Fevereiro de 2009 às 5:48

Se é para aqui começar a ir buscar citações para desvirtualizar outras, bastava fazer uma pesquisa ao arquivo deste blog para encontrarmos contradições. Só pus o artigo porque já sabia que ele nunca iria aqui ser publicado, mas aposto que se fosse um a defender o governo e as suas recentes manchas negras estava aqui logo passados poucos segundos, é a tal “coerência”.

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4 Pedro Sousa 11 de Fevereiro de 2009 às 16:17

Caro Observador,

Obviamente que, dificilmente, verás aqui publicado um artigo que tente denegrir este Governo. Eu não gosto, especialmente, de fazer harakiris… para falar mal será noutros blogs. A isso também se chama coerência.

O artigo que me reencaminhou, se eu não o quisesse no post, não aprovaria o comentário. Se o fiz é porque o artigo não me incomoda nada. Agora, não é pelo facto de ser escrito por quem é que o artigo passa a ser inatacável.

Diz que neste blog encontra contradições… talvez, mas por favor não me compare ao Mário Crespo, eu não mereço. Se eu tiver contradições, isso nada diz quanto ao Mário Crespo. Aliás, nem este artigo (ou o que eu cito) define o Mário Crespo… a carreira dele é que o faz.

Cada um lê e tira as suas conclusões…

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