Iniciativa e vontade = resultados

por Pedro Sousa em 21 de Março de 2010

em País

Tive a oportunidade de estar em Braga, no passado Sábado, na abertura do Fórum Novas Fronteiras, fórum onde o PS pretende ouvir de forma mais profunda os militantes e a sociedade civil.

Foram muitos os intervenientes e das mais diversas áreas, grande parte deles não ligados ao Partido Socialista.

Os intervenientes foram:

Fátima Lopes – Criadora de Moda – Empresária

Miguel Costa Gomes – Presidente da C. M Barcelos

Domingos Silva – Director da Ass de Invisuais de Braga

Gabriela Canavilhas – Ministra da Cultura

Mário Rui Silva – Executivo da Comissão Executiva do PO Norte

Francisco Assis – Líder parlamentar do PS

Tiago Neves – Especialista em Tecnologias Ambientais

Orlando Monteiro – Bastonário dos Dentistas

Maria do Carmo Leitão – Professora do 1º Ciclo da EB1 de Varzea de Abrulhais

José Manuel Mendonça – Director do INESC Porto

Fortunato Frederico – Presidente da Ass Port dos Industriais de Calçado

Carlos Oliveira – Gestor da Mobicomp

Raúl Oliveira – Gestor iPortalMais

António M Cunha – Reitor da Universidade do Minho

Jaime Gama – Presidente da Assembleia da República

José Sócrates – Secretário Geral do Partido Socialista

Devo dizer que a intervenção que mais prendeu a minha atenção (retirando a de Jaime Gama e a de José Sócrates) foi a de Maria do Carmo Leitão.

Esta professora com 53 anos, lecciona numa escola de Lamego, mais precisamente na EB1 de Várzea de Abrulhais. Esta escola recebeu um prémio mundial atribuido pela Microsoft pela utilização da tecnologia no ensino, considerando-a uma das escolas mais avançadas do mundo.

O que mais me impressionou no registo do discurso, foi a forma humilde que a professora várias vezes disse para todos os colegas aproveitarem a tecnologia que temos ao nosso dispor, nomeadamente os Magalhães que as crianças dispõem. O incentivo à iniciativa, mais do que ao conformismo.

Deu o seu próprio exemplo de que se “fez ao caminho” e aprendeu ao mesmo tempo que os alunos aprenderam.

Fantástico testemunho de uma professora que não se resignou e tirou partido de algo que, tal como a própria diz, é quase único no mundo: cada aluno um PC.

Mais detalhes desta história aqui

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1 Azevedo 22 de Março de 2010 às 12:51

O senhor que criou a MIcrosoft disse, um dia, a seguinte frase”.. sim os meus filhos terão computadores mas antes disso… livros! É uma bela frase para o secretário geral do PS reflectir.
Quanto às Novas Fronteitas, nesta altura, só serviram para o secretário geral do partido aliviar um pouco a metralha política a que tem estado sujeito…
Quanto ao Magalhães…sim, sem dúvida, o programa é o rosto claro de uma certa maneira de fazer e de estar na política: adjudicação por concurso directo de uns milhões dos CONTRIBUINTES!; propaganda e encenação contínua ( inclusivé com crianças contratadas para o efeito).
O que faltou fazer foi o que não rende em termos políticos: entrega dos computadores às crianças sem nenhuma preocupação com a sua manipulação e cuidado; formação zero aos professores para usar esta nova tecnologia… Resultado: a maior parte dos computadores foi destruída e nunca foi usada na sala de aula: é usada exclusivamente para jogar. Esta é a verdade!
Se queriam mesmo, muito mesmo, formar as crinaças no uso de uma ferramenta ( não confundir ferramentas com conhecimento…) deviam formar primeiro os professores e criar software didáctico para ser usado em contexto de sala de aula. Nada disto foi feito porque o que interessava era a ” panache” e não a substância.
Se queria, muito mesmo, formar as crianças em novas tecnologias equipavam as escolas com salas de computadores ( não dos minúsculos mas daqueles onde se conseguem ler textos…) e, com os milhões que desbarataram, (que jogaram ao lixo…) compravam quadros interactivos para tdas as escolas do 1º Ciclo. Feito isto ainda sobraria dinheiro e ainda haveria computadores a funcionar e alunos a prender… Mas verdade… os votos seriam menos!!!

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2 Pedro Sousa 23 de Março de 2010 às 22:48

Caro Azevedo,

Eu peguei num exemplo de uma professora que utilizou as ferramentas ao seus dispor para melhorar a interacção com os alunos, esforçar-se para aumentar a motivação e tendo, com isso, granjeado algum reconhecimento internacional do assunto. Até isso pretende menorizar… o esforço da professora é independente das conjecturas que rondam à volta dos Magalhães. A politica não entra na sala de aula e não entrou – e muito bem – na intervenção que ela fez no Fórum organizado pelo PS. Uma professora exemplo para todos.

Se os computadores são usados principalmente para jogar, isso deve-se única e exclusivamente por incompetência dos professores e dos pais. Eu tenho computadores em casa (e não, não são Magalhães) e quem diz ao meu filho o que é que ele faz com eles sou eu. Isso é que é ser pai. Deixa-los fazer o que lhes apetece é outra coisa qualquer.

Deviam formar os professores… ok, concedo nessa, ainda que não tenha dados sobre que formação foi dada. Mas tal como a professora (de 53 anos) que se habituou, se formou e começou a utilizar a tecnologia, todos os professores (todos passaram pela faculdade) poderiam fazê-lo. Não o fazem, na sua maioria, por comodismo ou para bater o pé.

Quadro interactivos já são muitos, mesmo muitos. Digo pelo que ouço e pela sala do meu filhote numa primária de Gaia.

O modelo é o ideal? Não. É um excelente modelo que pode permitir às crianças ter mais interesse pelas aulas, estarem mais motivadas e melhor preparadas? É. Internacionalmente reconhecido.

Além disso, ter computadores nada tem a ver com ler livros. Reitero… quem manda no que fazem as crianças são os pais. Portanto é a eles que cabe dividir o tempo dos filhos. Não fujamos às responsabilidades.

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3 joaquim toscano 22 de Março de 2010 às 22:19

Engraçado que numa entrevista recente o Carlos Fiolhais disse que do mais importante que fez na vida foi ser…Guardador de LIVROS:
A listagem acima enunciada tanto pode ser de um velório, de uma feira de vaidades ou de uma ida á discoteca, publicada naquelas revistas assim assim.
Novas Fronteiras- só se Olivença já é da banda de cá e
Valença da banda de lá.
Na próxima reincarnação quero ser melhor que o Magalhães e essa tropa fandanga toda e com todos os melhoramentos (UpGrades etc e tal e merdiúnculas que tais): Mais que biónico…
Aí é que vai ser desbundar á brava!!!

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4 Rui Castro 24 de Março de 2010 às 10:38

Não consigo compreender como é que um portátil apelidado de básico e limitado pode ser um problema para tantos e tantos professores. Não percebo como é que pessoas licenciadas têm de ter formação para tudo e mais alguma coisa. A maioria em casa usa o computador à anos, mas no trabalho nem pensar… Havendo vontade de ser original e criativo aproveitando que a escola oferece, até recorrendo a um colega mais iluminado numa pausa nas aulas se aprende facilmente a utilizar o magalhães ou um quadro interactivo.
Faz-me lembrar os professores primários licenciados à 5 anos atrás e que não são capazes de leccionar inglês do mais básico que há aos alunos de 6 anos… Mas a culpa não é deles, é do facilitismo dos cursos superiores, do facilitismo do ensino secundário e do total desinteresse de alguns pelo seu próprio desenvolvimento e cultura geral.

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5 Azevedo 27 de Março de 2010 às 6:56

Onde é que foi escrito, ou dito, que o portátil Magalhães é um problema para tantos professores? O maior problema em termos de material informático é , quase sempre, dos docentes mais velhos(esses sim com clara necessidade de formação).
Quanto ao ” facilitism0” da formação a maioria dos professores (sei que assim é…) são quadros altamente qualificados que não tiraram uma licenciatura numa U: privada ao domingo.
Já agora a crítica que se faz, e que o senhor nãoleu, ou não quis ler, não é ao uso de computador nas escolas mas ao processo e ao modo como tudo foi realizado!

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6 Azevedo 27 de Março de 2010 às 7:10

Já agora… parecce que seconfunde, em particular a nomenclatura do PS, Conhecimento com facilidade em manipular certas máquinas…
Se o problema do conhecimento fosse a destreza em usar máquinas tínhamos uma população estudantil altamente qualificada.
Esta dicotomia entre o velho/novo, o conflito de gerações, o uso de novas tecnologias, já é tratado pelos velhos gregos (Sófocles) em algumas obras … Já nesse tempo era glosado o equívoco entre o uso tecnológico e o conhecimento…
A continuar com algum deslumbre , como hoje se vê pelas máquinas, prevê-se uma geração futura ainda bem mais ignara que actual mas muito ágil a teclar… Restam os progenitores para salvar os filhos da ignorância da classe política!!!

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7 Pedro Sousa 28 de Março de 2010 às 3:19

Caro Azevedo,

O ensino parece-me ser uma realidade com constantes mutações. O ensino de hoje não é o mesmo do tempo dos meus pais e ainda bem. Não me parece que a geração actual seja menos competente que a anterior. Nunca o mundo evoluiu tanto no conhecimento, na tecnologia, no conforto. E o ensino tem de reflectir isso.

Ainda recentemente podemos ler que na Dinamarca 114 liceus estão a tentar uma nova metodologia nos testes, onde os alunos podem consultar a internet. O ministro dinamarquês da Educação, Bertel Haarder, disse que os “exames têm que reflectir a vida em sociedade”. “A Internet é indispensável, incluindo no exame. Tenho a certeza que em poucos anos a maioria dos países europeus estarão na mesma situação”.

O futuro demonstrará qual o caminho certo.

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8 joaquim toscano 27 de Março de 2010 às 17:39

E vão reparar, certamente, que crescem os dedos tecladores
e diminuem outras coisas (interpretação livre até ao infinito).

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9 inquieto 31 de Março de 2010 às 12:22

Meus caros,

é bom que a educação vá avançando…
mas espera-se que as pessoas também!

A tecnologia, no entanto ajuda-nos muito, muito mesmo.
Mas, em pouco nos ajuda a pensar.
Sobretudo numa faixa etária em que é preciso desenvolver competências de determinada natureza.

Mas a avaliar pela nossa ministra da educação, não será necessário ir à escola. Que fixe!
Também concordo que alguns não têem o mínimo cabimento nestes espaços, daí poderem ficar por outras pargens!
Depois as competências de outra natureza, como os relacionamentos, os tempos e os modos da lógica dos grupos e tudo mais…

Sou daqueles que gosta sempre de ver uma coisa nova! Mas depois o assunto muda-se … e é melhor ir com calma.

Em suma, com o plano tecnológico e alguns apêndices da mesma natureza, tout va biem!!

Tenho a certeza absoluta, e não sou só eu, senão desconfiava, que a educação é dos domínios que requer uma acção básica, simples, com pouca metralha e nunca em cima do joelho.
Atenção!, mas é contra tudo o que é meiguice e meninos mimados.

Afinal vivemos para ser felizes, muito felizes!!

Depois… bem, é o folhetim do custume.

um abraço
inquieto

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10 Jorge Amorim 9 de Abril de 2010 às 10:47

O texto apresentado pelo Pedro Sousa é interessante mas marcadamente tem um cunho politico, de uma cor. Mas não deixa de ser interessante e de valorizar. Muita coisa foi feita, deve ser feita mas também muita coisa deve ser revista, isto é, não se pode fazer um trabalho/evento a falar de coisas (eventualmente boas) e sem fazer um balanço sério das coisa que não estiveram bem ou tentar encobri-las, encapota-las).
Os assuntos referidos pelo “Azevedo” são reais, polémicos e pertinentes mas efectivamente a resposta do Pedro é adequada pois não era isso que se estava a discutir. Mas não podem nem devem ser esquecidos. E muita tinta correu e vai correr sobre estes assuntos.

A questão fundamental, também foi referida, não só pela utilização adequada dos meios técnicos disponibilizados (daquela “calculadora gráfica” que chamam Magalhães) com o acesso à Internet e os negócios/obrigações que esses sim, são discutíveis e nos custam imenso dinheiro e, sobretudo pela falta de adaptação dos professores/educadores à real utilização e capacidade de explorar as potencialidades do ensino sustentado nestas TIC. É por aí que são poucos os bons exemplos, e o projecto (sem aferir se foi um fracasso ou não) podia ter tido um impacto muito mais positivo.
A minha avaliação superficial, é que o projecto foi/é interessante, com potencial mas muito mal aproveitado e os professores (eventualmente foram estes) que não foram capazes de se adaptar e perceber que teriam de deixar de lado antiquados (mas mais uma vez, eventualmente melhores) métodos de ensino. A transição deveria ter sido bem estudada, orientada e homogénea em todo o país, e ficaria para discussão tão só e apenas os assuntos que o Azevedo levantou (e bem) pois foi uma vergonha.
O resto, são resistências à mudança e à evolução.
Dou muita formação na área tecnológica e uso pouco as tecnologias actuais de vídeo-projecção por exemplo. Por vezes apenas uma imagem e faço dissertações orais sobre os assuntos e dou pouca comunicação por escrito, para captar a atenção. Ontem mesmo dei teste aos meus alunos (na U.A.). Notoriamente vi que quem tinha estado atento à aula “oral” teve melhor desempenho do que aqueles que apenas se limitaram a apoiar-se nas TIC. Azar o deles pois não integraram que o ensino é sempre uma questão de compromisso entre todos as fontes de informação: tecnológica, escrita e participação activa no ensino directo.

Jorge Amorim

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11 Pedro Sousa 9 de Abril de 2010 às 20:03

Caro Jorge Amorim,

Touché!! Exactamento o que penso. O método de ensino não é um, é uma mistura. Deve ter uma matriz de orientação forte, mas suficientemente flexivel para poder tirar partido de tudo o que nos permite manter os alunos mais interessados, mais atentos e com melhor apreensão e compreensão.

A utilização do Magalhães apenas não é maior porque o Estado não conseguiu cumprir o objectivos da quantidade que pretendia distribuir e porque os professores, principalmente por “perrice”, decidiram que não pretendiam dar-se ao trabalho de explorar de que forma tirar partido daquela ferramenta.

Dizer que colocar tecnologia nas mãos dos jovens é mau, não consigo conceber. Agora, obviamente, não basta coloca-la nas mãos deles. É preciso restringir e orientar o seu uso. Aliás, tal como qualquer PC que temos em casa.

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