O que eu gostava de ter escrito X

por Pedro Sousa em 28 de Fevereiro de 2008

em Estado de Espírito,País

Rebobinemos este filme. Por que protestam os professores? Porque uma ministra decidiu que era tempo de impor a Escola a Tempo Inteiro, acabando com as tardes ou as manhãs livres? Porque uma ministra decidiu que era tempo de impor as aulas de substituição, combatendo o vergonhoso absentismo que se vivia nas nossas escolas? Porque uma ministra decidiu que era tempo de avaliar a prestação dos professores em vez de deixar prolongar a irresponsabilidade?

Tenho o máximo respeito pela profissão de professor. Mas só tenho o máximo respeito por uma parcela pequena dos nossos professores. Infelizmente, muitos deles não são mais do que verbo de encher. O desânimo e a incompetência que se vive nas escolas não são responsabilidade desta ministra. A “besta negra” dos professores é, provavelmente, os próprios professores.

texto integral no JN

{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Joana 2 de Março de 2008 às 17:54

Tem toda a razão.
Os professores tiveram durante anos privilégios que vão muito além das regalias de outros funcionários públicos. A maioria deles pouco se dedica, morre se tiver que trabalhar mais, e faltam, ou melhor, faltavam.
Sou professor (mas universitária) e mãe. Nas universidades, quando um professor está doente, os outros substituem-no, sem ganhar mais nada por isso. Nas universidades damos aulas extraordinárias para terminar as matérias. Nas outras escolas não há qualquer repsonsabilidade do professor em relação ao sucesso dos seus alunos.
Dou os meus parabéns a esta ministra!
Joana

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2 J.P.M. 3 de Março de 2008 às 12:20

Por ser infame que se julgue que os professores simplesmente não querem
ser avaliados (haverá desses!), são meramente uma classe privilegiada e
manipuladora, em mero queixume público, a furtar-se às suas obrigações
sociais e profissionais, entenda-se o descalabro que poderá suceder na
Educação…

Artigo de um especialista na matéria:

Vou contar pela primeira vez um episódio que esteve na génese do
processo de avaliação de desempenho dos professores. O secretário de
estado, Valter Lemos, que eu conheço desde os tempos em que estudámos
juntos na Boston University, já lá vão 24 anos, pediu-me para reunir
com ele com o objectivo de o aconselhar nesta matéria. Tenho de
confessar que fiquei admirado com o conhecimento profundo e rigoroso
que Valter Lemos mostrou ter da estrutura e da organização do sistema
educativo português. Enquanto estudante, habituara-me a ver em Valter
Lemos um aluno brilhante e extremamente trabalhador, qualidades que
mantém passados tantos anos.
No início, fui um entusiasta da avaliação de desempenho dos professores
pois considerava que manter o status quo era injusto para os
professores mais dedicados e competentes. Nessa altura, eu encarava a
avaliação dos professores como um factor de diferenciação que pudesse
premiar os melhores e incentivar os menos competentes a melhorarem o
seu desempenho. Fiz algumas reuniões de trabalho com a equipa técnica
do ME e logo me apercebi de que a Ministra da Educação estava a
engendrar um processo altamente burocrático, subjectivo, injusto e
complexo de avaliação do desempenho que tinha como principal objectivo
domesticar a classe e forçar a estagnação profissional de dois terços
dos docentes. Ao fim de duas reuniões, abandonei o grupo de trabalho
porque antecipava o desastre que estava a ser criado.

Nas reuniões que eu tive com a equipa técnica do ME, defendi a criação
de fichas simples, com itens objectivos, sem a obrigatoriedade da
assistência a aulas, a não ser para os casos de professores com risco
de terem um Irregular ou um Regular (numa perspectiva formativa para
melhorar a qualificação ou, havendo razão, proceder à sua exclusão), e
com um espaçamento de três anos entre cada avaliação. Hoje, passados
três anos, considero que se perdeu uma oportunidade de ouro para criar
uma avaliação de desempemho dos professores realmente objectiva, justa,
simples e equilibrada.Em vez disso, criou-se um monstro que vai
consumir milhões de horas de trabalho e de recursos nas escolas e
infernizar a vida de muitos professores, roubando-lhes a motivação e a
energia para a relação pedagógica e a preparação das aulas.

Ramiro Marques
http://www.ramiromarques.blogspot.com/

Compreende-se que seja necessário reduzir drasticamente o acesso ao
topo da carreira e que se explique, assuma correcta e devidamente esse
problema perante os visados e a população. O que é dramático e absurdo
é criar mecanismos que estoirem ingloriamente com os profissionais.

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3 Um qualquer 11 de Março de 2008 às 12:05

Muitos dos que atiram frases para o ar, deviam apenas falar do que sabem e não do que também apenas ouvem aqui e/ou acolá… E então é vê-los em conversas de cafés com discussões quase heróicas e da mesma tipologia das dos treinadores de bancada.
É claro que os professores gozaram de privilégios e que muitos deles foram bem anulados ou limitados na sua possibilidade de fruição, mas tenho a sensação de que quase todos os que se movem contra as causas dos professores não fazem a mais pequena ideia daquilo que realmente se trata e falam apenas porque todos falam. É muito ruído!
Agora, como é que se pode ter a distinta LATA para dizer que “a maioria dos professores morre se tiver de trabalhar mais” e que por ventura será por isso que se manifesta, porque agora os obrigam a trabalhar? Isto é única e exclusivamente de quem lê os jornais e vê os telejornais embebedando-se de guerras e jogadas típicas das formas de fazer comunicação ou não comunicação.
É também uma enorme falácia dar a entender que os professores universitários são cidadãos exemplares no trabalho e no método. Bom, só acredita nisso quem nunca foi aluno universitário. Quem é que nunca fez um trabalho de investigação que foi pontuado no dia a seguir, juntamente com mais uns cem e que provavelmente nunca fora lido? E já agora, quem é que acredita que um professor universitário é responsabilizado se chumbar metade dos seus alunos a uma determinada cadeira como vem subentendido pela “Joana”?
Bom a “Joana” diz-se mãe também, mas será que nenhum professor tem filhos na escola? Então os professores deviam ter a consciência que entregam os seus filhos a gente que morre para não fazer nada! Faz-me confusão.
E como é que se pode comparar um ensino que é Universitário e direccionado para os adultos com o Básico e Secundário…? Sinceramente, fico-me por aqui.

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