O POTE ESTÁ EM BOAS MÃOS

por Pedro Sousa em 15 de Agosto de 2011

em País

“De cada vez que os anteriores governos fecharam escolas do 1.º ciclo, vieram pais, professores, sindicalistas e autarcas para a rua reclamar o seu direito de ter uma palavra a dizer sobre o futuro das suas crianças. Desta vez, que o ministro da Educação e Ciência Nuno Crato decidiu encerar 297 escolas foram poucos os que refilaram.
A Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) já anunciou que “concorda” com a reorganização da rede escolar; a Confederação Nacional das Associações de Pais “compreende” a necessidade e encerrar os estabelecimentos de ensino perante o decréscimo do número de alunos. E até a Federação Nacional de Educação está convencida de que a decisão “tinha de acontecer”.

Toda agente se riu das cambalhotas cavaquistas na defesa dos impostos lançados por este governo, quando ainda há poucos meses o Presidente da República afirmava haver limites para os sacrifícios dos portugueses. E que dizer da sua quixotesca luta contra as agências de rating, cujo trabalho admirava até recentemente?
Nos tempos que correm o que mais se vê são cambalhotas que ajudam a compreender as verdadeiras intenções dos que atiçavam os diversos sectores da sociedade contra os governos de José Sócrates. É hoje claro que essa luta sem quartel foi desencadeada pelas corporações, na generalidade alinhadas à direita, que controlam o país de facto, e nunca, como nos governos de José Sócrates, sentiram o seu poder tão ameaçado.
Não é pois de estranhar que a Associação Nacional dos Municípios Portugueses – a corporação dos autarcas – ou as corporações da educação, que tocavam a rebate de cada vez que os governos anteriores fechavam uma escola com meia dúzia de alunos, agora não tujam nem mujam quando o governo do PSD/CDS manda encerrar ainda mais escolas do que o governo de José Sócrates previa.
Para quê reclamar, se o pote está em boas mãos?…

José Ferreira Marques

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