“De cada vez que os anteriores governos fecharam escolas do 1.º ciclo, vieram pais, professores, sindicalistas e autarcas para a rua reclamar o seu direito de ter uma palavra a dizer sobre o futuro das suas crianças. Desta vez, que o ministro da Educação e Ciência Nuno Crato decidiu encerar 297 escolas foram poucos os que refilaram.
A Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) já anunciou que “concorda” com a reorganização da rede escolar; a Confederação Nacional das Associações de Pais “compreende” a necessidade e encerrar os estabelecimentos de ensino perante o decréscimo do número de alunos. E até a Federação Nacional de Educação está convencida de que a decisão “tinha de acontecer”.Toda agente se riu das cambalhotas cavaquistas na defesa dos impostos lançados por este governo, quando ainda há poucos meses o Presidente da República afirmava haver limites para os sacrifícios dos portugueses. E que dizer da sua quixotesca luta contra as agências de rating, cujo trabalho admirava até recentemente?
Nos tempos que correm o que mais se vê são cambalhotas que ajudam a compreender as verdadeiras intenções dos que atiçavam os diversos sectores da sociedade contra os governos de José Sócrates. É hoje claro que essa luta sem quartel foi desencadeada pelas corporações, na generalidade alinhadas à direita, que controlam o país de facto, e nunca, como nos governos de José Sócrates, sentiram o seu poder tão ameaçado.
Não é pois de estranhar que a Associação Nacional dos Municípios Portugueses – a corporação dos autarcas – ou as corporações da educação, que tocavam a rebate de cada vez que os governos anteriores fechavam uma escola com meia dúzia de alunos, agora não tujam nem mujam quando o governo do PSD/CDS manda encerrar ainda mais escolas do que o governo de José Sócrates previa.
Para quê reclamar, se o pote está em boas mãos?…
José Ferreira Marques