O fecho das escolas

por Pedro Sousa em 4 de Julho de 2010

em País

Este tema é terreno fértil para todas as demagogias e não é um tema fácil de debater. São muitos os envolvidos e muitos os impactos.

No entanto, na minha óptica tudo se resume, numa fase inicial, a centrar a questão. Para quem existe a escola? Em primeiro para os alunos.

E sendo assim, todas as decisões que tendem para melhorar as condições físicas e de aprendizagem são importantes, sendo que é nesse capitulo que se insere o encerramento de escolas com poucos alunos. Estamos a falar de menos de 5 alunos por ano.

E nesta primeira análise, parece-me, mesmo enquanto pai, que uma criança não deve estar numa escola sem alunos e, em consequência também, sem as melhores condições pedagógicas.

Obviamente, este é um drama para o interior e localidades menores. No entanto, a existência da escola não tem travado a desertificação, pelo que o seu encerramento não deverá, nesse capítulo, ter grande impacto.

Antes das escolas, há que criar empregos e condições para as pessoas poderem comprar casas a preços acessíveis. Há que conquistar as pessoas para que elas vejam a vantagem da qualidade de vida nesses locais. Se as pessoas verificarem essas condições, não se importarão de andar 6 ou 10 Km (apx o que eu faço) para deixar os filhos na escola.

{ 21 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 João Pedro Martins 5 de Julho de 2010 às 1:53

Fecha uma escola, morre uma aldeia.
Antes aldeias a caminho da extinção, hoje aldeias maiores, cuja desertificação se acentua com o encerramento das escolas…

Por agora vão sendo aldeias, perdidas e esquecidas… o futuro vai fazer com que tudo se concentre em “favelas” circundantes aos grandes centros urbanos.

Ir ao encontro destas políticas é o mesmo que levar ao fecho de pequenas vilas………..

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2 F Santos 5 de Julho de 2010 às 9:27

Se tem 20, fecha!
Se tem, 21 continua aberta…

Que grande critério, em termos de condições “físicas e pedagógicas”!

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3 Pedro Sousa 5 de Julho de 2010 às 23:07

Caro F Santos,

É sempre preciso uma medida, meu caro. Por exemplo, a maioridade é aos 18, aos 17 não.
Neste caso a escolha dos 20 presumo terá uma lógica subjacente que serve de guia. Depois há que analisar ao detalhe.
Mas percebo a intenção de olhar para o acessório…

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4 joaquim toscano 5 de Julho de 2010 às 23:34

“No entanto, na minha óptica tudo se resume, numa fase inicial, a centrar a questão. Para quem existe a escola? Em primeiro para os alunos.”
A Escola é de todos
Dois, Três, Quatro…depende…de muita coisa
O JC Começou com 12 alunos, discípulos, depois Apóstolos
e que eu saiba nem Biblioteca tinham…
Engano puro e ledo…
Está claro para ti, para mim…NÃO.

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5 INQUIETO 7 de Julho de 2010 às 8:55

ora vivam!

é, mais uma vez este tema.

Pelos melhores meios para os meus filhos, ok estou sempre de acordo.

Mas pergunto; quem está a tomar as decisões está conhecedor desta realidade?
É o ministério que sabe que, aquilo que faz está certo?
Ficava imensamente descansado se admitisse que tudo estava devidamente acautelado.

É que a minha experiência com escolas grandes, pequenas e outras, já me diz qualquer coisa. Sobre a vida de cada uma delas também já vi coisas.

Não sou adepto de discussões infinitas que não levam a lado nenhum.

Mas o caminho do que se tem anunciado vai todo no mesmo sentido.

E isto, Pedro, é claro e não é acessório!
Um exemplo: O concelho de Arouca tem 2 agupamentos. Até aqui, um dos problemas era a dispesão de escolas.

Com um agrupamento está o problema resolvido!
Não é má vontade! Mas custa um bocadito admitir certas coisas. Pelo menos para pessoas medianamente sensatas.
Tudo isto é parecido com as regras que estabeleceram os pólos escolares em Arouca. Quem as fez não as explica. Sim pq não fazem sentido.

mas enfim…

continuando rumo ao futuro.

um abraço
inquieto

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6 Pedro Sousa 7 de Julho de 2010 às 23:11

Caro inquieto,

É sempre com prazer que leio os seus comentários ponderados, ainda que acutilantes.

Eu também acho que não podem haver discussões sem fim. Nunca se agradarão a gregos e troianos e, se isso acontecesse por hipótese, não agradaríamos a espartanos. Portanto, alguém tem de tomar uma decisão, e como se diz muitas vezes na gestão “Mais vale uma má decisão, que decisão nenhuma.”

Acredito que o Ministério toma a decisão que considera melhor, mas essa nunca será unânime até porque não sei se alguma vez será possível uma decisão da área da educação agradar a alunos, pais, professores e autarcas. será quase a quadratura do circulo.

Quanto às decisões em Arouca, poderá ler a Carta Educativa que se encontra disponível do site da Câmara Municipal, nomeadamente o capítulo XII. O documento esteve em discussão muito tempo. Obviamente, o próprio documento prevê a possibilidade da sua revisão o que até fará sentido neste momento, pelas contingências financeiras a que se assiste.

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7 Azevedo 7 de Julho de 2010 às 23:54

Querem fazer dos outros idiotas!!! Quantas vezes foi a Câmara Municipal avisada de que a carta educativa não era exequível por questões financeiras??? Não há mesmo vergonha!
Já agora aguarda-se com particular expectativa a posição Câmara de Arouca face à ideia de fusão entre agrupamentos: mais de três mil alunos ” comandados” por um director !!!
Espero que o povo de Arouca, em particular os encarregados de educação, não deixem que uma idiotice desta monta se concretize… A democracia não acaba num papel dobrado numa urna. Haja decoro!!!

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8 F Santos 8 de Julho de 2010 às 8:48

“Neste caso a escolha dos 20 presumo terá uma lógica subjacente que serve de guia. Depois há que analisar ao detalhe”

Qual detalhe? Qual guia? A política é: tem 20 alunos, fecha; tem 21, mantém-se aberta! Este é o guia.

Se uma escola com 20 alunos tiver uma média de aproveitamento excelente, não interessa: como só tem 20 alunos, mesmo sendo todos muito bons, fecha.

É menos um ordenado de professor, menos uma conta de água, luz, manutenção de edifício, menos um investimento em melhoria de condições pedagógicas, etc.

Se escrevesses aqui que o governo PS encerra escolas com o objectivo primeiro de reduzir custos e controlar despesas, eu nem comentava; agora arranjarem-se desculpas… quero ver quantos miúdos restarão em Alvarenga ou Albergaria dentro de 10 anos. Se é que lá resta algum, actualmente.

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9 Pedro Sousa 10 de Julho de 2010 às 1:44

Caro F Santos,

é óbvio que tem de se ter um critério qualquer… ou então teremos o quê? Escolas de 2 alunos? Isso é uma barbaridade. Não há pedagogia que aguente nem professor que esteja motivado com 2 ou 3 alunos.

Vejamos a média de alunos POR TURMA na OCDE- 21,4. Em Portugal, 19,5. Repito, POR TURMA. Aqui estamos a debater por escola. Não me parece que, isso por si só, seja mau.

E sim, a media também é economicista. Juntam-se as duas vertentes neste caso. Não me choca, porque o regabofe tem de acabar. E uma escola tem de dar as mínimas garantias a alunos e professores, não pode existir por capricho.

Sobre os alunos em Alvarenga ou Albergaria… tal como tu dizes já hoje existem falta de miudos, portanto o facto de lá existirem escolas em nada contribuiu para o aumento da natalidade. O que fixa populações é bem mais do que meramente a escola, porque se os pais tiverem bons acessos, possibilidade de emprego e bem estar, não terão problemas em deslocar-se para levar os filhos. Eu cá também faço 11 Km todos os dias e não acho nada de mais…

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10 Pedro Sousa 11 de Julho de 2010 às 22:54

Caro F Santos ainda falta acrescentar uma coisa… relativamente a Alvarenga está previsto para lá um pólo escolar. Melhores condições para tudo. Agora é que a natalidade vai disparar…

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11 INQUIETO 8 de Julho de 2010 às 19:22

meus caros amigos,

daqui por 10 anos, se as coisas se mantiverem com este perfil, vamos ter muitos auditores a recomendar e a constaterem aquilo que aqui levantámos hoje. Mas hoje não é moda. Pronto!

Se conjugarmos o desepero da pequena indústria mal remunerada e mal preparada, que os consultores dendendem que deve acabar, com os movimentos que se adivinham no parque e sistema escolar, e com a escolaridade típica de 70% do território nacional, temos um horizonte a 10/15 anos, que me parece de não qualificar!

Oxalá estejamos todos enganados!

um abraço
inquieto

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12 Azevedo 11 de Julho de 2010 às 0:44

Já expliquei, mas parece que de pouco valeu, que a estatísticas apresentadas pela OCDE são fornecidas pelo ME. O ratio de aluno/ professor contam também aqueles milhares de docentes que não têm componente lectiva e passam a vida a polir cadeiras em Direccções Regionais e outros lugares de natureza política.Basta ir às escolas para perceber que essa história dos 20 alunos é mais uma das estatísticas para papalvos.

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13 Pedro Sousa 11 de Julho de 2010 às 22:52

Caro Azevedo,

O tom paternalista do comentário (na sua fase inicial) não fica muito bem. Mas veja que eu não estou a falar de rácios alunos/professores, mas sim de dimensão média de turmas. Portanto, não percebi porque decidiu ir buscar esse tema aqui neste post. Enfim…

O fim do comentário não percebi… ir às escolas? A todas? Para opinar temos de ir às escolas todas? Tal como o Azevedo fez, presumo. A gestão não se faz caso a caso. Isso não é exequível. Faz-me olhando para o bolo e decidindo em função desse bolo, deixando espaço para tratar aquilo que necessite de ser tratado excepcionalmente. É duro, eventualmente. mas é e deve ser assim.

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14 Azevedo 11 de Julho de 2010 às 0:53

Já agora que regabofe é que tem de acabar???? Aquele que forma engenheiros ao fim-de semana? Aquele que coloca ex.ministros das obras públicas em empresas privadas, que tiveram negócios directos com esse mesmo ministério? O regabofe de Presidentes da Câmara comprarem carros de alta cilindrada sem ninguém tugir nem mugir e ainda baterem palminhas???Aquele regabofe que deu biliões para o medíocre empresariado privado português para modernizarem as empresas e , em vez disso, e concubinatado com uma classe política , foi gasto em Ferraris e Mercedes!!!

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15 Pedro Sousa 11 de Julho de 2010 às 22:55

Caro Azevedo,

Sim, esses regabofes também têm de acabar.

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16 F Santos 11 de Julho de 2010 às 22:46

Caro Pedro

O teu “ódio” à classe docente não sei de onde vem mas é por demais evidente, desde há muito. E o tom que vais usando e a frequência com que chamas o assunto ao teu blog começa a dar a entender que tens alguma espinha entalada por causa da anterior ministra. Digo eu.

Mas, fazendo minhas as palavras do caro Azevedo, de que regabofe falas tu?

O teu governo, que tem sido tão fértil em regabofes, palhaçadas e trapalhadas, leva sempre com o teu amén;
Depois afianças “Sobre os alunos em Alvarenga ou Albergaria… tal como tu dizes já hoje existem falta de miudos, portanto o facto de lá existirem escolas em nada contribuiu para o aumento da natalidade”
Pois, é com encerrar escolas, maternidades, postos de CTT e vias de comunicação vergonhosas que se aumenta a natalidade e combate a desertificação. À PS, não esperava que defendesses outra coisa.

Queres com isto dizer que a encerrar escolas em Arouca, se fechasse o centro de saúde e os correios, por exemplo, a natalidade continuava baixa, certo?
Agora percebo porque NOS MENTIRAM com a variante:como a natalidade vai continuar baixA, vai fechar tudo, LOGO já não é precisa.
Estes socilaistas vão dar cabo de nós.

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17 Pedro Sousa 11 de Julho de 2010 às 23:02

Caro F Santos,

Não tenho qualquer ódio por classe nenhuma. Mas mais do que a classe o que interessa é a função. Pela função de Professor tenho um enorme respeito, porventura mais que alguns professores que, conhecendo nas suas escolas casos de maus profissionais continuam a achar que estes não devem ser avaliados e/ou despedidos.
O respeito que eu tenho pela função de professor e por muitos Professores é que me leva a insistir na necessidade de reorganizar a classe. Essas e outras… a de professor é que tem aparecido mais na imprensa.

Não me parece que a falta de escola (onde ela falta) seja, per si, razão para a desertificação. Até porque continuam as escolas a estar próximas, salvo raras excepções. As razões para isso são bem mais profundas…. alimentar escolas de 5 alunos não era forma de resolver o tema.

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18 Azevedo 13 de Julho de 2010 às 1:59

Falando de escolas, e de outro ragabofe, o que era importante saber é qual será a posição da Câmara Municipal de Arouca, e da maioria socialista na Assembleia Municipal, face à previsível tentativa de fundir os agrupamentos actuais num mega-agrupamento…
Será que irão defender os legítimos interesses dos cidadãos que os elegeram ou as directivas do PS nacional?

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19 Pedro Sousa 13 de Julho de 2010 às 13:18

Caro Azevedo,

Esse é um tema muito importante. Ainda não conheço o que estará proposto pelo que não posso opinar. Quanto à Câmara Municipal julgo que ainda não é conhecida qualquer tomada de posição pública. A isso devia também juntar-se uma rápida tomada de posição do Conselho Municipal de Educação.
De qualquer forma, a título pessoal, devo dizer que ainda não tenho nenhuma posição sobre o tema especifico de Arouca, mas não tenho reservas mentais ao debate de concentração para melhor gestão, se tal se vier a verificar. Arouca deverá ter apx 2000 crianças nas escolas e 40 estabelecimentos de ensino (contas de merceeiro), o que, desde que devidamente suportado em órgãos bem definidos e com as competências certas, pode ser perfeitamente gerível.
No entanto. a distância entre as escolas e o eventual centro do agrupamento, nomeadamente naquilo que é o contacto da comunidade com os órgãos dirigentes das escolas (apesar de andarmos sempre a dizer que os pais não querem saber) é algo importante a ter em conta. Por exemplo, que tipo de coisas levarão à necessidade de um aluno e/ou pai de Alvarenga de vir à “sede” do agrupamento? Terão as escolas autonomia? De que tipo? São ainda muitas as questões.
Ainda falta muita informação para formar uma opinião sustentada, mas digo-lhe já que o debate sobre o tema não me levanta reservas.

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20 Azevedo 13 de Julho de 2010 às 23:11

Nem contra, nem bem a favor, antes diponível para a discussão…

Nas minhas contas, e garanto que as minhas estão mais certas, a coisa andará perto dos 4500 alunos! Coisa pouca e facilmente geráivel se, no lugarzinho de director, houver um carneiro que não tresmalhe da manada!

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21 Pedro Sousa 14 de Julho de 2010 às 1:40

Caro Azevedo,

Não posso ser contra ou a favor de algo que desconheço. Não percebo o espanto.
Existem universidades com diversos pólos e milhares de alunos que são geridas por 1 reitor. Obviamente, com diversos órgãos de apoio. Portanto, o modelo – em teoria – pode funcionar. Mas para já desconheço.

Quanto à população estudantil em Arouca, de acordo com a carta educativa, eram 3820.

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