AS CLASSES A OLHAR PARA O UMBIGO

por Pedro Sousa em 24 de Setembro de 2009

em País

Está em greve por aumento salariais uma classe que ganha em média 8.500€ numa empresa quase falida.
(*suspiro* por não poder escrever o que me vai na mente)

{ 6 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Sérgio Gomes 24 de Setembro de 2009 às 9:56

A sua teimosia nesta materia é impressionante. Começo a acreditar que é dor de cotovelo…. Sabe que esses fantasticos salarios estão ao dispôr de qualquer um, pois pode tirar a licença JAA de piloto comercial até aos 45 anos. Em Portugal essa mesma licença có custa 65.000€ e 2 anos da sua vida, somamdo ainda todos os custos associados ao facto de nesses 2 anos ter de se dedicar a 100% ao curso.
O melhor ainda é que essa dita classe que ganha esses fantasticos salários, quando tem de mudar, de por exemplo um A320 para um A330, tem de pagar aproximadamente 7500€ a 10000€ para aprender a voar nessa maquina… inteiramente suportado pelos próprios…
E depois há esse número fantastico de 8500€ que não consigo perceber onde foi buscar, mas posso-lhe assegurar que na TAP, e só na TAP esse valor está longe do salário médio.
Em Portugal a TAP é a pior pagadora, sendo que no máximo o salário médio se aproxima dos 6000€. Isto em contraste por exemplo da Ryanair que se aproxima dos 10.000€. Ryanair uma companhia lowcost com resultados positivos… muito positivos e salários elevados.
Ponha-se então a questão em relação a TAP. O problema será dos pilotos ou da péssima gestão? E o proteccionismo socialista deste mesmo buraco, não será igualmente culpado?

Pense um bocadinho antes de falar, porque até lhe ficam mal as considerações que faz sobre uma classe profissional exemplar.

Responder

2 Pedro Sousa 24 de Setembro de 2009 às 23:19

Caro Sérgio Gomes,

Não tenho problemas em admitir que sim, tenho dor de cotovelo de quem recebe um salário tão elevado. Mas não porque ache que eles não o merecem… mas sim porque gostava de ter o estilo de vida que isso permite.

Mas o meu post não é sobre o que eles ganham. É a falta de vergonha quando, ganhando o que ganham, numa empresa perto da falência (que só sobrevive porque os contribuintes lá metem dinheiro) reivindiquem aumentos que, em média, representam um aumento de 1.000€ mês.

Se ler os jornais económicos que falam sobre o tema, verá que este aumento representa um agravamento nos custos de mais de 11 MILHÕES de euros, numa empresa que apresentou no 1º semestre deste ano resultados negativos superiores a 72 milhões de euros. Pedir um aumento destes é enterrar a empresa… Aliás, veio mesmo um grupo de trabalhadores da TAP acusar os pilotos disso mesmo, como poderá ler no DN a 22 do corrente. Esses trabalhadores pedem para “[que se] ponha «um travão na ambição desmedida» daquela classe «insaciável».”

Mas há mais… de acordo com o Correio da Manhã, os pilotos que se reformaram em 2007, receberam uma jubilação de 160 mil euros. Algo com que a TAP já acabou (e bem) mas que ainda será aplicado a 300 dos actuais 800 pilotos da TAP.

Quanto ao salário médio, a informação retirei-a da imprensa… só tem de pesquisar. Em média são 19 salários mínimos. E, se não me engano (mas não garanto) ainda recebem ajudas de custo nas permanências fora.

De qualquer forma, esta informação é apenas para enquadrar a questão. E não me interessa quanto ganham pilotos noutras companhias, pois se elas derem lucro, podem pagar. A TAP não pode… está em grandes dificuldades.

Se o problema é da gestão, os pilotos e os outros trabalhadores que façam greves para mudar a gestão. Para já a greve é só a olhar para umbigo e a ignorar a situação da empresa. Já para não falar na crise que assola o mundo.

Como vê, eu tento sempre ler e preparar-me antes de “falar”.

Responder

3 Rui Castro 24 de Setembro de 2009 às 14:21

Tenho um colega de curso que estudou 19 anos para ter o curso que tem. 12 no ensino geral + 5 de licenciatura + 2 de mestrado. O preço em que tudo isso ficou… é perguntar aos pais. Foi inclusive convidado para dar aulas na faculdade, mas só como bolseiro porque não há vagas para efectivos. Hoje, 4 anos depois, está a terminar um projecto na faculdade, vai para o desemprego sem que tenha direito a subsídio. Nunca ganhou mais de 800€/mês de bolsa, não sabe o que é ter assistência à doença, direito a baixa médica, subsídio de refeição, férias ou Natal, etc… quer casar e comprar casa e nenhum banco lhe empresta dinheiro.
O meu colega, tal como muitos outros, não teve muita sorte ou não tomou as decisões correctas algures no percurso. A questão que se coloca aqui não é se os pilotes têm ou não razão, é uma questão de relativizar.
Todos nós gostaríamos de ganhar mais. Eu próprio gostava de ganhar mais, mas sei que depende de mim conseguir isso. Não depende do meu patrão! Se eu acho que consigo melhor só tenho de fazer uma coisa, procurar melhor! Se conseguir é uma vitória minha. Se não conseguir é porque estava enganado e devo preservar o que tenho e dar o meu melhor.
Greves para subir ordenados acho algo descabidas tanto mais tratando-se de pessoas com formação e armas de negociação acima da média.
Greves para exigir direitos básicos e até o pagamento de salários em atraso, concordo plenamente e nem deveriam de ser necessárias porque o governo deveria de intervir imediatamente em favor dos trabalhadores.
Se uma empresa não dá dinheiro pois que feche! Por vezes é melhor assim.
Quanto ao custo das formações, acho estranho a empresa não pagar as formações aos pilotos. A ser verdade acho mal e julgo que seria uma razão bem mais lógica para convocar uma greve. Se é mal gerida o melhor é saltar fora enquanto é tempo.
O tempo acabará por dar razão a quem a tem…

Responder

4 Sérgio Gomes 24 de Setembro de 2009 às 14:46

Caro Rui… Não discordo de si no que disse.
Só tenho algusn apontamentos.

Relativamente a formação é igual em todas as companhias aéreas.

Relativamente a saltar fora, todos os pilotos têm essa oportunidade porque a procura de pilotos é enorme hoje em dia e há muito poucos pilotos. Cabe a cada um aí decidir… no entanto pelo que sei existe da parte dos pilotos da TAP muita consideração por voarem na companhia de bandeira.

Responder

5 Norberto Castro 24 de Setembro de 2009 às 18:40

“Pense um bocadinho antes de falar, porque até lhe ficam mal as considerações que faz sobre uma classe profissional exemplar.”

Para mim, todas as classes profissionais são exemplares.
Embora umas sejam mais que as outras…

Responder

6 A. J. Brandão de Pinho 24 de Setembro de 2009 às 19:22

Só hoje ficaram 172 aviões em terra. Confesso que já nem me importo com o que reivindicam… Agora, preocupa-me o prejuízo e dificuldades que essas pessoas, que até não devem viver assim tão mal, causam a terceiros que necessitam viajar, cumprir horários e compromissos, estar com a família, etc…
Classes assim bafejadas deveriam ter mais compreensão e mais solidariedade!

Responder

Anterior:

Seguinte: