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Do arquivo da categoria:
Com a devida vénia
Sejamos claros, a única forma de responder ao aumento do preço dos combustíveis está em poupá-los, só que, incrivelmente, isso não está a acontecer. Os preços dos combustíveis sobem, os preços dos produtos alimentares disparam, o desemprego aumenta e não se nota uma atitude colectiva no sentido de poupar um recurso escasso e cada vez mais caro.
Os automobilistas não resistem ao carro, os edifícios continuam burros numa perspectiva energética, as empresas pouca importância dão às poupanças energéticas não investindo em tecnologias mais evoluídas. Pouco ou nada se faz para poupar combustível ou para que este seja usado de uma forma mais eficaz. Comportamo-nos como nababos das arábias.
http://jumento.blogspot.com/2008/05/gasolina-est-cara.html#links
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(ii) ainda bem que aqueles que se julgam superiores estão a sair da PJ – numa instituição que se preze nunca devem mandar os que pensam ser demasiado ilustres para nela terem de obedecer.
daqui: http://blasfemias.net/2008/05/10/ainda-bem/
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Ser empresário é um acto de filantropia. Os empresários criam valor para os seus semelhantes, criam oportunidades de trabalho e de desenvolvimento pessoal e portanto contribuem, de forma muito significativa, para aliviar todos os males da humanidade que o fariseu tenta resolver com a esmola à saída da missa dominical.
Ser empresário é um acto de heroísmo, um serviço ao colectivo, em face de riscos aparentemente inultrapassáveis. Nos primeiros cinco anos de vida, 90% das empresas vão à falência e, das que sobram, nos cinco anos seguintes, vão à falência mais 90%. Como dizia um “big spender” que passou pelo governo há uns anos, é só fazer as contas: Só 1% das empresas têm sucesso aos 10 anos. E quantas sobrevivem mais de 50? Nem vale a pena responder!
Ser empresário é prestar um serviço público. Os empresários não comem mais hambúrgueres do que nós, parafraseando o Bill Gates, a riqueza que criam serve apenas para gerar mais riqueza. Ou porque é investida ou porque é poupada, permitindo que outros usufruam desse capital. Os liberais pensam que a riqueza gerada pelas empresas dá mais rendimento nas mãos dos empresários, os socialistas defendem que é mais útil nas mãos dos políticos que controlam o aparelho de Estado.
daqui: http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2008/05/filantropia.html
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Ouve-se e lê-se por todo o lado que a Ministra da Educação recuou até ao Inferno e que Mário Nogueira, porta-voz da plataforma sindical, subiu aos céus.
Pelos vistos interessa acentuar as cedências totais do governo, sejam ou não reais. Como não conheço o acordo só posso raciocinar com o que vou registando.
E o que registo é que, ao contrário do que os Sindicatos exigiam, chegando mesmo a fazer ultimatos, a avaliação do desempenho dos professores tornou-se numa realidade; que, ao contrário do que os Sindicatos proclamaram, a avaliação não foi suspensa e continua a ser implementada até ao fim de 2009, para todos os professores; que, ao contrário do que os Sindicatos esperavam, não há inconstitucionalidade nas quotas do estatuto da carreira docente.
Também registo que, ao contrário do que a Ministra planeou, há inconstitucionalidade no concurso para Professor Titular; que, ao contrário do que a Ministra resistiu, a avaliação do desempenho é uniformizada este ano, num padrão mínimo; que, ao contrário do que a Ministra se empenhou, as avaliações de insuficiente e regular podem ser repetidas, e não têm as consequências que estavam previstas, nomeadamente a não renovação dos contratos aos contratados.
O que considero mais grave no recuo da Ministra, caso seja exactamente como está noticiado, é a repetição das avaliações para quem não se saiu bem. É injusto e contraproducente. Para isso não vale a pena haver avaliações porque se transformam num mero pró-forma. De resto, ainda bem que há Tribunal Constitucional, para repor a legalidade onde ela foi atropelada.
Quanto ao Sindicato, não sei porque está tão contente. Na linha da defesa dos direitos das classes trabalhadoras e das conquistas inalienáveis do operariado, recuando de trincheira em trincheira, vão-se somando retumbantes vitórias até à derrota final.
daqui: http://defenderoquadrado.blogs.sapo.pt/333834.html
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«Na Escola Carolina Michaëlis do Porto, uma escola da classe média e não uma escola “problema” de um bairro popular, a professora de Francês (altamente qualificada, por sinal) confiscou um telemóvel a uma aluna. Quase com certeza porque o telemóvel interferia com a aula (ou porque estava a ser usado, ou porque tocava, ou por uma razão qualquer igualmente grave). A dita aluna berrou e agrediu a professora. Não a deixou sair da sala. À volta, a turma ria e comentava: “Olha que a velha vai cair!”, por exemplo. No fim, já havia um molho tumultuário e confuso, que outra criancinha prestavelmente filmava e que dali a pouco apareceu no YouTube e, a seguir, na televisão. Convém acrescentar que a professora era pequena e frágil e a aluna alta, anafada e forte. A brutalidade da coisa constrangia.
Perante isto, os nossos comentadores descobriram logo um culpado: os pais. Toda a gente imagina a cantilena: pais que não se interessam pelos filhos; pais que não “educam” os filhos; pais que não lhes tramitem os “valores” do respeito, da dignidade e da convivência. Muito bem. Mas não me cheira que a aluna do telemóvel bata habitualmente nos pais como bateu na professora. Porquê? Porque não acredito que ela goze em casa a impunidade de que goza na escola. Na escola não lhe podem responder bofetada a bofetada. Não a podem em definitivo pôr fora do sistema de ensino (excepto com a aprovação pessoal do ministro). Não a podem sequer fazer perder o ano por faltas. Não há melhor ambiente para um tiranete. É a lei da rua. Em última análise, é a lei da violência.
Vasco Pulido Valente, hoje no Público
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Escrito por uma Professora de Inglês do Ensino Básico
Mas, por momentos, reflictamos sobre se aquela menina seria capaz de um comportamento idêntico noutra Escola; se aquela turma seria capaz de um comportamento tão aberrante noutra Escola.Isto é, centremo-nos, por momentos em equacionar a hipótese de o problema estar naquela Escola concreta, a Carolina Michäelis.
Porque é que haveríamos de fazê-lo?
Em primeiro lugar, porque é normal que as relações de causalidade se procurem dentro do seu círculo ecológico próximo, neste caso, a sala de aula, a escola. (continua aqui)
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A história do telemóvel da aluna do Porto é razoavelmente conhecida … e, evidentemente, inaceitável.
Perante esses acontecimentos, que fazem dois representantes de partidos da oposição, um do PSD, outro do CDS-PP? Apelam a que a escola onde o incidente teve lugar use das competências de que dispõe para averiguar os factos e, sendo caso disso – como sugerem as imagens de vídeo – punir a aluna e os demais prevaricadores? Exprimem publicamente solidariedade com a professora?
Nada disso: um desses responsáveis partidários pede a presença da Ministra da Educação no Parlamento; o outro culpa o Estatuto do Aluno.
Já agora, para evitarem ser confundidos com demagogos entregues a manobras politiqueiras de baixo nível, podiam fazer dois favores aos vulgares cidadãos com quem partilham o espaço público: (i) explicar quais são as inovações introduzidas pelo Estatuto do Aluno que consideram ter originado os factos ocorridos na escola secundária do Porto ou que os tornam insusceptíveis de punição e (ii) indicar as propostas recusadas pelo Governo ou pela maioria parlamentar do PS que, se estivessem em vigor, teriam evitado os desacatos que se podem ver na internet e que o Expresso publicitou.
daqui: http://ocanhoto.blogspot.com/2008/03/podiam-explicar-se-sff.html
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Não tenho a certeza, mas julgo que conheço a professora que aparece no vídeo. Se é quem eu penso, gostava de dizer aqui algumas coisas sobre o seu percurso profissional, que está ligado, como é quase inevitável com os professores, a um particular modo de ser.
[...]
A infelicidade desta professora foi estar muitos anos afastada da escola, que entretanto mudou. Durante estes anos o poder político tirou o tapete de debaixo dos pés aos professores. Os que viveram este tempo na escola foram-se adaptando, mesmo em termos de idiossincrasia e carácter, às novas circunstâncias e aos novos alunos. Esta professora não teve oportunidade de se adaptar e caiu de chofre numa escola que não era a que ela conhecia: uma escola em que se tinha invertido a relação de poder entre professores e alunos, uma escola frequentada por jovens provenientes do mundo real, muito diferentes daqueles para quem o actual sistema de ensino foi feito e que só existem na cabeça dos teóricos da educação. Se é a professora que eu conheço, a estas horas deve estar desfeita, enquanto a aluna que a brutalizou se está provavelmente a rir. E isto, não tenho vergonha de o dizer, revolta-me até às entranhas.
daqui: http://legoergosum.blogspot.com/2008/03/professora-brutalizada.html
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Fui à estante buscar o Oliveira Martins e abri nos escritos sobre o “estado da educação” publicados em O Repórter, no ano de 1888. Deixo-vos apenas alguns excertos deliciosos:
22 de Junho de 1888
Resta saber que espécie de homens se estão formando nas famosas escolas leigas, e com o ensino estapafúrdio dos nossos liceus. (…)
Este estado de espírito é o dos que, apesar de livres pensadores, acham preferível confiar a educação dos filhos aos jesuítas.
24 de Agosto de 1888
O grande defeito do ensino oficial português está em que os compêndios são maus, os professores piores, e os programas, trasladados das escolas europeias, seriam excelentes por vezes, se não fossem puras hipóteses burocráticas. (…)
… os próprios progressos do ensino são uma nova causa de cretinização. (…)
Um facto universalmente conhecido é a progressiva ignorância das gerações que o ensino oficial vai preparando. (…)
A Indústria dos compêndios escolares viça à custa dos cérebros das crianças e das algibeiras dos pais. (link)
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