via blog A minha Matilde
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Ponto por Ponto constroi-se uma opinião… aqui junta-se a mania de ter opinião sobre tudo!
Do arquivo mensal:
Sempre achei que neste processo falta sobretudo bom-senso. Do lado do ministério, não compreendo como é que se chegou a este ponto. Se havia erros, lacunas, complicações desnecessárias, má concepção e má organização interna do famigerado “processo de avaliação”, porque é que não foram detectadas mais cedo? Parece que se fazem as coisas em beta-version para experimentar, usando os professores como cobaias, e depois corrige-se quando há problemas e, sobretudo, se há contestação. Afinal o processo vai ser simplificado. Isso quer dizer que, de início, era complicado, que o ministério é incapaz de elaborar um processo simples, claro, previamente discutido e melhorado. Mas a firmeza da ministra, alvo de todas as farpas e de todos os insultos, em recusar-se a suspender o processo, é de louvar. Não andamos a brincar às avaliações, não andamos a brincar à educação. Está na hora de este país deixar as meias-reformas, os processos inacabados. E se só falta um ano para as eleições, maior é a admiração que deve suscitar.
E AINDA
O prestígio da classe docente está destroçado. Dói-me, e digo-o sem reservas e sem ironia, quando oiço (e já ouvi por diversas vezes) uma professora com muitos anos de serviço anunciar a sua reforma por estar farta, desorientada e cansada, por se achar desrespeitada e a perder demasiado tempo com burocracias e papéis em vez de ensinar os alunos. E imagino o aperto que é para um jovem professor andar com a casa às costas anos a fio, umas horas aqui, outras ali, projectos de vida adiados, mais um ano, pode ser que para o próximo consiga, um ano a ensinar, outro desempregado.
Porém, a classe docente perdeu e perde pontos. Os maiores inimigos dos professores parecem ser eles próprios, porque se desrespeitam a si mesmos e não se fazem respeitar. Os professores, como os médicos, como os magistrados, como as forças policiais e militares, são cidadãos especiais, com responsabilidades especiais. Querem respeito, mereçam-no. A torrente de insultos, de calúnias, de piadas de mau-gosto, de insinuações, acerca da ministra da educação, libertada pelo fel de muitos professores nas últimas semanas, na blogosfera como noutros palcos, é um boomerang que mais cedo ou mais tarde se volta contra os professores. Há uma dignidade na função docente que está a ser desbaratada.
texto completo aqui: http://jugular.blogs.sapo.pt/535819.html
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PARA QUEM PERCEBER BEM INGLÊS, UMA OPINIÃO SOBRE SONDAGENS NUMA SÉRIA FANTÁSTICA DE HA MUITOS ANOS (NEM ME LEMBRO QUANTOS)
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«Sempre que o confronto entre os professores e a ministra da Educação sobe ao Parlamento assistimos a um facto estranho: o PSD parece estar do lado dos sindicatos. O mesmo se passa com os professores sindicalistas mais ligados ao PSD, nomeadamente os que alinham na FNE ou no Sindep, cuja posição não se mostra claramente diferente daquela que a Fenprof vem defendendo. Ou seja, o PSD nesta ‘guerra’ toma partido contra a ministra e, por essa via, a favor dos professores.
O reflexo é simples: se os professores estão contra o Governo, o PSD entende que deve aproveitar essa onda (em boa verdade, não se percebe bem se é a direcção do PSD ou parte do PSD, porque esse é outro dos problemas que o maior partido da oposição tem neste momento).
Aconselharia o bom senso, porém, que o PSD fizesse uma leitura mais cuidada do conflito. É que, além de questões seguramente importantes, como o excesso de burocracia na avaliação ou o método como esta tem sido imposta (sem sucesso visível) aos professores, existe algo de mais fundo neste combate: e não é a simples ideia de que não é necessária uma hierarquização da carreira ou de que as progressões devem ser automáticas, que parecem ser o cerne daquilo que os professores pretendem. É muito mais grave do que isto: na verdade, assistimos a uma tentativa de impedir a aplicação de uma lei, através da mobilização de manifestações e de greves. Algo que nenhum governo de país democrático pode aceitar como método. Como nenhum partido que aspira a ser poder, sobretudo se for do espectro do centro-direita – como o PSD -, pode aceitar.
Ao posicionar-se nesta guerra como se de um mero confronto político, sem outros contornos, se tratasse, o PSD tem degradado a sua imagem e dado tiros no pé.
Parte do editorial do Jornal Expresso desta semana.
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E AINDA
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Era, de facto, mais burocrática do que devia, provocando uma sobrecarga de trabalho para professores avaliadores e para professores avaliados.
Mas, devo dizer-vos, era a situação que os sindicatos conheciam quando assinaram o memorando de entendimento e que durante meses não puseram em causa.
Depois de ouvir e identificar os problemas concretos, não tive qualquer problema em avançar com medidas que permitem melhorar as condições de aplicação do modelo.
Ouvi muita gente durante muitas horas para o fazer.
Não esperei por propostas de terceiros para procurar corrigir erros e défices.
Tomo de empréstimo o que dizia Bento de Jesus Caraça: não tememos o erro porque não temos medo de o corrigir.
Mas não me peçam para suspender a avaliação de desempenho porque isso significaria voltar à situação que todos dizem que não serve.
Todos sabemos que suspender a avaliação de desempenho significaria, pelo menos, mais um ano com um modelo que ninguém diz defender.
Se ninguém o defende porque há, afinal tanta pressão para que ele continue?
Só o conservadorismo, venha da direita ou da esquerda, só o conservadorismo, repito, ficaria contente com uma suspensão que não serve as escolas nem os professores que querem e merecem progredir na carreira e ver o mérito reconhecido e incentivado.
Nem me peçam para aceitar um novo modelo que assente na auto-avaliação.
Com a mesma franqueza afirmo que essa proposta é apenas um modo disfarçado e inaceitável de nada propor.
Significa isto que sou intransigente na defesa do modelo de avaliação em vigor?
Não.
o texto completo aqui: http://www.min-edu.pt/np3/2923.html
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Ricardo Araújo Pereira na Visão desta semana:
Hoje em dia, toda a ctividade económica parece decorrer num ambiente de ignorância. Greenspan não sabia que estava a preparar uma crise de dimensões históricas. O Banco de Portugal não sabia que as contas do BPN não batiam certo. Os administradores do BPN não sabiam de nada. Eu próprio desconheço, por completo, o que se passa nos bancos portugueses e, à primeira vista, todos os seus gestores me parecem pessoas de bem. É possível, por isso, que eu seja administrador de um banco sem que o saiba. Tenho o perfil e a doce inconsciência que o cargo, aparentemente, exige. Solicitaria apenas ao banco que estou a administrar sem o saber que me enviasse os lucros, se os houvesse, ou o dinheiro proveniente da ajuda do Estado, caso tivessemos tido a sorte de falir. Em todo o caso , a palavra chave é «desconhecimento».
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