Reproduzo aqui, mais ou menos textualmente, a intervenção que fiz na última Assembleia Municipal, depois de PSD e CDS-PP terem intervido sobre a responsabilização da Câmara neste processo:
Sr. Presidente,
Quando eu soube da notícia do desmantelamento da Comissão que, ente outras, analisava a variante Arouca-Feira, confesso que quase deu vontade de desistir e – se me é permitido o português – “mandar tudo às urtigas”.
Ouvi entretanto a sua indignação e profundo desagrado com a “catraíce” dos políticos lisboetas e lembrei-me de uma frase de uma jornalista americana que é qualquer coisa como «Ser derrotado é uma condição meramente temporária; desistir é que torna a derrota permanente».
E foi com esse espírito que interpretei o “ultimato” que deu aos políticos de Lisboa.
É óbvio que o Governo portou-se de uma forma miserável neste dossier, em conjunto com os deputados do partido socialista. E são esses, indubitavelmente, os principais responsáveis por esta situação.
No entanto, estou de acordo consigo quanto à partilha de responsabilidades, ainda que de menor grau.
Podemos, por exemplo, assumir que se o PSD estivesse verdadeiramente empenhado, tinha – no mínimo – validado a proposta do CDS-PP para inclusão da obra no orçamento. Tem-se falado muito do que disse Passos Coelho em Arouca, mas já em 2009, o deputado do PSD, Couto dos Santos, afirmou que «com o PSD a obra será feita. Esta obra é urgente». Ainda assim, as acções contradizem as intenções.
E o esforço do CDS-PP, apesar de meritório, não é suficiente para dizer que “PS e PSD inviabilizam construção da variante”. O seu próprio líder, Paulo Portas, desvaloriza a inclusão da obra no OE. O próprio Paulo Portas, em declarações ao jornal Discurso Directo disse «Hoje em dia o Orçamento não é fiável, porque boa parte das verbas estão fora do Orçamento. É o caso das verbas que têm a ver com as Estradas de Portugal».
Isto é, o CDS-PP fez uma proposta para algo que, o próprio, considera pouco fiável. Não falem então em garantir a construção.
Da parte do grupo municipal do Partido Socialista não restam quaisquer dúvidas sobre o empenho e determinação que o executivo colocou na solução que defendia e que foi defraudada porque quem nunca se esperaria.
Também é verdade que, pelo menos neste mandato, não ouvi sugestões alternativas a apontar caminhos eventualmente mais eficientes. Provavelmente porque não existiam, principalmente depois do Primeiro Ministro e 4 ou 5 deputados assumirem um compromisso.
Nós não estamos aqui para anunciar que estamos disponíveis para ajudar. Naquilo que pudermos, ajudamos.
E já que comecei com uma citação, tomo a liberdade de terminar com outra, esta de Boudelair:
«Uma sucessão de pequenas vontades conseguem um grande resultado». Estou certo que a vontade de todos os arouquenses irá acabar por dar resultado.
Não pode ser de outra maneira.