por Pedro Sousa em 30 de Julho de 2008
em País
Portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza: cerca de 2.000.000.
Beneficiários do Rendimento Social de Inserção: 311 mil (quase 40% são menores)
Despesas anuais com o Rendimento Social de Inserção: 371 milhões de euros.
O valor médio da prestação de RSI por beneficiário: 83 euros.
Lucro dos cinco maiores bancos portugueses em 2007: 8,7 milhões de euros por dia.
Perda anual de receita fiscal devido aos benefícios fiscais à banca: cerca de 700 milhões euros.
Agora comparem o tempo que se dedica a um assunto e a outro.
daqui: http://arrastao.org/
O homem, jovem, movimentava-se num desespero agitado entre um grupo de mulheres vestidas de negro que ululavam lamentos. “Perdi tudo!” “O que é que perdeu?” perguntou-lhe um repórter. “Entraram-me em casa, espatifaram tudo. Levaram o plasma, o DVD a aparelhagem…” Esta foi uma das esclarecedoras declarações dos autodesalojados da Quinta da Fonte. A imagem do absurdo em que a assistência social se tornou em Portugal fica clara quando é complementada com as informações do presidente da Câmara de Loures: uma elevadíssima percentagem da população do bairro recebe rendimento de inserção social e paga “quatro ou cinco euros de renda mensal” pelas habitações camarárias. Dias depois, noutra reportagem outro jovem adulto mostrava a sua casa vandalizada, apontando a sala de onde tinham levado a TV e os DVD. A seguir, transtornadíssimo, ia ao que tinha sido o quarto dos filhos dizendo que “até a TV e a playstation das crianças” lhe tinham roubado. Neste país, tão cheio de dificuldades para quem tem rendimentos declarados, dinheiro público não pode continuar a ser desviado para sustentar predadores profissionais dos fundos constituídos em boa fé para atender a situações excepcionais de carência. A culpa não é só de quem usufrui desses dinheiros. A principal responsabilidade destes desvios cai sobre os oportunismos políticos que à custa destas bizarras benesses, compraram votos de Norte a Sul. É inexplicável num país de economias domésticas esfrangalhadas por uma Euribor com freio nos dentes que há famílias que pagam “quatro ou cinco Euros de renda” à câmara de Loures e no fim do mês recebem o rendimento social de inserção que, se habilmente requerido por um grupo familiar de cinco ou seis pessoas, atinge quantias muito acima do ordenado mínimo. É inaceitável que estes beneficiários de tudo e mais alguma coisa ainda querem que os seus T2 e T3 a “quatro ou cinco euros mensais” lhes sejam dados em zonas “onde não haja pretos”. Não é o sistema em Portugal que marginaliza comunidades. O sistema é que se tem vindo a alhear da realidade e da decência e agora é confrontado por elas em plena rua com manifestações de índole intoleravelmente racista e saraivadas de balas de grande calibre disparadas com impunidade. O país inteiro viu uma dezena de homens armados a fazer fogo na via pública. Não foram detidos embora sejam facilmente identificáveis. Pelo contrário. Do silêncio cúmplice do grupo de marginais sai eloquente uma mensagem de ameaça de contorno criminoso – “ou nos dão uma zona etnicamente limpa ou matamos.” A resposta do Estado veio numa patética distribuição de flores a cabecilhas de gangs de traficantes e autodenominados representantes comunitários, entre os sorrisos da resignação embaraçada dos responsáveis autárquicos e do governo civil. Cá fora, no terreno, o único elemento que ainda nos separa da barbárie e da anarquia mantém na Quinta da Fonte uma guarda de 24 horas por dia com metralhadoras e coletes à prova de bala. Provavelmente, enquanto arriscam a vida neste parque temático de incongruências socio-políticas, os defensores do que nos resta de ordem pensam que ganham menos que um desses agregados familiares de profissionais da extorsão e que o ordenado da PSP deste mês de Julho se vai ressentir outra vez da subida da Euribor.
Elísio Amorim, deputado do PS pelo círculo de Aveiro, foi um dos principais organizadores do jantar que um grupo de deputados ofereceu a Pinto da Costa na Assembleia da República no passado mês de Maio. É também o vice-presidente do CJ da Liga e abandonou a reunião do dito CJ quando percebeu que Pinto da Costa ia ser suspenso por dois anos. Naturalmente: então convida-o para jantar na AR e depois condena-o por tentativa de corrupção?
Se isto é assim agora, com todos os holofotes e com toda a “perseguição”, imaginem como era antes.
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Parece que os companheiros de António Gonçalves Pereira não acharam piada à esperteza do homem: quis acabar com a reunião do CJ da Liga porque o Boavista e o FCP iam levar na carola. O “homem” é presidente do CJ da Liga e… vereador de Valentim Loureiro.
daqui: http://marsalgado.blogspot.com/
por Pedro Sousa em 5 de Julho de 2008
em País
Não sou de fazer publicidades (nem sei se funciona) mas…
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Um animal que agrediu um bebé de 2 anos e transformou essa criança num “morto-vivo” (cego, surdo e tetraplégico) foi condenado a 7 anos de prisão.
ANDA TUDO TOLO???? 7 anos???
Provavelmente (e por muito chocante que possa parecer), mais valia a criança não ter sobrevivido. Estaria melhor com os Anjos. O animal que a agrediu estaria mais anos no “inferno” que é a prisão.
Não consigo… não consigo deixar de manifestar também o meu lado animal quando espero que os colegas de cela lhe lembrem todos os dias da barbárie que ele cometeu!! É muito difícil, nestas alturas, não querer de volta a pena de morte.
Digo sem vergonha… é o primeiro post que faço com lágrimas nos olhos!
por Pedro Sousa em 2 de Julho de 2008
em País
Comecemos pela parte aborrecida. Paulo Rangel teve um problema de saúde. Segundo o luminoso Sol, o ex-secretário de Estado de Santana Lopes “optou pela suspensão [do mandato de deputado] e não por uma baixa médica porque o tratamento a que se ia submeter não era incompatível com o trabalho, mas sim com as deslocações a Lisboa. Sendo do Porto, Rangel preferiu abandonar temporariamente o Parlamento, mantendo o trabalho no gabinete de advogados e proceder aos tratamentos perto de casa.”
Passemos à parte boa. Ainda segundo o luminoso Sol, quando se aproximam as férias parlamentares, Paulo Rangel (1) suspende o tratamento, (2) retoma o lugar no hemiciclo, (3) entra de férias e (4) passa a receber o vencimento de deputado. Aconteceu duas vezes:
• “pela primeira vez, a 26 de Abril de 2007, retomando o lugar a 25 de Julho do mesmo ano — mesmo antes das férias parlamentares”;
• “Cinco meses depois, voltou a pedir a suspensão. E desta vez Paulo Rangel esteve afastado do Parlamento por um período mais longo, desde o dia 5 de Dezembro de 2007 até 5 de Junho de 2008.”
por Pedro Sousa em 26 de Junho de 2008
em País
Nuno Morais Sarmento, actual presidente do Conselho de Jurisdição do PSD, deve pensar que os outros são parvos. Ontem, na Rádio Renascença, disse que se o PSD fosse governo… trocaria o projecto do TGV por… «apoios à emergência social». Uma forma como qualquer outra de reeditar a famosa tese de Barroso: «enquanto houver uma criança numa fila de hospital, não teremos novo aeroporto…» Mas o raciocínio não se aplicava ao TGV, o qual podia coexistir com crianças em filas de hospital. Tanto assim que o XV Governo Constitucional, chefiado por Barroso, aprovou quatro linhas de TGV (uma quinta linha, entre o Algarve e Huelva, ficava dependente de mais estudos). Nesse governo, Nuno Morais Sarmento era ministro da Presidência, Manuela Ferreira Leite ministra de Estado e das Finanças, e Carmona Rodrigues ministro das Obras Públicas. E o executivo que se seguiu, o XVI, chefiado por Santana Lopes, também aprovou quatro. Nesse governo, Nuno Morais Sarmento era ministro de Estado e da Presidência, Bagão Félix ministro das Finanças, e António Mexia ministro das Obras Públicas. Por contraste, o actual governo apenas aprovou duas. Como é que Nuno Morais Sarmento quer ser levado a sério?
daqui: http://daliteratura.blogspot.com
por Pedro Sousa em 24 de Junho de 2008
em País
A Pente-Fino chama-se o blog que fica na coluna do lado linkado. Um blog fantástico que se dedica a analisar o nível de disparate, de contradição e de ligeireza com que a imprensa portuguesa vai vivendo.
http://apentefino.blogs.sapo.pt/