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Com a devida vénia

[…] a nossa III República, pode caracterizar-se a partir dos seguintes acontecimentos mais significativos:

- Uma revolução no dia 25 de Abril de 1974;

- A radicalização da revolução entre 28 de Setembro de 1974 e 25 de Novembro de 1975, período durante o qual o Partido Comunista e a extrema-esquerda nacionalizaram e expropriaram o país, e promoveram uma descolonização criminosa;

- Uma Constituição política que entrou em vigor em 1976, onde se instituiu um regime político e económico marxista, no qual a propriedade privada era tolerada como o terceiro modelo de propriedade;

- Vários governos socialistas e social-democratas, que aumentaram desmesuradamente a despesa pública com o crescimento descontrolado da burocracia;

- 10 anos de cavaquismo;

- 6 anos de pântano guterrista e de aumento exponencial da despesa pública com paixões como a «educação pública», entre muitas outras;

- Dois primeiros-ministros que desertaram;

- Um sistema de governo semipresidencialista, criado pelos founding fathers do regime para que ninguém se conseguisse entender;

- 28 governos em 33 anos

daqui http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2007/08/desordem-espontnea.html

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Manifesto Pró-Pacheco Pereira

por Pedro Sousa em 23 de Agosto de 2007

em Com a devida vénia

gato_fedorento_julho2005.jpgAmaldiçoado seja o palerma que anda entretido a piratear o Abrupto – ou, se a maleita do blogue é devida a erro informático, maldito seja então esse amontoado defeituoso de zeros e uns. Que arda no Inferno a besta – humana ou cibernética – que ofereceu ao Pacheco Pereira a sua última glória: o martírio. Alguém quer calar o Pacheco Pereira. Porquê? Ninguém sabe. O Pacheco Pereira incomoda. Quem? Ninguém diz. Mas o bravo Pacheco Pereira persistiu, agarrado ao leme do blogue, e depois de tremer três vezes escreveu este post veemente. Veementemente escrito a negrito, para percebermos que o autor vocifera, e sublinhado a amarelo veementemente, para percebermos que o autor investe. Sobre quem? Ninguém percebe. Mas o leitor que não esteja preparado para tanta veemência em tão poucas linhas não deixará de se comover. Trata-se de um pequeno mas lancinante grito de insurreição em que a preposição “desde” (a mais insurrecta das preposições) é protagonista. “Desde o momento em que não sei quê”, principia Pacheco Pereira. Mas “desde o início da tarde que não sei que mais”, prossegue depois. Pelo meio recebeu mensagens de conforto, o que aproveita para agradecer “desde já”. No fim, a promessa que nenhum homem decente conseguirá ler sem que os olhos se lhe encham de água: “podem ter a certeza de que aconteça o que acontecer o Abrupto continuará. Não será por esta via que acabam com ele.” “Acabam”, diz ali. O sujeito permanece indeterminado, mas agora temos um plural. Eles. Ah, perniciosa matilha. Quem serão? Os comunistas, os socialistas, os próprios sociais-democratas? Os jornalistas, os informáticos, os benfiquistas? Os bombeiros, os travestis, os profissionais do sector dos lacticínios? Ninguém arrisca um palpite.

continua em http://gatofedorento.blogspot.com/2006_07_16_gatofedorento_archive.html#115353953125718481

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Liberdade de profissão

por Pedro Sousa em 21 de Agosto de 2007

em Com a devida vénia

«Existe em Portugal uma tradição corporativa de malthusianismo profissional, que tem produzido restrições excessivas da liberdade profissional. Provavelmente, em nenhum outro país existem tantas profissões que exigem um grau académico de nível superior, como entre nós. Num país onde as taxas de ensino secundário completo são das mais baixas da Europa, a exigência de níveis académicos elevados para o exercício de profissões constitui um factor de exclusão de muita gente.»

excelente artigo de Vital Moreira em http://aba-da-causa.blogspot.com/2007/08/liberdade-de-profisso.html

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ÓDIO DE ESTIMAÇÃO

por Pedro Sousa em 19 de Agosto de 2007

em Com a devida vénia,País,Repita lá?!?!?!?

alberto_joao_jardim.jpg«Estou-me nas tintas para os regulamentos da República Portuguesa», afirmou há dias Alberto João Jardim.

Confesso que AJJ é, para mim, um género de ódio pessoal. Não ódio no verdadeiro sentido da palavra, mas ele é “aquilo” que mais me custa na democracia portuguesa. Jardim é, na minha opinião, a última grande nódoa na nossa democracia.

Pessoa trauliteira, sem tento na língua, com expressões vergonhosas, sem respeito por ninguém nem nenhuma instituição, a quem uns líderes do PSD vão beijar a mão, dado o seu poder.

O que ele diz é rapidamente esquecido… pérolas como chamar-nos cubanos, ou usar o termo filhos da p*** numa conferência de impresa e muito mais. TUdo faz e diz e nada lhe acontece. É um português (infelizmente) do qual tenho vergonha. É alguém que mancha de vergonha a classe política. É alguém que não merece que o Estado lhe pague um princepesco salário. Aliás, dá-me saudade de não existir neste momento a figura da deportação!!!

O homem incomóda-me e não é pouco! Aliás, como qualquer mal-educado que cospe na mão que lhe dá de comer!

Em anexo um excelente texto de Baptista Bastos:

“Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza.

Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo.

Em tempos, já assim alguém o fez. Recordemos. Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».

A objurgatória contra chineses e indianos corresponde aos parâmetros ideológicos dos fascistas. E um fascista acondiciona o estofo de um canalha. Não há que sair das definições. Perante os factos, as tímidas rebatidas ao que ele disse pertencem aos domínios das amenidades. Jardim tem insultado Presidentes da República, primeiros-ministros, representantes da República na ilha, ministros e outros altos dignitários da nação. Ninguém lhe aplica o Código Penal e os processos decorrentes de, amiúde, ele tripudiar sobre a Constituição. Os barões do PSD babam-se, os do PS balbuciam frivolidades, os do CDS estremecem, o PCP não utiliza os meios legais, disponentes em assuntos deste jaez e estilo. Desculpam-no com a frioleira de que não está sóbrio. Nunca está sóbrio?

O espantoso de isto tudo é que muitos daqueles pelo Jardim periodicamente insultados, injuriados e caluniados apertam-lhe a mão, por exemplo, nas reuniões do Conselho de Estado. Temem-no, esta é a verdade. De contrário, o que ele tem dito, feito e cometido não ficaria sem a punição que a natureza sórdida dos factos exige. Velada ou declaradamente, costuma ameaçar com a secessão da ilha. Vicente Jorge Silva já o escreveu: que se faça um referendo, ver-se-á quem perde.

A vergonha que nos atinge não o envolve porque o homenzinho é o que é: um despudorado, um sem-vergonha da pior espécie. A cobardia do silêncio cúmplice atingiu níveis inimagináveis. Não pertenço a esse grupo.”

http://vejambem.blogspot.com/2007/08/alberto-joo-jardim-um-fascista-grotesco.html

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A Joana e a Madeleine

por Pedro Sousa em 17 de Agosto de 2007

em Com a devida vénia

A Joana era algarvia, a Madeleine era inglesa. A Joana era uma menina trigueira e mal vestida, a Madeleine era loura e bonita. A Joana não sabia o que eram férias, a Madeleine fazia férias na terra da Joana. A mãe da Joana era uma trabalhadora doméstica, a mãe da Madeleine é médica. A Joana tinha um padrasto, a Madeleine tinha uns pais exemplares. As duas crianças desapareceram de locais que ficam a meia dúzia de quilómetros de distância, mas separados por um imenso mundo.

No caso da Joana ninguém colocou a hipótese de rapto, da mesma forma que no caso da Madeleine ninguém imaginou o homicídio como hipótese provável. Olhava-se para a mãe da Joana e percebia-se logo uma assassina, olha-se para os país da Madeleine e percebe-se logo o sofrimento de pais cuja filha foi roubada. A mãe da Joana queixou-se de ter sido alvo de agressões por parte da PJ que alguém justificou com uma queda, a mãe da Madeleine tem direito a reuniões semanais para ouvir explicações da PJ e quando algo não lhe agrada exige a antecipação da reunião.

Se à mãe da Madeleine faltasse uma mão seria deficiente física, a mãe da Joana seria maneta.

in jumento.blogspot.com

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Meio Vazio

por Pedro Sousa em 1 de Agosto de 2007

em Com a devida vénia

copodagua.jpg

«É a velha história de quem, olhando o mesmo copo, o vê meio cheio ao lado de outra pessoa que o vê meio vazio. [...]

Nos últimos tempos, não é preciso, aliás, procurar muito para encontrar exemplos ilustrativos da onda negativa. Há dias, após o anúncio da extensão do abono de família, até ao terceiro mês de gravidez e a sua duplicação e triplicação para o segundo e terceiro filhos, o título de um jornal sublinhava que talvez 10% dos nascimentos ficasse fora deste benefício e outras vozes limtaram-se a dizer que era insuficiente e tardio. Copo meio vazio, pois. No dia seguinte, perante 400 milhões de euros de investimento na modernização do sistema educativo, nomeadamente através do forte reforço da disponibilização de tecnologias de informação na sala de aula, os comentários dividiram-se entre as tecnologias não serem  o mais importante ou sobre episódio das crianças contratadas pela agência que preparou o evento. Mais tarde, perante o lançamento da iniciativa “Casa Pronta”, que permite tratar com celeridade as questões de compra e venda de casa, prefere-se sublinhar a eventual inconstitucionalidade, despertada por um parecer juridico encomendado pelos notários que se sentem prejudicados nos seus interesses por este serviço. Poderiamos continuar a desfilar exemplos. [...]

Nunca gozamos o que já temos e não transformamos o que nos falta através da ambição de o conquistar. Não nos contentamos, nem nos mobilizamos. Simplesmente lamentamo-nos. E quem se lamenta, não chega a lado nenhum. [...]

Mas só com um olhar positivo, registando que o copo já está meio cheio, ganharemos energia para encher o que falta. E que ninguém encherá por nós.»

excerto do editorial do Correio da Manhã, assinado por Rui Marques.

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Manuel Alegre no Público

por Pedro Sousa em 25 de Julho de 2007

em Com a devida vénia

Um artigo interessantissimo, do qual tomei a liberdade de destacar algumas passagens:

«Nasci e cresci num Portugal onde vigorava o medo. Contra eles lutei a vida inteira. Não posso ficar calado perante alguns casos ultimamente vindos a público. Casos pontuais, dir-se-á. Mas que têm em comum a delação e a confusão entre lealdade e subserviência. Casos pontuais que, entretanto, começam a repetir-se. Não por acaso ou coincidência. Mas porque há um clima propício a comportamentos com raízes profundas na nossa história [...]

Não vivemos em ditadura, nem sequer é legítimo falar de deriva autoritária. As instituições democráticas funcionam. Então porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual.

Na campanha do penúltimo congresso socialista, em 2004, eu disse que havia medo. Medo de falar e de tomar livremente posição. Um medo resultante da dependência e de uma forma de vida partidária reduzida a seguir os vencedores [...] Medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado. No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra. [...]

Estas questões, como muitas outras, são susceptíveis de ser discutidas e abordadas de diferentes pontos de vista. Não pretendo ser detentor da verdade. Mas penso que falta uma estratégia que dê um sentido de futuro e de esperança a medidas, algumas das quais tão polémicas, que estão a afectar tanta gente ao mesmo tempo. [...]

O que não merece palmas é um certo estilo parecido com o que o PS criticou noutras maiorias. Nem a capacidade de decisão erigida num fim em si mesma, quase como uma ideologia. A tradição governamentalista continua a imperar em Portugal. Quando um partido vai para o Governo, este passa a mandar no partido, que, pouco a pouco, deixa de ter e manifestar opiniões próprias. A crítica é olhada com suspeita, o seguidismo transformado em virtude.

Admito que a porta é estreita e que, nas circunstâncias actuais, as alternativas não são fáceis. Mas há uma questão em relação à qual o PS jamais poderá tergiversar: essa questão é a liberdade. E quem diz liberdade diz liberdades. Liberdade de informação, liberdade de expressão, liberdade de crítica, liberdade que, segundo um clássico, é sempre a liberdade de pensar de maneira diferente. Qualquer deriva nesta matéria seria para o PS um verdadeiro suicídio.  [...]

Sei, por experiência própria, que não é fácil mudar um partido por dentro. Mas também sei que, assim como, em certos momentos, como fez o PS no verão quente de 75, um partido pode mobilizar a opinião pública para combates decisivos, também pode suceder, em outras circunstâncias, como nas presidenciais de 2006 e, agora, em Lisboa, que os cidadãos, pela abstenção ou pelo voto, punam e corrijam os desvios e o afunilamento dos partidos políticos. Há mais vida para além das lógicas de aparelho. Se os principais partidos não vão ao encontro da vida, pode muito bem acontecer que a recomposição do sistema se faça pelo voto dos cidadãos. Tanto no sentido positivo como negativo, se tal ocorrer em torno de uma qualquer deriva populista. Há sempre esse risco. Os principais inimigos dos partidos políticos são aqueles que, dentro deles, promovem o seu fechamento e impedem a mudança e a abertura.

Por isso, como em tempo de outros temores escreveu Mário Cesariny: “Entre nós e as palavras, o nosso dever falar.” Agora e sempre contra o medo, pela liberdade.»

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Faz bem. Ele conhece como ninguém os dois lados da questão. Mas é preciso que seja para valer. Lembram-se de quando Portas, há uns anos, por causa da Moderna, colocou anúncios de página inteira a dar conta de que iria processar o Expresso, exigindo uma indemnização de um milhão de contos? O tempo foi passando… e hoje até escreve no jornal de Saraiva & Lima. A acção, essa, nunca deu entrada.

 http://corporacoes.blogspot.com/2007/07/paulo-portas-vai-processar-estado-por.html

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“A verdade é que o PSD falhou a sucessão de Cavaco e está sem destino na sociedade portuguesa. Infelizmente, a crise ideológica e programática, de que Marques Mendes foi o reflexo e não a causa, não se cura pela manobra e pela intriga. Nem pela intervenção de um homem providencial, como no mítico congresso da Figueira da Foz. Só se aprende com a experiência e o desespero; e o PSD, por enquanto, nem consegue ver (e menos pensar) a triste realidade da sua situação.”

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