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Com a devida vénia

ESTÓRIA

por Pedro Sousa em 11 de Fevereiro de 2009

em Com a devida vénia

Ouvida agora na SIC-N, no programa Negócios da Semana:

Um Rico foi ter com um socialista à prisão e disse:

- Aderi às suas ideias… vou pegar na minha riqueza e distribuir por todos os pobres;

Resposta do socialista:

- Não faça isso. Só vai conseguir criar mais um pobre e não vai enriquecer nenhum.

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a vida tal como ela é

por Pedro Sousa em 2 de Fevereiro de 2009

em Com a devida vénia

Hoje de manhã íamos no carro, depois de mais um acordar em correria, e eu sentia-me exausta, e olhei-te e estavas exausto, e lá atrás os miúdos gritavam um com o outro, É meu! Não, é meu! Ó mãe! Ele chamou-me bebé! Eu não sou bebé! E os gritos enchiam-nos os ouvidos e o sangue principiava a ferver-nos dentro das veias, sim, que eu bem senti o teu sangue ferver-te nas veias da mesma maneira que o meu, uma vontade imensa de gritar CALEM-SE C**AL*O!, e o cansaço, às 8.30, tão fundo.
Olhei para ti sem que te apercebesses (creio que estavas a entrar numa espécie de transe) e pensei: isto é a vida. A vida tal como ela é. E há poucas pessoas capazes de aguentar a vida como ela é. E quando se dão conta de que a vida não é como no Sexo e a Cidade, quando percebem que a vida não é só jantares românticos e festas e fins-de-semana em resorts de luxo, quando percebem que estão num carro, às 8.30 da manhã, completamente esvaídas, sem forças para darem um grito sequer, quando percebem, as pessoas – muitas pessoas – rebentam. Desistem. Dizem: Isto não é vida. Vou-me embora. Separo-me. Vou à procura de outra coisa. Melhor. Mais excitante. Mais glamorosa. Mais cool. A porra é que é engano. É mentira. É ficção. Daí a pouco, noutra casa, noutro carro, sentirão o mesmo. Sem tirar nem pôr. Porque isto é a vida. A vida tal como ela é.

Claro que há momentos de uma felicidade que não tem tamanho nem preço nem palavras que a definam. Ah, sim, claro! Mas são momentos. Excelentes por serem isso mesmo: instantes. E a gente vai naquele carro e pensa: daqui a bocado vai ser melhor. Amanhã vai ser melhor. No fim-de-semana vai ser melhor. Nas férias vai ser excelente. Para o ano é que vai ser em grande. E vai. Mas a vida, a p**a da vida, é aquele momento no carro. E a maior parte das pessoas que eu conheço não me parece minimamente preparada para aquele momento. Ou seja, para a vida.

http://coconafralda.blogspot.com/2009/01/vida-tal-como-ela-e.html

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O Que eu gostava de ter escrito XXV

por Pedro Sousa em 30 de Janeiro de 2009

em Com a devida vénia

Enquanto esteve com a polícia e magistrados ingleses, a investigação foi o que devia ser, silenciosa. Desde que chegou a Portugal, há dez dias, foi um ver se te avias de informações às pinguinhas. Sou do meio, sei do que falo: investigação jornalística, o tanas. Milho atirado.

http://dn.sapo.pt/2009/01/30/opiniao/os_pombos_animais_estupidos.html

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OS CASOS

por Pedro Sousa em 29 de Janeiro de 2009

em Com a devida vénia

Portugal vive, há pelo menos dez anos, traumatizado consigo mesmo. Inexplicavelmente, o “país dos brandos costumes” transformou-se num país de justiceiros e corruptos. As injecções de adrenalina são permanentes e já ninguém consegue viver sem “casos”. Nesse período de tempo foram, que me recorde, o “Caso Vale e Azevedo”, o “Caso Caldeira”, o “Caso Moderna”, o “Caso Independente”, o “Caso Isaltino”, o “Caso da Câmara de Lisboa”, o “Caso Apito Dourado”, o “Caso Casa Pia”, o “Caso BCP”, o “Caso BPN”, o “Caso BPP, o “Caso Gondomar”, o “Caso Fátima Felgueiras”, o “Caso Portucalle”, o “Caso Furacão”, o “Caso Freeport”, só para referir os mais conhecidos. Todos eles durante anos na justiça e nos media, e muitos deles ainda por terminar. Portugal é, de facto, um caso curioso.

http://portugalcontemporaneo.blogspot.com/2009/01/um-pais-em-ocaso.html

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ATIREM-ME ÁGUA FRIA

por Pedro Sousa em 2 de Janeiro de 2009

em Com a devida vénia

Eu a concordar com Pacheco Pereira?

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O que vou escrever vai por os cabelos em pé a muita gente. Mas nestes dias de crise mais vale ter emprego, mesmo que mau, desprotegido, sem direitos, precário, do que não ter emprego nenhum. E é por isso que o reforço dos direitos laborais, o aumento das contribuições sociais, a dificuldade de contratar a recibo verde, a penalização do trabalho “negro”, têm um enorme preço em deixar mais gente na miséria. Em teoria nada há de mais aceitável, na prática nada há de mais injusto, porque em nome de quem tem trabalho e direitos adquiridos, penaliza-se quem quer qualquer trabalho, porque não encontra um trabalho decente. Para além disso é ineficaz, porque muita gente que não aceitaria trabalhar em condições de precariedade está hoje disposta a fazê-lo em quaisquer condições. A necessidade obriga e a necessidade tem muita força.
É um retrocesso em termos sociais? Certamente que é, mas a alternativa é um retroceso ainda maior, é a pobreza. Não estamos em períodos de normalidade, precisamos de soluções excepcionais, mesmo que temporárias, indexadas por exemplo, aos indicadores de desemprego e de pobreza. Porque na prática, há por aí muita procura de trabalho que não se materializa, porque empregar sai demasiado caro.

(o bold é meu)

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LENDO POR AÍ

por Pedro Sousa em 31 de Dezembro de 2008

em Com a devida vénia

As dezenas de milhares de utentes que afluíram às urgências hospitalares e aos centros de saúde, nos últimos dias, não se deslocaram a estas instituições para tratar a gripe. Coisa que qualquer avó sabe tratar. Foram buscar os atestados médicos que, desde o tempo de Correia de Campos, só podem ser emitidos por entidades do SNS.

http://www.portugalcontemporaneo.blogspot.com/

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A DERROTA DO PRESIDENTE

por Pedro Sousa em 30 de Dezembro de 2008

em Com a devida vénia

Como já aqui defendi, eu penso exactamente o contrário. Houve uma aposta política de Cavaco Silva que resolveu, a propósito da aprovação do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, independentemente das razões que lhe possam assistir, criar um incidente institucional, querendo forçar a Assembleia da República a rever uma lei que tinha sido aprovada por unanimidade. Não tendo pedido a fiscalização do artigo que motivou o veto político, Cavaco Silva arriscou e perdeu.

a totalidade do post aqui

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LENDO POR AÍ

por Pedro Sousa em 30 de Dezembro de 2008

em Com a devida vénia,Estado de Espírito

I like work: it fascinates me. I can sit and look at it for hours.

Jerome K. Jerome

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A insustentável leveza da inocência

por Pedro Sousa em 16 de Dezembro de 2008

em Com a devida vénia

Alegre não é mais do que a boa consciência da esquerda que se orgulha de não ter cedido perante o pragmatismo inevitável do poder. O seu discurso é o de alguém que nunca governou nem, arrisco eu, saberia bem como o fazer se lhe fosse dada a oportunidade. Por isso, e contra a capitulação e os desvios direitistas do PS, Alegre enche o peito e pede coragem e vontade de mudar. Cheio de boas intenções, Alegre recorre a todos os chavões moralistas da esquerda tradicional. Há quem se deleite com isto e o veja como alguém que se manteve puro e que não traiu os mais elevados princípios e valores da esquerda. Ele é o virtuoso; o sonhador; o bom. Ele é a esquerda que não aprende, nem aprenderá, em todo o seu esplendor. Alegre é uma ‘alma bela’, que não se compromete com a acção política, sendo essencialmente negativa e acusatória. É do alto da sua inocência que ele recrimina quem traiu os seus elevados ideais. A vacuidade do discurso é total, e resume-se basicamente a umas quantas proclamações de um sentimentalismo bem intencionado mas irresponsável. Manuel Alegre pode querer ser muitas coisas, mas eu aposto que ele deve querer sobretudo manter-se inocente. A eficácia do seu ‘discurso político’ depende disso

daqui: http://jugular.blogs.sapo.pt/555836.html

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LENDO POR AÍ…

por Pedro Sousa em 8 de Dezembro de 2008

em Com a devida vénia

«Sempre que o confronto entre os professores e a ministra da Educação sobe ao Parlamento assistimos a um facto estranho: o PSD parece estar do lado dos sindicatos. O mesmo se passa com os professores sindicalistas mais ligados ao PSD, nomeadamente os que alinham na FNE ou no Sindep, cuja posição não se mostra claramente diferente daquela que a Fenprof vem defendendo. Ou seja, o PSD nesta ‘guerra’ toma partido contra a ministra e, por essa via, a favor dos professores.

O reflexo é simples: se os professores estão contra o Governo, o PSD entende que deve aproveitar essa onda (em boa verdade, não se percebe bem se é a direcção do PSD ou parte do PSD, porque esse é outro dos problemas que o maior partido da oposição tem neste momento).

Aconselharia o bom senso, porém, que o PSD fizesse uma leitura mais cuidada do conflito. É que, além de questões seguramente importantes, como o excesso de burocracia na avaliação ou o método como esta tem sido imposta (sem sucesso visível) aos professores, existe algo de mais fundo neste combate: e não é a simples ideia de que não é necessária uma hierarquização da carreira ou de que as progressões devem ser automáticas, que parecem ser o cerne daquilo que os professores pretendem. É muito mais grave do que isto: na verdade, assistimos a uma tentativa de impedir a aplicação de uma lei, através da mobilização de manifestações e de greves. Algo que nenhum governo de país democrático pode aceitar como método. Como nenhum partido que aspira a ser poder, sobretudo se for do espectro do centro-direita – como o PSD -, pode aceitar.

Ao posicionar-se nesta guerra como se de um mero confronto político, sem outros contornos, se tratasse, o PSD tem degradado a sua imagem e dado tiros no pé.

Parte do editorial do Jornal Expresso desta semana.

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