O recente anúncio da possibilidade de não serem lançadas diversas concessões onde se inclui a Concessão Vouga – aquela que integra a “variante” – caiu que nem uma bomba entre todos nós.
Sejamos claros: esta informação faz das declarações de José Sócrates aquando da visita a Arouca um acto vazio e com a gravidade das promessas por cumprir.
Não é possível aceitar que um Primeiro Ministro (mesmo em campanha) assegure, olhos nos olhos, a uma população, que a sua principal reivindicação irá avançar, dizendo até que está a fazer justiça e depois tudo cair por terra.
Esse ponto é inultrapassável: José Sócrates deve-nos o cumprimento dessa promessa.
Nem o argumento de que o recente partido com um quase ódio ao investimento público – o PSD – pressiona a redução desse investimento, pode servir para justificar o acto. O cumprimento de tão justa e necessária obra tem de vincular José Sócrates. Ele tem de a fazer valer. E este “atraso” tem o carimbo de PSD, CDS-PP e PS na Assembleia da República.
Há uma certeza que tenho: se o PS tivesse maioria, a obra avançava. Esta oposição que parece julgar ter vencido as eleições, é um entrave ao desenvolvimento do país (excepto, talvez, ao desenvolvimento das terras de Alberto João).
Artur Neves será, provavelmente, o arouquense com maior frustação neste momento. Quem tem como função delinear o futuro do nosso concelho, tem de poder acreditar na informação que recebe para que possa desenvolver bem a sua missão. E o que fizeram foi dar a informação errada.
Mas o que conheço de Artur Neves diz-me que, neste momento, a frustação já se transformou em “ganas” de procurar arranjar formas de ultrapassar o problema.
A discussão sobre uma eventual demissão do executivo camarário é estéril e apenas está nas mentes mais radicais que por aí pairam. O Presidente da Câmara não apresentou um programa de uma só linha onde dizia “Variante”. Apresentou um programa com uma miríade de iniciativas e obras e deve ser avaliado pelo seu cumprimento.
Ninguém pode acusar Artur Neves de ter mentido aos arouquenses. Isso é, em si, uma mentira.
Temos um Governo que acredita nas virtudes do investimento público.
Temos o compromisso olhos nos olhos de José Sócrates
Temos uma reivindicação de uma justiça inegável
Temos orgãos autárquicos orientados no mesmo sentido e solidários
Temos a Junta Metropolitana do Porto do nosso lado
Temos um Presidente de Câmara que tem sido incansável na busca da “mãe de todas as obras”
Temos agora de aguardar mais uns tempos para perceber a veracidade de toda a informação que foi vinculada… Ainda recentemente lemos que fontes do Ministério das Obras Públicas espera “orientações específicas” nessa matéria.
Passado o choque inicial é importante que todos percebam que a Câmara Municipal e o Partido Socialista (e julgo que os restantes partidos) ainda não atiraram a toalha ao chão. Os arouquenses não o iam perceber.
Não avançar neste anos que agora aí vêm com a conclusão da Variante (seja em que formato for) será desferir um duro golpe no nosso concelho.
Permitindo-me citar o meu amigo Vitor Mendes do Jornal Discurso directo num feliz editorial da última 6º feira “Neste caso fomos roubados de uma estrada que já era nossa. Queremos justiça e a construção da variante“.
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