Liberty without learning is always in peril; learning without liberty is always in vain
John F. Kennedy
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Ponto por Ponto constroi-se uma opinião… aqui junta-se a mania de ter opinião sobre tudo!
Do arquivo mensal:
Liberty without learning is always in peril; learning without liberty is always in vain
John F. Kennedy
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O ZÉ, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã. Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China). Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).
Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.
Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.
Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.
Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL …!O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir 150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas e, ainda por cima, cria postos de trabalho.
tirado daqui
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No prefácio que fez a uma obra de Mário Bernardes Pereira interrogava-se Aquilino, muito provavelmente sabedor das coisas de Arouca, sobre os motivos que, naqueles anos de penúria, levavam uma multidão faminta e sedenta de riqueza a remexer serras e ribeiros de Portugal, sugerindo mesmo que se buscassem as analogias com a corrida ao ouro, que cem anos antes, enxameara com outras multidões uma distante Califórnia
[...]
Conduzir a tese a Arouca era pois importante – não à Arouca moderna, atractiva e acolhedora, crescentemente descoberta pelo turismo massempre lutando por melhores acessibilidades, surpreendentemente ainda perto e longe do Porto, mas – como em filme de época – levando a uma Arouca “em valores correntes dos anos 40”, o mais possível ao sabor do momento em que as coisas se passaram, de predomínio agrícola, pronunciada clivagem social e forte emigração que a todos atingia e em que, de entre as vinte freguesias que, desde 1917, formavam o concelho, era possível destacar seis “freguesias mineiras”.
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Examinei as desenvolvidas teses – uma das quais, e de forma pioneira, já focara Arouca – sobre as notícias e efeitos internos da corrida à riqueza numa sociedade de cunho rural, pouco habituada a fortunas fáceis e inesperadas e já esquecida, por superveniência de crises, da breve experiência de novo-riquismo volframista no termo da I Guerra. Uma reflexão neste ponto sobre o que existia e a perspectiva estabelecida para o trabalho, levou-me a concluir que me ficara campo livre e independente para poder prosseguir na trilha idealizada. Gizado pois um plano, cobrindo as fontes documentais previstas e disponíveis, estabelecendo as acções de campo, abalei para a austeridade das terras altas e dos vales profundos do Paiva, do Paivó e seus afluentes, numa verdadeira etnografia de emergência – dado o sucessivo apagamento no tempo de muitos que poderiam contar muito e a dificuldade de procurar outros fora de Arouca.
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O mesmo apelo à conservação se faz para os registos das Juntas de Freguesia, cujo valor surpreende por vezes os próprios autarcas e em que, além dos conteúdos habituais, surgem verdadeiras preciosidades. Uma das várias encontradas consiste na afirmação do secretário de Alvarenga que, em 1914, personaliza a página de abertura do competente livro, com caligrafia, assinatura e – detalhe inédito – com a aposição da sua própria fotografia, que aqui se mostra não como mera curiosidade mas como sinal de entendimento da mensagem subjacente e que, um século depois, aqui se cumpre: “ser lembrado”.
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Um último capítulo estabelece o já referido ponto de situação quanto ao estado de “memória e esquecimento” na sociedade arouquense. Os inquéritos realizados nas gerações “dos filhos” e “dos netos” acabaram por demonstrar que – mesmo no caso mais afastado das zonas mineiras – o valor da transmissão oral, a nível familiar ou em círculos de amizade próximos, prevalece sobre o conhecimento adquirido na escola ou através dos meios de comunicação social, o que demonstra a subsistência – até ao momento – de uma memória social valorizada e ainda actuante.
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