A “CARTA” DE LUIS FERREIRA DA SILVA

por Pedro Sousa em 18 de Agosto de 2009

em Arouca

Conforme a maioria de vós sabe fui, desde sempre, um militante de base do PPD/PSD que, por força de diferentes circunstâncias, desempenhou, ao longo dos tempos, os mais diversos cargos dentro das estruturas locais e distritais do partido, bem como nas estruturas autárquicas do nosso município.

Desempenhei as funções de vogal, de vice-presidente e de Presidente da C.P. da J.S.D. e do PPD/P.S.D. e fiz, honrosamente, ao longo de anos, parte de várias Assembleias Municipais presididas por ilustres companheiros deste grande partido, da Drª Salomé Martingo ao Professor Zeferino Duarte Brandão, passando pelo Professor Joaquim Brandão de Almeida. Tive igualmente o raro privilégio de partilhar lugar de bancada com o saudoso Dr. Arnaldo de Brito Lhamas e com ele aprendi a fazer politica, mas de forma séria e empenhada, como agora interessa a poucos. È pena porque se vão perdendo as referências e os (bons) exemplos. Sem memória e sem referentes não há política, mas politiquice.

De permeio, na minha caminhada “politica”, fui candidato a deputado à Assembleia da República pelo Distrito de Aveiro, desempenhei funções de adjunto do Presidente da Câmara de Arouca, Prof. Zeferino Brandão, fui membro da Assembleia de Freguesia de Arouca, e exerci, como ainda exerço, o cargo de líder parlamentar do grupo do PPD/P.S.D., na Assembleia Municipal de Arouca, a par de membro da Assembleia Metropolitana do Porto e de vogal do Conselho de Jurisdição Distrital do PPD/PSD de Aveiro.

Durante todo este tempo, travei várias batalhas politicas, uma ganhas outras perdidas, sempre com empenho, desinteresse pessoal e procurando servir, acima de tudo, os superiores interesses da minha terra e do meu País, conforme disso podem ser testemunhas os que me acompanharam, mormente os meus adversários políticos.

Posto isto e como era expectável, com o aproximar das próximas eleições autárquicas, fui convidado pelo Presidente da actual comissão politica do PPD/PSD, e candidato à Câmara Municipal de Arouca, a assumir a responsabilidade de novo mandato na Assembleia Municipal, nos seguintes termos:

Que era reconhecido por todos a minha capacidade de liderança do grupo do PPD/PSD na A.M;

Que tinha tido ao longo dos anos, e concretamente nos últimos quatro anos, uma prestação ímpar e de elevada qualidade;

Que o valor da minha prestação era igualmente reconhecido e respeitado pelos adversários políticos;

Que a minha participação na futura Assembleia Municipal era da maior importância em face da qualidade da minha prestação e capacidade de liderança, bem como pelo aturado conhecimento que tenho da realidade do Município;

Que desejava (m) que continuasse a desempenhar as funções de líder da bancada do PPD/PSD e que concorresse em nome do PPD/P.S.D. a novo mandato na Assembleia Metropolitana do Porto;

E por último, que aceitasse o… terceiro lugar (!) ou, na melhor das hipóteses, o segundo, na lista de candidatos à Assembleia Municipal a apresentar pelo P.S.D. nas próximas eleições autárquicas.

Ora, por tudo o que me foi dito, ou mais ainda pelo que sinto e sei, e sem falsas modéstias, até porque já fui por duas vezes o número dois na lista à A.M., a consequência natural(íssima) era que fosse candidato do PPD/P.S.D. à Presidência da Assembleia Municipal. Sê-lo-ia por mérito e por justiça, e não por razões pseudo-eleitoralistas ou outras ainda mais enviesadas.

Tenho enorme dificuldade em perceber a “lógica” inerente a semelhante raciocínio onde a conclusão não tem rigorosamente a ver com as premissas.

Posto isto, não me restou outra alternativa senão a de não aceitar o “convite” da actual comissão politica.

Senti a necessidade de dar esta explicação pública pelas muitas abordagens que, acerca deste assunto, tenho tido por parte de militantes e simpatizantes do PPD/PSD e da JSD, pelos meus pares que me acompanharam ao longo do tempo na Assembleia Municipal e por um conjunto anónimo de pessoas que se interessam por estas coisas.

Agradeço às diferentes forças políticas que me endereçaram honrosos convites para as suas listas que declinei por dever de consciência

Sou e continuo a ser, honrosamente, militante do PPD/P.S.D., (porque, felizmente, o todo não é igual, nem se confunde, com a parte), continuarei a acompanhar atentamente a política local e hei-de estar sempre disponível para fazer mais e melhor política.

Desejo que, quem quer que seja o vencedor das próximas autárquicas, se apaixone pelo que faz e dê o melhor de si para bem de todos nós que cá vivemos, de facto.    

 Luís Ferreira da Silva – Militante do P.S.D. n.º 8009

retirado do Roda Viva

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1 arouka 18 de Agosto de 2009 às 0:34

Embora se possa ver aqui algumas semelhanças motivacionais subjacentes e transversais com o caso Campelo de Sousa (PS), não há dúvida que este texto revela muito maior dignidade e elevação do que o de CS.
Por isso a minha admiração pelo seu autor e a minha pena por ficar na prateleira política um bom e indispensável elemento da Assembleia Municipal com bastante experiência e suficientes provas dadas.
Mas a política tem destas coisas! Infelizmente!
José Cerca

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2 Odin Thor 18 de Agosto de 2009 às 9:35

Não percebo qual a surpresa do Luís Ferreira da Silva.
Se é militante do PSD, é obvio que dificilmente teria lugar nestas litas do PSD (?).
Assim vai o nosso PSD!

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3 Pedro Sousa 23 de Agosto de 2009 às 3:02

Interrogo-me se isto não será resultado de uma falta de espirito democrático no PSD (à imagem do PSD nacional) e é uma vingança pelo facto da esposa da Dr. Luis Ferreira da Sillva estar na lista da UPA

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