Passou-me completamente ao lado a razão que leva um jornal (ainda que seja um género de Maria dos jornais nacionais) a fazer uma primeira página com aquela questão das indumentária a usar na Loja de Cidadão de Faro.
Existir dress code numa função ou num evento é a coisa mais vulgar que existe. Uma primeira página daquelas é o mesmo que escrever “Funcionários da Loja do Cidadão de Faro obrigados a urinar nos WC’s”. Algo óbvio, não?
Estamos assim tanto sem assunto? Bolas, liguem ao Pacheco Pereira que ele lembra logo o que deve estar em todas as primeiras páginas, todos os dias “Freeport”. Isso sim…
{ 4 comentários… lê abaixo ouadiciona }
De facto o Freeport não devia estar na primeira página: é só um caso entre muitos que se vão acumulando… O que devia estar ma primeira página, todos os dias, é o comportamento do PS perante algumas propostas de lei anti-corrupação…
Caro Azevedo,
Infelizmente não tive a oportunidade de ouvir o que João Cravinho teve a dizer sobre o tema.
No entanto, António Costa no programa da Quadratura do Círculo deu uma boa explicação para o principal obstáculo a aprovação de leis como a que foi proposta (e veja que até Pacheco Pereira concordou): é que na Justiça Fiscal mudar o ónus da prova é mais fácil, dado que o máximo que pode acontecer é o cidadão ter uma multa pecuniária e ter de restituir valor ao Estado; mas inverter o ónus da prova na Justiça Penal – isto é, que pode levar à privação da liberdade – é um caminho de uma perigosidade extrema.
De qualquer forma, todos andamos fartos da ausência de notícias sobre a prisão de 1 corrupto. Há claramente a ideia que a corrupção compensa e isso deve ser atacado. Tem de se exigir aos Governos legislação e meios para que as polícias investiguem em consigam condenações, mas nunca com a fragilização total do cidadão que é inocente até prova em contrário.
A ideia é bonita, para não se aprovar nenhuma lei contra a corrupção, mas façamos a coisa como um lugar comum: o excelentíssimo cidadão passeava-se de 4L, de repente o cidadão acelera num Mercedes. O cidadão tem de explicar onde arranjou o”bago” para a bomba. Recebeu uma herança dumas tias ricas… vá em paz e guarde o seu bom nome… Caso contrário: cadeia!
É esta coisa simples, sem os rodriguinhos da retórica judiciária, que interesse o resto é cera… Aliás é ja isto o que se passa em alguns países da Europa dita civilizada.
Caro Azevedo,
Percebo o ponto, mas acho isso demasiado simplista. Permita-me citar o Juiz Desembargador Rui Rangel num artigo publicado recentemente:
Não podemos confundir aquilo que são sinais exteriores de riqueza – e que cai no âmbito fiscal – e o que é inrequecimento ilicito – que cai no âmbito penal. Eu sei que, com tantos casos que vemos à nossa volta, dá vontade de ser “curto e grosso”. Mas neste tema não acredito que isso seja possível.