O VERDADEIRO CEGO

por Pedro Sousa em 17 de Agosto de 2007

em Estado de Espírito

Numa cerimónia religiosa a que, infelizmente*, tive de assistir durante a tarde de hoje, o pároco em questão disse algo que achei extremamente interessante. Apesar de ser uma ideia comum, foi colocado de forma que, no momento, me pôs a pensar. Disse o mesmo: “Aquele que apenas vê o material e mensurável é, na realidade, cego”.

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Efectivamente, cada vez que passamos por uma situação mais difícil, começamos a pensar naquilo a que nos podemos e/ou devemos agarrar e acabamos por verificar que é o imaterial que melhor nos segura nessas situações. E não falo de questões religiosas (ainda que não as exclua), mas as questões da vivência, dos amigos, da família.

Há que concordar que quem não vê esta realidade imaterial corre o risco de, de um momento para o outro, se ver perdido, sem nada, sem referências… cego. Sem ver o mundo, enterrando-se num lamento de quem acha que não tem nada.

Mesmo os que possam ter pouco para ver de mensurável e material, podem ter uma extraordinária visão sobre o que os rodeia.

E essa cegueira poderá ser a pior de todas!

*nota: o termo “infelizmente” não tem a ver com o facto de ter de ir a uma cerimónia religiosa, mas sim a razão que me levou a esta em particular. Uma história quase macabra… o falecimento de uma jovem mãe, logo após ter dado à luz gémeos.

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