No prefácio que fez a uma obra de Mário Bernardes Pereira interrogava-se Aquilino, muito provavelmente sabedor das coisas de Arouca, sobre os motivos que, naqueles anos de penúria, levavam uma multidão faminta e sedenta de riqueza a remexer serras e ribeiros de Portugal, sugerindo mesmo que se buscassem as analogias com a corrida ao ouro, que cem anos antes, enxameara com outras multidões uma distante Califórnia

[...]

Conduzir a tese a Arouca era pois importante – não à Arouca moderna, atractiva e acolhedora, crescentemente descoberta pelo turismo massempre lutando por melhores acessibilidades, surpreendentemente ainda perto e longe do Porto, mas – como em filme de época – levando a uma Arouca “em valores correntes dos anos 40”, o mais possível ao sabor do momento em que as coisas se passaram, de predomínio agrícola, pronunciada clivagem social e forte emigração que a todos atingia e em que, de entre as vinte freguesias que, desde 1917, formavam o concelho, era possível destacar seis “freguesias mineiras”.

[...]

Examinei as desenvolvidas teses – uma das quais, e de forma pioneira, já focara Arouca – sobre as notícias e efeitos internos da corrida à riqueza numa sociedade de cunho rural, pouco habituada a fortunas fáceis e inesperadas e já esquecida, por superveniência de crises, da breve experiência de novo-riquismo volframista no termo da I Guerra. Uma reflexão neste ponto sobre o que existia e a perspectiva estabelecida para o trabalho, levou-me a concluir que me ficara campo livre e independente para poder prosseguir na trilha idealizada. Gizado pois um plano, cobrindo as fontes documentais previstas e disponíveis, estabelecendo as acções de campo, abalei para a austeridade das terras altas e dos vales profundos do Paiva, do Paivó e seus afluentes, numa verdadeira etnografia de emergência – dado o sucessivo apagamento no tempo de muitos que poderiam contar muito e a dificuldade de procurar outros fora de Arouca.

[...]

O mesmo apelo à conservação se faz para os registos das Juntas de Freguesia, cujo valor surpreende por vezes os próprios autarcas e em que, além dos conteúdos habituais, surgem verdadeiras preciosidades. Uma das várias encontradas consiste na afirmação do secretário de Alvarenga que, em 1914, personaliza a página de abertura do competente livro, com caligrafia, assinatura e – detalhe inédito – com a aposição da sua própria fotografia, que aqui se mostra não como mera curiosidade mas como sinal de entendimento da mensagem subjacente e que, um século depois, aqui se cumpre: “ser lembrado”.

[...]

Um último capítulo estabelece o já referido ponto de situação quanto ao estado de “memória e esquecimento” na sociedade arouquense. Os inquéritos realizados nas gerações “dos filhos” e “dos netos” acabaram por demonstrar que – mesmo no caso mais afastado das zonas mineiras – o valor da transmissão oral, a nível familiar ou em círculos de amizade próximos, prevalece sobre o conhecimento adquirido na escola ou através dos meios de comunicação social, o que demonstra a subsistência – até ao momento – de uma memória social valorizada e ainda actuante.

mais detalhe aqui

{ 0 comentários }

La grande bouffe

por Pedro Sousa em 28 de Fevereiro de 2010

em País

A seguir às eleições veio o caso Face Oculta que indirectamente envolveu o primeiro-ministro, através de escutas telefónicas, e veio, também, o «plano» de controlo da comunicação social, sobretudo a compra da TVI pela PT, o que deu continuidade à grande farra: José Sócrates é o «cérebro» do dito «plano» – dizem – e mentiu ao Parlamento sobre a compra da TVI. Acrescentam que José Sócrates não tem credibilidade para governar. Até é possível que seja verdade, mas em democracia o que conta é a opinião de todos e não a opinião dos «iluminados». E esse teste só pode ser feito através de novas eleições. Mas fogem todos de eleições como o Diabo da cruz. Temem que a sua opinião não corresponda à opinião do todo nacional – dos eleitores. O Presidente da República, que pode demitir o primeiro-ministro, assobia para o ar; os partidos, que podem apresentar uma moção de censura ao governo, encolhem-se e escondem-se uns atrás dos outros. Para salvar a honra do convento, o PSD e o BE, exactamente os partidos que apanharam o duche gelado nas últimas eleições, vão avançar com uma comissão de inquérito parlamentar para avaliar o grau de envolvimento de José Sócrates no «plano» de compra da TVI pela PT e se mentiu ao Parlamento. No fundo, vão tentar provar se «sexo oral é sexo». E vão levar como prova, em vez de um vestido com nódoas, as nódoas colhidas pela polícia através de escutas telefónicas. O PSD e o BE não vão dignificar a figura da comissão de inquérito, nem o Parlamento. Vai continuar a degradação do regime, mais do que a imagem de José Sócrates, só porque o Presidente da República e os partidos da oposição temem eleições e optaram por «cozer» José Sócrates em lume brando. É mau. Muito mau.

Tomás Vasques

{ 0 comentários }

O QUER O PSD PARA O PAÍS?

por Pedro Sousa em 28 de Fevereiro de 2010

em País

Manuela Ferreira Leite disse que a continuar com estas políticas, Portugal está a caminhar rigorosamente para o mesmo destino que a Grécia.

E o que faz o PSD quanto a isso? Bem, proíbe os seus deputados de propor alterações ao orçamento.

Portanto, querem que o país vá pelo caminho da Grécia, é isso?

{ 0 comentários }

PORQUE SÃO NOTÍCIAS RARAS…

por Pedro Sousa em 28 de Fevereiro de 2010

em País

… temos de as registar

Sporting goleia e afasta FC Porto do ‘penta’

{ 0 comentários }

PSD DIFICULTA AINDA MAIS A VIDA AOS AROUQUENSES

por Pedro Sousa em 28 de Fevereiro de 2010

em Arouca,País

Não é desprovida de lógica a ideia de que a resistência social-democrata a tudo o que é investimento público foi uma das responsáveis pelo adiamento da Concessão Vouga e, em seguimento, ao adiamento da ligação de Arouca à Feira.

Movimentações de cidadãos arouquenses e também dos orgãos políticos locais têm lutado contra essa decisão, procurando que o Governo decida fazer a obra.

Agora, Manuela Ferreira Leite vem prejudicar ainda mais a luta quando decide isto:  Manuela proíbe PSD de propor alterações ao Orçamento

Devemos todos agradecer…

{ 10 comentários }

SEGREDO DE JUSTIÇA

por Pedro Sousa em 27 de Fevereiro de 2010

em País

O SOL diz que os suspeitos do Face Oculta foram avisados de que estavam a ser escutados…

será que foi o mesmo que avisou o SOL da providência cautelar que levou os seus directores a estar longe no momento certo?

{ 0 comentários }

TRAGÉDIA NA MADEIRA

por Pedro Sousa em 27 de Fevereiro de 2010

em País

É óbvio que nestas alturas é sempre difícil falar de responsabilidades… mas há quem já tenha dado grandes alertas há quase 2 anos…

{ 0 comentários }

AUDIÇÃO DO DIRECTOR DO SOL

por Pedro Sousa em 27 de Fevereiro de 2010

em País

A audiência ao Director do Sol – aquele que disse que só valia a pena lançar um semanário se fosse para vender mais que o Expresso, e agora vende talvez metade – teve frase fantásticas e que demonstram bem como o editor dá seguimento aos factos e às notícias:

“fazer contraditório com os visados é pura burocracia, não adiantava nada para o esclarecimento dos factos”

“BCP queria alterar a linha editorial do jornal Sol, queria decapitar a direcção do Sol”

“Vara falou com Sócrates sobre o Sol” (JAS). “Como sabe?” (CDS). “Estou convencido. Demoraria muito a explicar. Certeza quase absoluta” (JAS).

Além disso, numa resposta teve o descaramento de dizer – sobre uma conversa dele com outra pessoa – que “não revela conversas privadas em público”. Os Monty Python não diriam melhor

{ 0 comentários }

ENTREVISTA MST

por Pedro Sousa em 27 de Fevereiro de 2010

em País

    CM: Os casos de Manuela Moura Guedes e Mário Crespo não foram censura?

    MST: Você acha? Há um director de jornal que recusa publicar uma crónica e no dia seguinte o texto está no site do Instituto Sá Carneiro e uma semana depois editado em livro. Eu já vivi num país com censura, já conheci países com censura, e não me lembro de censura assim. E quando vejo a Manuela Moura Guedes ter direito a 20 minutos em directo do telejornal para dizer que há censura… Sinceramente, tomara a líder da oposição birmanesa.

    CM: O que se passa então agora entre a classe política e a classe jornalística?

    MST: Penso que é preciso dar nas vistas, isso é que vende jornais. Há uma confusão de conceitos, que não sei se é voluntária, se é negligente, mas que está a ser feita de forma leviana. Expressões como ausência de liberdade, ditadura, são demasiado graves para serem usadas porque um director de jornal recusou publicar uma crónica do Mário Crespo sem que este revelasse qual era a sua fonte. Eu já fui director e não publicaria uma coisa baseada em fontes anónimas de restaurante. Não pode ser.

    (…)

    CM: Mas a sua crítica é ao facto de virem a lume conversas que estavam em segredo de justiça?

    MST: Isso é o ponto n.º 1. Ponto n.º 2 é como se faz um jornalismo com base nisso. Se me tivesse chegado à mão, eu pedia ao jornalista que investigasse. Não publicava assim. Agora, ter um amigo no Ministério Público ou na Polícia Judiciária que, à socapa, lhe manda o processo das escutas não tem nada de investigação.

    (…)

    CM: Quando terminou o “Jornal Nacional de 6.ª”, disse que era o fim do “jornalismo nacional de manipulação”…

    MST: E disse que era um atentado à liberdade. Nunca vi, em nenhuma televisão do mundo, um jornal como aquele.

    CM: Considera que esteve demasiado tempo no ar?

    MST: Acho que nunca deveria ter estado no ar. Pense-se o que se pensar do actual primeiro-ministro, aquilo era um jornal para atacar uma pessoa concretamente. E às vezes perguntava por que não se fazia uma emissão contra o Paulo Portas ou a Manuela Ferreira Leite, outra contra o Jerónimo de Sousa ou o Louçã. Não há nada? Porque não investigam os submarinos ou os dinheiros da Festa do “Avante!”. Lembro-me de ter dito à [jornalista] Ana Leal: o que acontece ao vosso jornal no dia em que o Sócrates for absolvido? O jornal morre por falta de objecto. O caso Freeport dura há seis anos por uma única razão: porque ainda não conseguiram entalar o Sócrates. Se fosse o Zé dos anzóis já tinha sido arquivado. Acho inconcebível que um primeiro-ministro viva sob suspeita de corrupção durante seis anos e que os contribuintes estejam a pagar esta investigação. Nós não podemos ser governados por alguém que não sabemos se é corrupto ou não. O Ministério Público tem obrigação de, rapidamente, apurar aquilo. Ou tem, ou não tem indícios. Agora, permitir que o primeiro-ministro seja queimado em lume brando na imprensa enquanto eles arrastam o processo à pesca à linha, a ver se alguém morde o anzol, é inconcebível. Eu não quero ser julgado assim. Não quero ter um primeiro-ministro julgado assim.

resumo retirado do Corporações

{ 0 comentários }

TODOS POR UM PAÍS MAIS SOLIDÁRIO

por Pedro Sousa em 26 de Fevereiro de 2010

em Arouca

Um grupo de arouquenses decidiu iniciar um Movimento no Facebook que pretende alertar para a necessidade de lançar a obra de uma ligação rápida entre Arouca e Santa Maria da Feira.

O movimento conta já com mais de 1000 aderentes e agora iniciou-se uma petição on-line para dar mais força aos seus argumentos.

Por um país mais solidários, assine aqui

Petição Pela conclusão da 2ª fase da via estruturante Arouca-Feira

http://www.peticaopublica.com/?pi=ARC2010

{ 0 comentários }