Acho que se chama dualidade de critérios II

por Pedro Sousa em 14 de Março de 2009

em País

Aquando do último relatório do Eurostat sobre comércio, escrevi este post onde mostrava a dualidade de critérios do Público. Quando há uma má notícia publica-se, quando há exactamente a mesma (na realidade até era melhor naquele exemplo!) mas em versão positiva, omite-se.

Hoje saiu mais um relatório que é, por sorte minha, exactamente o oposto do último. Entre os países mencionados, Portugal teve o segundo melhor comportamento (segundo pior há um mês) e o melhor em absoluto na Zona Euro (pior absoluto há um mês).

 

O título e parágrafo inicial no Diário Digital há um mês:

Retalho: Portugal liderou quebra na zona euro em Dezembro

As vendas no sector de retalho nacional caíram 6,9%, em Dezembro do ano passado, a segunda quebra mais forte no conjunto da União Europeia, indicam dados preliminares do Eurostat esta quarta-feira.

Hoje:

Eurostat: vendas no retalho crescem em Janeiro na UE

As vendas no sector de comércio a retalho cresceram 0,6%, em Janeiro, no conjunto da União Europeia (+0,1% na zona euro), face a Dezembro de 2008, revelou o Eurostat esta sexta-feira.

 

Na RTP online há um mês, havia o título :
Vendas a retalho caíram quase 7% em Dezembro- Eurostat

Hoje: Pevas

 

Público há um mês, tinha o título:

Vendas a retalho de Dezembro recuam em Portugal mas estabilizam na Zona Euro.

Hoje: Pevas

 

O título da RTP não dava ênfase à posição relativa de Portugal, apenas ao nível, mas o mesmo não se passava com o texto. Hoje o oposto não mereceu referência. O Público foi muito claro ao comparar Portugal com a Zona Euro, mas hoje que teria a novidade oposta não mereceu notícia. Mas o prémio vai para o Diário Digital. Em ambos os casos teve notícia, no primeiro insistiu na comparação, e hoje nem piou no destaque.

http://apentefino.blogs.sapo.pt/

{ 2 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Azevedo 15 de Março de 2009 às 5:40

De facto alguns jornais são uns maus para o ps, um partido que, prima pela verdade dos números.Por exemplo em apenas quatro anos fez descer o insucesso escolar a Matemática em 40 por cento. O que noutros países demora gerações aqui é feito em quatro anos… Cada povo tem o governo que merece, e , se calhar, não merecemos mais do que isto…

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2 F Santos 16 de Março de 2009 às 4:06

Ah, e este fim-de-semana assistimos a uma reviravolta no discurso do PM: agora já não interessam os números, interessam os argumentos.

Caro Azevedo,
como é que é essa de baixar o insusseso a Matemática em 40% em 4 anos?? Está a brincar não está?

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