A “irresponsabilidade” do Governo

por Pedro Sousa em 17 de Maio de 2010

em País

O editorial do Público de hoje é sobre a crise e as consequências ao nível da perda de soberania para a Europa. Como pano de fundo, a “irresponsabilidade” do Governo na gestão das finanças públicas.

Quando o moralismo e a demagogia se juntam, pouco há a fazer — senão lembrar uns números elementares que mostram como a conversa da “irresponsabilidade” não faz nenhum sentido.

Conhecerá o Público o efeito dos estabilizadores automáticos, que aumentam a despesa social em tempos de crise (a protecção social subiu 3,3 mil milhões de euros entre 2008 e 2009)? Conhecerá o efeito da perda de receita pelo abrandamento da actividade económica (que levou a que entrassem menos 4,5 mil milhões de euros nos cofres do Estado de um ano para o outro)? Conhecerá a urgência de lançar pacotes anti-crise, como todos os países fizeram (que contribuíram para que as despesas de investimento subissem 2 mil milhões de euros entre 2008 e 2009)?¹

Somemos estes valores: 9,8 mil milhões. Ora, de 2008 para 2009, o défice orçamental subiu de 4,8 mil milhões (2,9% do PIB) para 15,4 mil milhões (9,4% do PIB): uma diferença de 10,6 mil milhões.

Em traços grossos, aqui tem a Direcção do Público a explicação para a “irresponsabilidade”.

{ 7 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 inquieto 18 de Maio de 2010 às 9:07

Olá Bom dia!

Parece que temos tema de novo!

O Papa foi-se e o circo voltou.

É óptimo!

Pedro não te esqueças!
Po muito aldrabão que o Público seja, conheço um grupo deles ainda maior! E tu bem sabes quem eles são. Até os tens defendido, continuamente. Acho muito bem; devemos miltitar por aquilo em que acreditámnos. Só não percebo qd deixámnos que nos enganem!!

Como parece óbvio já não te lembras do que disseram do Durão, do Santana, juntamente com essa inteligência supra espectacular que é o Constâncio!! Hoje mesmo não se lembra da chacota que fizeram da Manuela, há mesmo poucos meses atrás. E tantos outro…

Pedro; a perspectiva em que o Sócrates e os mais próximos estão a lidar com o assunto, lembra o mais pobre que a condição humana tem.
Um gajo com ZERO no exame de Matemática tomava as decisões que estes tomaram e estão a tomar: Vê:
Com os dados do INE à frente dos olhos, os próprios do Governo, e mais as recomendações que vinham do exterior, há já muito tempo, só um pobre sem miolos dizia aquilo que o Sócrates e o Alegre até, ainda há poucos dias diziam e já não dizem. Isto, com este comportamento, nem os nossos filhos de poucos anos, gostámos de ver a comportar-se assim!
Coloca-te no lugar, se souberes, dos que recentemente tomaram decisões importantes de investimentos, porventura baseados na confiança brutal e firme certeza do Governo!

Meu caro amigo é tempo de procurar distância para ver ao longe.

um abraço,
inquieto

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2 F Santos 27 de Maio de 2010 às 14:37

Conhecerá o PS que o desemprego já crescia e a receita fiscal já diminuía antes de rebentar a crise internacional?

Saberá o PS que é responsável pelo aumento do desemprego?
Saberá o PS que, se promovesse o emprego através de incentivos de baixa ou isenção de IRS das empresas (em vez de o aumentar) não teria necessitado de aumentar os apoios sociais em 3,3 mil milhões de euros?

Saberia o PS quanto gasta o governo em pareceres externos? E o orçamento vergonhoso da Assembléia da República, o PS conhece?

Que descaramento e falta de vergonha a tentativa de se arranjar desculpas para a incompetência!

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3 Pedro Sousa 28 de Maio de 2010 às 1:04

Caro F Santos,

O desemprego crescia antes de rebentar a crise? As coisas que tu escreves… ainda em Fevereiro de 2009, por exemplo, o Director da Organização Mundial do Trabalho dizia que o Governo estava “no bom caminho para combater o desemprego”. A criação líquida de emprego era, em Agosto de 2008, de 133.700 mil empregos. Criação liquida…

Aceitaria que o PS é responsável pelo crescimento do desemprego se à nossa volta os outros países estivessem a estabilizar ou a reduzir o emprego, mas a verdade é que é uma desgraça que está a atingir quase todos os países, o que demonstra o quão falsa é essa leitura.

Não percebi uma outra coisa… dizes que a receita fiscal já diminuía (como se isso fosse mau) e depois dizes que se devia baixar ou isentar o “IRS das empresas”. Então isso não ía diminuir ainda mais a receita fiscal?

O Orçamento da Assembleia não se deve ao PS, mas sim à Assembleia, onde estão todos os partidos. Discordo do assacar da responsabilidade, mas concordo contigo quanto ao excessivo valor que aquela estrutura gasta ao erário público. Hoje já sairam notícias de que pretendem reduzir esse gasto.

Incentivos à criação de emprego?? Mas haverá alguém que mais tenha feito que o PS para isso? Alguns exemplos: Reduzir em 3 pontos percentuais as contribuições para a Segurança Social a cargo do empregador, em micro e pequenas empresas, para trabalhadores com mais de 45 ano; Pagamento de apoio à contratação de 2.000€, acrescido de isenção de dois anos de pagamento de contribuições para a Segurança Social na contratação de jovens; Pagamento de apoio à contratação de 2.000€, acrescido de isenção de dois anos de pagamento de contribuições para a Segurança Social na contratação de desempregados de longa duração; Redução em 50% da contribuição para a Segurança Social na contratação a termo de desempregados com mais de 55 anos; Alargamento dos estágios profissionais para jovens que atingiram, em 2009, 37.000 jovens; etc, etc…

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4 F Santos 31 de Maio de 2010 às 18:00

A receita fiscal diminuía devido à quebra do consumo e não por expresso investimento do governo para que as empresas pudessem aliviar a carga fiscal, sua e dos seus trabalhadores;

O desemprego, na zona euro, estabilizou; em Portugal continua e continuará a crescer;

E do último parágrafo que escreveste, diz-me quantas dessas medidas estão em execução, neste momento.

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5 F Santos 1 de Junho de 2010 às 10:50

“A taxa de desemprego nos países do euro subiu para 10,1% em Abril face aos 10% de Março, enquanto na UE a 27 estabilizou nos 9,7%, anuncia hoje o Eurostat.”

“Em Portugal, a taxa de desemprego subiu para 10,8% em Abril, dos 10,6% verificados no mês anterior.”

In “http://economico.sapo.pt/noticias/desemprego-na-zona-euro-sobe-para-101_91156.html”

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6 Pedro Sousa 4 de Junho de 2010 às 18:43

Caro F Santos,

O aumento do desemprego em Portugal foi mais ou menos o mesmo que foi na zona Euro, apesar de termos uma taxa mais elevada, que deve ser preocupação permanente. A verdade é que, com os constrangimentos orçamentais, não estou a ver de que forma se pode estimular a criação de emprego que não seja pelo crescimento. O primeiro trimestre de 2010 trouxe uma pequena boa nova que talvez venha a ajudar.

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7 Pedro Sousa 4 de Junho de 2010 às 18:45

Caro F Santos,

As empresas aliviar a carga fiscal não é sinónimo de criação de emprego. Não é possível ter a certeza do que farão as empresas com o dinheiro que supostamente poupam. Investem? Contratam? Mandam para off-shores? Compram viaturas mais caras?

Quanto às medidas em execução, estão todas. O que eu enunciei são medidas tomadas, não anunciadas

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