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Segunda-feira, Maio 17, 2010

Dias antes de acusar o ministro Jorge Lacão de negar a realidade da crise como o ministro da Propaganda de Saddam Hussein negou a derrota na guerra, Miguel Frasquilho, o rosto da bancada do PSD para as questões financeiras, assinou um relatório em que elogia a consolidação das contas públicas do Governo de José Sócrates e diz que a queda do rating da dívida portuguesa não reflecte o estado da economia.

O documento intitulado A Economia Portuguesa – Maio de 2010 dirige-se a potenciais investidores estrangeiros. Frasquilho assina à cabeça o estudo que foi fechado antes de selado o plano de austeridade, que passa por subida de impostos, entre o Governo e o PSD.

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A “irresponsabilidade” do Governo

por Pedro Sousa em 17 de Maio de 2010

em País

O editorial do Público de hoje é sobre a crise e as consequências ao nível da perda de soberania para a Europa. Como pano de fundo, a “irresponsabilidade” do Governo na gestão das finanças públicas.

Quando o moralismo e a demagogia se juntam, pouco há a fazer — senão lembrar uns números elementares que mostram como a conversa da “irresponsabilidade” não faz nenhum sentido.

Conhecerá o Público o efeito dos estabilizadores automáticos, que aumentam a despesa social em tempos de crise (a protecção social subiu 3,3 mil milhões de euros entre 2008 e 2009)? Conhecerá o efeito da perda de receita pelo abrandamento da actividade económica (que levou a que entrassem menos 4,5 mil milhões de euros nos cofres do Estado de um ano para o outro)? Conhecerá a urgência de lançar pacotes anti-crise, como todos os países fizeram (que contribuíram para que as despesas de investimento subissem 2 mil milhões de euros entre 2008 e 2009)?¹

Somemos estes valores: 9,8 mil milhões. Ora, de 2008 para 2009, o défice orçamental subiu de 4,8 mil milhões (2,9% do PIB) para 15,4 mil milhões (9,4% do PIB): uma diferença de 10,6 mil milhões.

Em traços grossos, aqui tem a Direcção do Público a explicação para a “irresponsabilidade”.

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