Empobrecimento (1)

por Pedro Sousa em 28 de Junho de 2009

em País

Manuela Ferreira Leite, candidata a Primeira Ministra à frente do PSD, repetiu à exaustão, em toda a entrevista alguns sound bites, como ela gosta de dizer: o endividamento do país, a sua enormíssima preocupação, o empobrecimento do país, e que iria fazer diferente de José Sócrates. Como e em que situações, ninguém ficou a saber.

Sobre os investimentos mais uma vez repetiu que os grandes investimentos (leia-se TGV, aeroporto, 3ª travessia do Tejo e …, não sei mais) não combatem a crise e que não podem ser efectuados por causa do endividamento do país. É claro que o facto de o governo já ter dito e repetido que estes investimentos não servem para combater a crise, mas que são estruturantes e essenciais para a sua modernização e preparação para o futuro, não interessa nada. É melhor repetir a faláciaa verdade de Manuela Ferreira Leite. Quanto ao facto de serem investimentos que já foram resolvidos e combinados há décadas, por vários governos, também não interessa nada. É preciso estudar mais, reavaliar outra vez, porque não têm elementos sobre estes assuntos. Não esqueçamos que não há qualquer economista credível que não concorde com ela. As barragens, como já estão em andamento, já não é possível parar, senão…

 Claro que o combate ao défice só existiu porque existe défice por culpa do Eng.º Guterres, e se não fosse o governo de Durão Barroso ele estaria muito pior, porque como todos sabemos, Manuela Ferreira Leite só não resolveu as contas públicas porque não teve tempo. E o Eng. Sócrates, que em dois anos reduziu o défice à custa das receitas (disse Manuela Ferreira Leite), com um abalozinho de terra que é esta crise, estragou-se logo tudo.

 Manuela Ferreira Leite quer é salvar as pequenas e médias empresas, tratando-lhes da tesouraria e, aí sim, indicou uma medida – o estado deve pagar as suas dívidas às empresas, com a qual, aliás, estou totalmente de acordo. Não aumentará os impostos e baixa-los-á logo que lhe for possível. Quais e como e quando não sabe.

 Em relação à nacionalização do BPN acha que foi precipitada e feita em cima do joelho porque havia alternativas, embora não tenha falado de uma única. Já no que diz respeito ao BPP (cuja falência, como calculamos, causaria um muito maior impacto do que a do BPN, tanto pela altura em que ocorreria como pelas repercussões que teria, muito superiores com o BPP do que com o BPN, sem qualquer dúvida) acha que é uma questão muito preocupante por causa da confiança no sistema financeiro e cito de cor: Não entregamos os nossos filhos a qualquer pessoa nem entregamos o nosso dinheiro a qualquer banco. É claro que o governo agiu horrivelmente mal e que não tomou as devidas providências, tendo-se calado durante 8 meses. Perguntada como teria ela resolvido o problema, ficámos a saber que não se teria calado durante 8 meses…

 O problema dos apoios sociais é um assunto de que começou a falar há cerca de 1 ano, muito antes do Eng.º Sócrates. O que faria diferente? O mínimo é fazer em vez de dizer que faz, porque não sabe de onde vem o dinheiro que é anunciado pelo Eng. Sócrates. Fará algo com transparência. O quê e como, também não especificou.

 Terminou com a sua grande preocupação de cidadã pelo facto de haver uma empresa com accionistas, das quais um é o Estado, que se propõe fazer um negócio ruinoso, segundo Manuela Ferreira Leite, pagando por uma empresa 150 milhões de euros com o único objectivo de calar uma voz incómoda na TVI, ou seja duas, a de José Eduardo Moniz e Manuela Moura Guedes, porque quer controlar aquele órgão de informação.

 Confusos? Defraudados? Não desanimem. Em Julho será publicitado o programa de governo, que não será um calhamaço que ninguém lê. Estarão lá as respostas ao que fazer com a educação – estatuto da carreira docente, avaliação de desempenho, aulas de substituição, inglês obrigatório no 1º ciclo, reorganização das escolas coo o fecho das que tinham menos de 10 alunos; relativamente à saúde – reorganização das urgências e dos cuidados primários de saúde, investimento nos genéricos, manutenção da universalidade do sistema, parcerias público privadas, etc., etc., etc.

 Apenas temos a certeza de que irá rasgar o que foi feito. E que não julga as pessoas, principalmente quando se chamam Dias Loureiro.

 Há outra certeza, mas esta é minha – não quero Manuela Ferreira Leite como Primeira Ministra.

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1 F Santos 29 de Junho de 2009 às 17:50

“Quanto ao facto de serem investimentos que já foram resolvidos e combinados há décadas, por vários governos, também não interessa nada.”

Não sei se concordas com esta afirmação, uma vez que não foste tu a escrevê-la, mas eu digo o seguinte: Interessa e muito, quando a situação sócio-económica do país e do mundo o permitirem.

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2 Pedro Sousa 30 de Junho de 2009 às 9:31

Caro,

Isto é investimento, o que é muito diferente de custo. E tudo deve ser ponderado. O problema é que se só avançarmos quando a situação do mundo estiver OK, já outros países vão levar a dianteira na recuperação e nós ainda estaremos no início.
É a tal questão de querer sair da crise preparado para estar logo em velocidade cruzeiro.

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3 F Santos 30 de Junho de 2009 às 18:05

“já outros países vão levar a dianteira na recuperação e nós ainda estaremos no início.” Lembraram-se disso agora, queres ver? Tantas oportunidades para nos aproximarmos da Europa com PS ou PSD no governo, e viu-se. A essa afirmação na minha terra apelidamos de DEMAGOGIA.

Ainda não vi, nem do governo nem da oposição, provas sustentadas da relação custo/benefício de obras desta natureza em Portugal. Tens alguma?

E a questão não é avançarmos quando o país estiver OK. É que neste preciso momento, hás-de concordar, há outras prioridades. E volto ao mesmo: quando estavamos OK, andavamos sempre para traz e os outros para a frente.

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4 Pedro Sousa 30 de Junho de 2009 às 23:39

Caro F Santos,

Se se lembrarem agora, excelente!! Agora, não ser lícito lembrarmo-nos agora só porque nunca nos lembramos, parece-me redutor.
Pior que deixar uma eventual grande dívida para os nossos filhos, é deixar um país sem rumo e condições de competir aos nossos filhos.
A questão do custo/benefício deixo com quem percebe. E acredito que tantos anos depois (recordo que o início do primeiro estudo para o novo aeroporto é de 1969), as decisões são mais do que ponderadas.

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5 F Santos 1 de Julho de 2009 às 15:55

Essa vossa necessidade de deixar obra para inglês ver e a mania das grandezas…

É que nem uma pessoa interessada e informada como tu sabe quantificar o benefício que uma megalomania dessas nos tras! Nem tu nem ninguém! E mais, sendo tu defensor acérrimo, e muito bem, deste governo, deves andar atrapalhado com 2 coisas: a 1ª já disse, é não conseguir quantificar os benefícios destas obras; a outra é justificar, sem ser como sendo uma manobra eleitoral, o abrandar repentino da urgência das adjudicações destas obras. Durante 4 anos, isto tem que andar depressa; de repente, vamos esperar uns mesitos a ver como isto corre.

A malta, está provado, não é estúpida, Pedro! Abram a pestana.

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6 Pedro Sousa 2 de Julho de 2009 às 0:55

Caro F,

Nem tenho que quantificar o benefício. Existem grupos de especialistas que defendem a construção e outros que não. Como obras deste tipo nunca serão consensuais, a decisão é estratégica e política e deve ser tomada. As quantificações dos benefícios estão em diversos estudos. É possível ler uma coisa e o seu contrário. Até no aquecimento global existem opiniões diversas, mas há uma altura que é a da acção.
Acho mal que tenham parado as adjudicações, no entanto, foi Manuela Ferreira Leite e o resto da oposição que o pediu. Se o não fizessem eram acusados de tomar grandes decisões “sem legitimidade” e perto das eleiçoes. Como o fizeram, já é para esperar uns mesitos.
Preso por ter cão e por não ter… c’est la vie.

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