From the daily archives:

Quinta-feira, Junho 11, 2009

ELEIÇÕES EUROPEIAS III (para terminar)

por Pedro Sousa em 11 de Junho de 2009

em Estado de Espírito,País

aziaOra bem… agora que a azia passou, vai a minha opinião sobre o que se passou no dia 7 (a ordem dos pontos é aleatória e conforme me vai saindo, não é necessariamente um texto estruturado).

a) O PS foi um derrotado. Não há dúvidas quanto a isso. Os números não enganam. As leituras dos números é que podem ser diversas e daí retirarem-se as ilacções que achamos mais correctas. Poucos acreditavam que tal pudesse acontecer, mas aconteceu para grande festa (obviamente) dos militantes social-democratas e de Manuela Moura Guedes;

b) Tenho para mim que (infelizmente) os portugueses encararam esta votação tal como encaram um jogo particular da Selecção A.  Sem grande interesse. Isso prejudica em muita a democracia e, no caso, acho que prejudicou principalmente o PS;

c) Tal como escrevi inicialmente, não acredito que daqui se retirem grandes ilacções para as legislativas. Não se deve escamotear o resultado, nem olhar para ele com indiferença, mas também não se deve retirar dele qualquer representatividade para as legislativas. O PS já perdeu 2 actos eleitorais desde 2005 (autárquicas e presidenciais) e mesmo assim continua com grandes indicações de voto para Governar o país;

d) Estas eleições demonstraram uma pulverização de votos que não acredito se venha a verificar nas legislativas e acho que isso pode ser positivo para o Partido Socialista. A subida do PSD parece-me ter sido feita muito pouco à custa do PS, o que pode indiciar que os 31% são muito próximo do máximo que o PSD consegue (e pouco acima dos 28% de PSL);

e) Preocupa-me a dinâmica que esta vitória possa trazar ao PSD. Mais do que a vitória em si, este resultado trouxe uma injecção de “adrenalina” ao partido que pode ser muito bem aproveitada. Por outro lado, perderam o grande responsável por este vitória – Paulo Rangel. O contributo de MFL foi não aparecer e tal resultou bem. Uma derrota do PSD nestas eleições tinha acabado com o PSD nas legislativas. Esta vitória pode fazê-lo ressurgir.

f) Acredito que nas legislativas entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite, TUDO será diferente. Aliás, ver o Prós & Contras na passada segunda feira, recordou-nos o período negro do PSD no poder: Pedro Santana Lopes e Bagão Félix. E dias depois, MFL a por a hipotese de se coligar com o PP. Julgo que essa memória ainda perdura na mente dos portugueses;

g) De preocupar que o partido que mais cresceu nas Europeias é aquele que mais renega a Europa e que, por exemplo, defende a saída de Portugal da NATO;

h) Como li algures, a máquina (que costuma ser eficaz) de comunicação do PS falhou na noite europeia, porque mesmo a perder há que saber fazer as coisas. Ter imagens de um hotel vazio e de um palco a ser desmontado quando o vencedor discursa, é demasiado mau como última imagem que se pretende de umas eleições;

i) Uma (das poucas) boas notícias é que Portugal continua a ter os partidos de esquerda como referência (a esquerda teve significativamente mais votos que a direita)

j) Não partilho muito do ataque às empresas de sondagens… estas andaram perto dos resultados de PSD, PCP e BE. Falharam redondamente (6-10 p.p) no PS. O voto branco/nulo chegou aos 6,7%.

k) A preocupação do PS, neste momento, deve ser com a conquista da esquerda, aliás como há muito se diz. Achar que Vital Moreira era a forma de o fazer revelou-se uma desastre. Que outros coelhos poderão sair da cartola?

l) O PS precisa de reunir tropas e começar a trabalhar a sério se pretende ganhar as legislativas. A maioria absoluta parece uma miragem, mas é algo em que vale a pena aplicar todas as forças. Só isso garante que poderemos traçar para o país um rumo. Ter partidos como o CDS ou o BE a participar no Governo, irá conduzir a instabilidade e, provavelmente, àqueles períodos onde teremos eleições de 6 em 6 meses.

m) Outro argumento que me leva a pensar que as legislativas serão muito diferentes é o facto de que, a 3 meses das eleições, não se conhece ao PSD uma única ideia sobre o que fazer no país. A única ideia é deixar de fazer o que quer que seja. E a isso ninguém será indiferente.

n) Numa coisa, porém, têm razão os comentadores: a vitória, real ou imaginária, merecida ou fortuita, segura ou trémula, altera as condições subjectivas do combate político, na medida em que a embriaguez do triunfo desencadeia um impulso mobilizador proporcional ao desânimo que até agora prevalecia no PSD.
Vemos assim como estavam enganados aqueles eleitores que acreditavam poder compensar em Outubro a tolice que agora fizeram. Em política, como na generalidade da acção humana, o que é feito não pode ser desfeito sem custo ou dor.

{ 3 comentários }

FALTA DE VERGONHA (porque tem de haver memória)

por Pedro Sousa em 11 de Junho de 2009

em País

É um caso de óbvia falta de vergonha. Cavaco Silva «homenageou» Salgueiro Maia duas décadas depois de, enquanto primeiro-ministro, lhe ter recusado uma pensão; e de ter atribuído poucos anos a seguir pensões a dois ex-agentes da PIDE. Se agora queria fazer alguma coisa, deveria era ter pedido desculpa pela atitude deplorável que teve enquanto primeiro-ministro e evitar mais figuras tristes. 

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/618378.html

 

{ 2 comentários }