Texto sobre o 25 de Abril

por Pedro Sousa em 25 de Abril de 2011

em Arouca,País

A pedido do Discurso Directo, e como representante do Partido Socialista de Arouca, escrevi um texto sobre a importante data que hoje se celebra.

Por falha minha, o texto original ultrapassou em muito os 2000 carateres que me foram solicitados pelo que a redacção teve de fazer (justamente) os respetivos ajustes.

No entanto, deixo aqui o texto total que enviei:

 

Falar hoje sobre o 25 de Abril já não é só fazer o seu enquadramento histórico. Passaram 37 anos sobre o dia em que Salgueiro Maia e os seus seguidores, ao som de “Quis saber quem sou, o que faço aqui…”, rumaram ao Carmo em Lisboa.

Necessitamos sim de garantir que os nossos filhos e netos conhecem bem o que aconteceu e o que representou esse evento de 1974.

Hoje falar de Abril é principalmente avaliarmos de que forma esse momento histórico do nosso país – tão rico na sua história – se encontra refletido nos nossos dias e no exercício da nossa cidadania.

Um político e escritor francês escreveu uma vez que “Tudo o que aumenta a liberdade, aumenta a responsabilidade”. E é, provavelmente, na assunção da responsabilidade de cada um de nós, individual e coletivamente, que Abril parece, muitas vezes, ser esquecido.

A liberdade trouxe-nos um privilegiado conjunto de direitos, mas que devem ser acompanhados por um igual conjunto de deveres. E – sejamos francos – somos cada vez mais uma sociedade agarrada aos seus direitos e displicente com os seus deveres. E o equilíbrio de ambas faria de nós uma sociedade muito mais justa e equilibrada, onde se verifique uma efetiva igualdade de oportunidades, principal objetivo da revolução.

Ouve-se dizer, por vezes, que ainda não se cumpriu Abril. Mas Abril nunca se considerará definitivamente cumprido. Abril cumpre-se, ou não, todos os dias, nas decisões de cada um e nas decisões do Estado.

Continua-se a fazer Abril quando se luta contra o encerramento de empresas,

cumpre-se Abril quando se protege os mais carenciados;

cumpre-se Abril quando se luta contra a falta de disciplina e educação nas aulas e se investe na educação;

cumpre-se Abril quando se acaba com filas de horas num centro de saúde e se investe na saúde;

cumpre-se Abril quando se torna a justiça, a educação e a saúde mais acessíveis…

isto porque «um homem não é verdadeiramente livre com fome», um homem não é verdadeiramente livre sem habitação, um homem não é verdadeiramente livre sem educação, um homem não é verdadeiramente livre sem emprego.

Às gerações que vêm como impensável não ter a liberdade de fazer o que pretende, falar sobre o que lhe apetece, decidir como quer, é importante explicar que a liberdade não é algo que se tem, é algo que se conquista, todos os dias, no exercício da cidadania.

Nesta comemoração dos 37 anos do 25 de Abril não posso terminar sem recordar que foi esta revolução a grande responsável pelo Estado Social que temos. Custou muito edifica-lo e devemos todos estar atentos àqueles que olham para a sua redução (ou mesmo eliminação) como a solução para todos os males do páis. É nosso dever evitar esse desiderato. É nosso dever não abdicar do direito (ou dever) de votar e de participar nas decisões do país.

Viva o 25 de Abril!

 

{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 F Santos 26 de Abril de 2011 às 18:56

A lata com que se reclama a defesa do estado social quando para efeitos de atribuição do subsidio de desemprego o valor mínimo que Sócrates e companhia considera o suficiente para sobreviver é de 345Eur, dá vontade de cortar os pulsos.

E depois o meu amigo Pedro Sousa fala em Abril e tras à baila coisas do género cumpre-se Abril quando se protege os mais carenciados;

“cumpre-se Abril quando se luta contra a falta de disciplina e educação nas aulas e se investe na educação, quando se acaba com filas de horas num centro de saúde e se investe na saúde,quando se torna a justiça, a educação e a saúde mais acessíveis…” e eu pergunto-me onde está isto tudo??

É com esta demagogia balofa e gasta que o PS acha que ainda consegue atirar areia para os olhos dos portugueses e assobiar para o lado a seguir.

Em muitos aspectos estamos melhor que há 30 anos. Mas nunca houve como desde então tanta precaridade, fome, pobreza e cada vez mais portugueses com a corda na garganta.
Mas os senhores socialistas, que tanto apregoam o estado social, o que nos trazem é mais do mesmo: mais desemprego e menos protecção, pedem aos utentes dos hospitais para levarem os medicamentos para os internamentos, dispensam 1400 funcionários precários da Segurança Social em 2010 e, com isso, acham que melhoram o serviço, fecham escolas, maternidades, urgências nos centros de saúde, serviços públicos, arruinam-nos com as parcerias publico-privadas…

Mas viva o 25 de Abril! Até o fundador do PS, que apesar das trapalhadas da descolonização muito contribui para que Abril acontecesse, já elogia PP Coelho. Sinais do tempo.

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2 Pedro Sousa 27 de Abril de 2011 às 23:01

Caro F Santos,

Tens a noção que frases como “nunca houve tanta fome, pobreza” não resiste a um qualquer tratamento estatístico, pois tens? Isso não faz qualquer sentido.

Relativamente aos encerramentos, muitos resultaram em melhores serviços., O facto de existirem muitos não é sinónimo de qualidade e/ou disponibilidade. Recordo-me da celeuma com encerramento de maternidades, e tudo continua a funcionar bem e em muitos casos melhor. O mesmo com algumas escolas. As generalizações têm estes perigos.

Dizer que o facto de Mário Soares dizer que Passos Coelho é alguém com quem se consegue falar está a elogia-lo é nivelar bastante por baixo a expetativa quanto a PC. Alguém com quem se consegue falar é o mínimo dos mínimos.l

Os investimentos nos diversos setores estão bem patentes e os dados estão disponíveis. Quando perguntas “onde está isto” é mesmo a sério e queres que te responda ou é uma pergunta retória? É que na net encontra a informação disponível. São perguntas à PSD… não querem ir à procura das respostas.

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3 F Santos 28 de Abril de 2011 às 9:11

A vossa preocupação continua a ser o “tratamento estatístico”. Agora vamos ter um tratamento estatístico de 80 mil milhões do FMI, que estatísticamente vamos andar a pagar sabe-se lá quantos anos.
Estatísticamente, temos o maior desemprego de sempre e a maior dívida de sempre. Nem a reestruturar serviços, como dizes por exemplo da saúde, o buraco diminui. E as poupanças que dizem estar a fazer na Seg Social devem-se ao corte cego de subsídios, que só em Matosinhos foram 18 mil.
O que me aborrece é ter de ser um social-democrata a andar a chamar a atenção a um socialista sobre os problemas do estado social que o governo criou. E a seguir ser acusado de querer destruir o estado social. Não é preciso. Os srs estão a encarregar-se disso.

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