INTERVENÇÃO NA AM SOBRE ULTIMAS DA VARIANTE

por Pedro Sousa em 2 de Janeiro de 2011

em Arouca

Reproduzo aqui, mais ou menos textualmente, a intervenção que fiz na última Assembleia Municipal, depois de PSD e CDS-PP terem intervido sobre a responsabilização da Câmara neste processo:

Sr. Presidente,

Quando eu soube da notícia do desmantelamento da Comissão que, ente outras, analisava a variante Arouca-Feira, confesso que quase deu vontade de desistir e – se me é permitido o português – “mandar tudo às urtigas”.

Ouvi entretanto a sua indignação e profundo desagrado com a “catraíce” dos políticos lisboetas e lembrei-me de uma frase de uma jornalista americana que é qualquer coisa como «Ser derrotado é uma condição meramente temporária; desistir é que torna a derrota permanente».

E foi com esse espírito que interpretei o “ultimato” que deu aos políticos de Lisboa.

É óbvio que o Governo portou-se de uma forma miserável neste dossier, em conjunto com os deputados do partido socialista. E são esses, indubitavelmente, os principais responsáveis por esta situação.

No entanto, estou de acordo consigo quanto à partilha de responsabilidades, ainda que de menor grau.

Podemos, por exemplo, assumir que se o PSD estivesse verdadeiramente empenhado, tinha – no mínimo – validado a proposta do CDS-PP para inclusão da obra no orçamento. Tem-se falado muito do que disse Passos Coelho em Arouca, mas já em 2009, o deputado do PSD, Couto dos Santos, afirmou que «com o PSD a obra será feita. Esta obra é urgente». Ainda assim, as acções contradizem as intenções.

E o esforço do CDS-PP, apesar de meritório, não é suficiente para dizer que “PS e PSD inviabilizam construção da variante”. O seu próprio líder, Paulo Portas, desvaloriza a inclusão da obra no OE.  O próprio Paulo Portas, em declarações ao jornal Discurso Directo disse «Hoje em dia o Orçamento não é fiável, porque boa parte das verbas estão fora do Orçamento. É o caso das verbas que têm a ver com as Estradas de Portugal».

Isto é, o CDS-PP fez uma proposta para algo que, o próprio, considera pouco fiável. Não falem então em garantir a construção.

Da parte do grupo municipal do Partido Socialista não restam quaisquer dúvidas sobre o empenho e determinação que o executivo colocou na solução que defendia e que foi defraudada porque quem nunca se esperaria.

Também é verdade que, pelo menos neste mandato, não ouvi sugestões alternativas a apontar caminhos eventualmente mais eficientes. Provavelmente porque não existiam, principalmente depois do Primeiro Ministro e 4 ou 5 deputados assumirem um compromisso.

Nós não estamos aqui para anunciar que estamos disponíveis para ajudar. Naquilo que pudermos, ajudamos.

E já que comecei com uma citação, tomo a liberdade de terminar com outra, esta de Boudelair:

«Uma sucessão de pequenas vontades conseguem um grande resultado». Estou certo que a vontade de todos os arouquenses irá acabar por dar resultado.

Não pode ser de outra maneira.

{ 10 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 José Ferreira 3 de Janeiro de 2011 às 11:50

É um bom texto, não há dúvida. Há um traição política generalizada do Poder Central, mas quem dá a cara à frustração dos arouquenses é o Presidente da Câmara, pois eles só se lembrarão de cá vir, quando for para pedir votos (aliás, os videos que circulam pela net assim o comprovam). No entanto gostei da frase aqui publicada “É óbvio que o Governo portou-se de uma forma miserável neste dossier, em conjunto com os deputados do partido socialista. E são esses, indubitavelmente, os principais responsáveis por esta situação.”
O facto de teres publicado isto em teu blog, Pedro, demonstra que começas a deixar o teu fundamentalismo pelo partido socialista e o princípio de que o que vem do PS é tudo bom, e o que vem da oposição é tudo mau. Isso deixa-me feliz.
O primeiro passo para a cura, é o reconhecimento do problema! ;-)

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2 Pedro Sousa 3 de Janeiro de 2011 às 23:05

Caro José Ferreira,

Como dizia Alvaro Cunha “Olhe que não, olhe que não…”

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3 Jorge Amorim 3 de Janeiro de 2011 às 14:34

Tive a oportunidade de ouvir isto de viva voz. Subscrevo. Pelo menos desta vez…
Mas na mesma AM ouvi outras coisas, com mais ou menos cabimento. Realizar em Lisboa uma AM tem o seu impacto, mas se não for acompanhado de um ou mais potentes vídeo-projectores a projectar em S. Bento, sim… nas fachadas e na residência do Sr. Sócrates e até mesmo na sede do PS, aqueles famosos (localmente) vídeos dos discursos do PM em Arouca, mas com repetições até à exaustão e para que todos possam ver e ouvir aquelas palavras, e com um mediatismo bem assegurado para ter impacto local (Lisboa) e nacional, não vamos a lado nenhum com mais “comissões” que se reúnem ocasionalmente, porventura para comer uma vitela.
Aponte-se um financiamento e uma calendarização da obra e ponto final. E aqui, Ponto por Ponto, poderemos acompanhar a obra e as actividades dos intervenientes. Palavras leva-as o vento e reuniões de paleio pagamos todos nós.

Jorge Amorim

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4 Pedro Sousa 3 de Janeiro de 2011 às 23:04

Caro Jorge Amorim,

As reuniões são sempre necessárias ao planeamento, mas realmente neste caso as reuniões já enjoam.

Neste momento, existem, pelo menos, duas “brechas” de oportunidade para fazer a obra:
a) Inclui-la na concessão Douro, fazendo um género de “aditamento” ao que já decorre;
b) Procurar que as verbas que se estão a tentar que sejam desviadas do TGV e 3ª travessia para investimentos no Norte (nomeadamente no Metro do Porto) destinem uma parte a uma empreitada direta das Estradas de Portugal

Qualquer uma delas necessita de estudo e decisões técnicas.

A ideia do video não é de todo despropositada :-D

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5 F Santos 3 de Janeiro de 2011 às 16:56

“Palavras leva-as o vento e reuniões de paleio pagamos todos nós.” Jorge Amorim (concordo, sem tirar nem pôr)

“A força dos governos é inversamente proporcional ao peso dos impostos ” Gay de Girardin (dedico esta ao Ministro das Finanças, que agora, entre outros socialistas como o P Sousa, aderiram às citações. Deve ser para desviar atenções. Pensam que o povo é burro, só pode)

“Portugal estava à beira do abismo e o governo tomou a decisão de dar uma passo em frente” Popular
Esta retrata o país na perfeição.

Um apelo:

Demitam-se! Todos!

Já ninguém vos atura nem às vossas manobras ridículas e ilusórias.
Se não sabem, saiam para outros virem limpar a porcaria que andam a fazer.
E aí, quem sabe, até podem vir a ter razões para criticar.
Até lá assumam de vez que o socialismo de casino que vigora neste país está rôto! Não dá mais! Façam como o Guterres: fujam que ninguém vos leva a mal.

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6 Pedro Sousa 3 de Janeiro de 2011 às 23:01

Caro F Santos,

“Pensam que o povo é burro”… que raio de frase é essa? Eu acho completamente o contrário. Já o escrevi aqui várias vezes.

Não percebo bem qual o objetivo da demissão. No entanto, a oposição detém sempre o poder de apresentar uma moção de censura. Algo que ninguém fez até ao momento por ter plena consciência do esforço e determinação necessários para estar à frente do país neste momento difícil.

Analisemos… o que impede (à exceção deste período pré-eleitoral) o PSD ou o CDS-PP de apresentarem uma moção de censura? Falta de coragem política. Ou então, consideram que o Governo toma as medidas necessárias.

Fugir é um disparate.

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7 F Santos 7 de Janeiro de 2011 às 8:42

O que impede a moção de censura é precisamente o sentido de responsabilidade dos partidos que referiste. Caso contrário, motivos não faltam para apresentar moção.

Se o presidente fosse o Sampaio e o PM o Santana Lopes já não tinhamos governo há muito. Por menos a assembleia foi dissolvida, sabes bem disso.

“…plena consciência do esforço e determinação necessários para estar à frente do país neste momento difícil.”

Já que nos meteram no buraco, tentem pelo menos tirar-nos. É a vossa obrigação, sem pretendem o mínimo de credibilidade.

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8 Jorge Amorim 4 de Janeiro de 2011 às 18:32

@ Pedro Sousa
De facto ainda não tinha percebido que fazer a ligação à A32 implicaria “meter” no bolo da concessão Douro e isso de facto pode justificar outros estudos (ainda que não sejam assim tão demorados), espero. Até porque a A32 está a avançar a bom ritmo.
Não sei se antes estava previsto já haver ali um nó. Se sim, é, parece-me, fácil e apenas discutir a proveniência dos fundos. Logo uma comissão que discute e pode resolver facilmente pois a nossa via estruturante até ali representa apenas uns “trocos” no âmbito da concessão Douro.
Se não estava previsto, alterar projectos e eventuais expropriações e concursos é complexo e espero não estarmos a entrar noutra (depois nem Douro nem Vouga…). E de facto carece de estudos.
Estando a A32 a este ritmo, mais vale continuar a estruturante de Tropeço para Poente enquanto se estuda a ligação… E há muito a fazer nesses 10Km…

Jorge Amorim

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9 Jorge Amorim 7 de Janeiro de 2011 às 12:01

Só ontem tive oportunidade de ler no jornal “Terras da Feira” o que pensa e diz o Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira sobre o assunto da variante e da tomada de posição do Presidente Artur Neves…

Parece que as coisas não estão fáceis e há sérios incómodos com isto.
Todos nós sabemos que vaso se concretize a ligação à A32, o acesso ao Porto e mesmo para Sul ficará facilitado e o acesso à A1 vai ser indefinidamente protelado. Ficam as nossas aspirações em grande parte concretizadas mas para muitos, o acesso à Feira, A1 e A29 que seriam muito importantes, ficarão na prateleira muito mais tempo.
A “Feira” tem razão para ficar aborrecida e incomodada, mas a luta pelo “tudo ou nada” poderá resultar mais em “nada” do que no “tudo”. Mas as reuniões da AM do Porto poderão ser grandes incómodos nos próximos tempos.

Jorge Amorim

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10 Pedro Sousa 9 de Janeiro de 2011 às 20:05

Caro Jorge Amorim,

Nem sempre se conseguem consensos, mas a Feira já tem 4 auto-estradas a passar pelo seu território. Esse “arrufo” teremos de gerir.
A justiça da nossa luta suplanta em muito as necessidades da Feira nesse domínio.

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