O crescimento a qualquer custo

por Pedro Sousa em 4 de Setembro de 2010

em País

É fácil conseguir o crescimento económico, basta juntar as receitas de Medina Carreira, as proposta que Ângelo Correia explicou a Pedro Passos Coelho, promover o despedimento de 150.000 funcionários em tempos proposto por Miguel Cadilhe, adoptar o projecto de revisão constitucional desenhado por Paulo Teixeira Pinto e seguir as brilhantes sugestões avulsas do bem sucedido Carrapatoso.

Outra solução seria o Estado empregar todos os desempregados dando prioridade aos professores, aumentar os funcionários tal como propõe Carvalho da Silva e multiplicar os apoios sociais seguindo as propostas do PCP e do BE.

Não pretendo com o sarcasmo dar razão a uma outra solução sarcástica feira por Manuela Ferreira Leite, a de que a melhor forma de fazer as reformas seria suspender a democracia durante uns tempos o que, aliás não é nada de novo, a democracia já esteve suspensa durante quarenta e oito anos e no pós-25 de Abril ocorrerem também algumas suspensões temporárias.

Só que Manuela Ferreira Leite brincou com as dificuldades de implementar determinadas reformas no contexto de uma democracia, muito dos nossos liberais feitos em MBA apressados parece terem perdido a lucidez ao ponto de num momento de desorientação do PSD levarem este partido a embarcar num delírio quase colectivo. Em vez de propor a suspensão da democracia adoptaram um projecto de revisão constitucional esquecendo que Portugal tem mais de dez milhões de portugueses enquanto que o Tribunal Constitucional apenas tem uns quantos juízes.

evidente que Portugal precisa desesperadamente de crescimento económico, mas é importante não perder a lucidez ao ponto de esquecer que o crescimento económico só faz sentido se for conseguido com produção de riqueza e garantindo que esta riqueza é repartida por todos os portugueses, não podendo ser medida apenas pelo PSI20.

De nada serve ao país a que os Mellos criem mais riqueza investindo na saúde privada se isso apenas é conseguido à custa da transferência dos sectores mais lucrativos do SNS. Aliás, esta proposta aparentemente liberal em nada difere dos que acham que criam riqueza promovendo o emprego público, os pressupostos económicos são exactamente os mesmos.

De pouco serve aos portugueses que estão desempregados se conseguirem emprego à custa dos que estavam empregados e foram despedidos para que os primeiros sejam contratados com salários mais baixos. Ou que o aumento das exportações seja conseguido à custa da suspensão da modernização do país passando a “gastar” na promoção de exportações à custa da desvalorização do trabalho dos portugueses aquilo que se investia na modernização das infra-estruturas.

Não há grande diferença entre as propostas dos liberais e as da extrema esquerda. Uns querem que a riqueza seja investida em impostos no pressuposto de que estes serão reinvestidos com melhores resultados do que os conseguidos pelo sector privado. Os outros querem que deixem de ser cobrados impostos para que seja possível vender mais ao estrangeiro à custa dos saldos da mão-de-obra portuguesa.

{ 1 comentário… lê abaixo ou adiciona }

1 inquieto 6 de Setembro de 2010 às 9:43

uuuu lá lá!

bom dia!

interessante artigo!

Não sei quem escreveu. Admito que tenhas sido tu.
Não, não pensem que estou a troçar do Pedro! Só que, habitualmente ele vem mais pela esquerda. Hoje parece vir mais, não pela direita, mas pelo racional!

Agrada-me!

Porque parce ter percebido o problema central. É que, na falta de melhor explicação, que após milhares de minutos de discussão, ainda não ouvi quem aventasse uma solução profícua e que agradasse a todos.

Tenho para mim que não há essa solução! Que ao longo de muitos anos desperdiçamos meios, enquanto país, e que tendecialmente se acumulou riqueza mais nos proprietários e emprendedores que nos servidores. Parece evidente.

Mas uma coisa está clara, penso que para todos.
Não é a distribuir o que não se tem, que se vai empreender a coisa.
Enquanto país, relacionámo-nos com uma dúzia ou vintena de outros tantos. Se queremos enriquecer só temos de fazer o que estão a fazer ou já fizeram. Em caso algum podemos apontar um qualquer modelo que não seja criar riqueza pela via do trabalho!
Se por hipótese fossem retiradas todas as riquezas dos supostos avantajados, tenho por certo que não encontrarias uma forma mais capaz de mobilizar tais recursos, dada a sua dimensão no contexo português.

Não defendo uma mão-de-obra em saldo, mas por muito que custe ao mais iluminado espírito deste país, nos últimos 5 anos em Portugal, se não tivessemos perdido essa dita em saldo, não estarámos todos, hoje pagar mais do que ontem, a perspectivar pagar mais amanhã, e todos os dias a lamentar essa mesma por estar infeliz e sem pespectivas de futuro!

Bem sei que a extrema esquerda não acredita na solução que defende, nem a extrema direita tem uma só ideia.
Mas tenho por certo, que a solução do meio não descansa ninguém!
Se bem se lembram já o Pina Moura dizia há uma dúzia de anos, que não via caminho.

Defendo há muito tempo, num horizonte de 2 anos, salário mínio de 800 euros. Não é considerado uma nacionalização, não é usurpação, e não é mais mobra barata!

O resto é converseta!

Pura!

um abraço
inquieto

Responder

Anterior:

Seguinte: