AROUCA É UM DOS CONCELHOS ONDE SE VIVE PIOR

por Pedro Sousa em 5 de Novembro de 2009

em Arouca

Com títulos próximos daquele que é dado a este post, têm surgido informações diversas sobre um estudo realizado pelo Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior.

Sempre me habituei a que as leituras das estatísticas devem ser cruzadas com as percepções, para perceber até que ponto poderão enviezar aquilo que, quem lida com o “objecto” de estudo, verifica.

O estudo, até pela importância do seu tema “Indicador Sintético de Desenvolvimento Económico e Social ou de Bem-Estar dos Municípios do Continente Português” chamou-me a atenção, pois pode ser ferramenta importante de análise.

Não me pondo, como é óbvio, ao nível dos autores do estudo, não posso deixar de registar algumas questões presentes no mesmo (que se pode descarregar no site da Universidade) que me levantam grandes dúvidas na comparação com a realidade. Permito-me assim, neste exercício atrevido, levantar algumas questões a um Prof. Catedrático (herége, gritam alguns), não quanto à metodologia (obviamente) mas quanto à validade que se poderá retirar das conclusões do estudo.

Comecemos pelos dados. O estudo 2009 utiliza em algumas variáveis elementos cujos dados são de 2001. A esmagadora maioria usa dados de 2006 (perfeitamente aceitável).

São os próprios autores que dizem “Naturalmente que estes estudos e os seus resultados são sempre discutíveis, sendo até possível que estudos feitos pelos mesmos autores mas com metodologias diferentes conduzam a valores muito díspares.”

Alguns dos critérios são também potenciais enviezadores de conclusões, como os próprios autores também o sugerem (interpretação minha) ao apelidar de surpreendente a colocação de alguns municípios em locais cimeiros. A certa altura pode ler-se “[...] já alguns destes pequenos municípios e outros não referidos, por menos lógicos, carecem de alguma meditação e interpretação. Em nossa opinião tal fica a dever-se aos indicadores que foram seleccionados e à forma como foram convertidos em números índices e seriados inicialmente para obter médias que depois levaram aos valores usados na análise factorial. Se quisermos pensar, por exemplo, na variável de número de habitantes por posto médico é natural que fiquem melhor classificados os municípos rurais com pouca gente e praticamente um posto médico por freguesia [...]“.

Concordam ainda os autores que o conceito de desenvolvimento económico e social é ambiguo e de carácter multifacetado.

Finalmente, é o ranking apresentado que, em minha opinião, fere o estudo. Como se comprende que num espaço de 2 anos, existam municípios que sobem 188, 166, 124, 111 ou 90 posições no ranking? E, pergunto eu aos arouquenses, como se justifica que de 2004 a 2006 (anos a que se referem os dados) Arouca tenha caído 73 posições? O que nos aconteceu? Ou então, perguntar aos Feirenses, por exemplo, se sentem que o seu Desenvolvimento Económico e Social desceu 117 posições em 2 anos.

Apesar de tudo, não deve quem se interessa pelo nosso desenvolvimento deixar de ler o estudo e verificar detalhadamente o que poderá contribuir para a colocação de Arouca.

Retirar daí que Arouca é dos piores concelhos para viver no país, revela um grande desconhecimento sobre o que ele é.

{ 2 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Norberto Castro 5 de Novembro de 2009 às 18:59

Só duas observações muito rápidas sobre este “estudo”:
- Só quem não cá vive, é que pode dizer que um dos melhores concelhos do país para viver, é “É UM DOS CONCELHOS ONDE SE VIVE PIOR”. Eles lá sabem. Será que se vive melhor na Amadora?
- Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior ??? Que é isto? Será que eles sabem observar?

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2 joaquim toscano 8 de Novembro de 2009 às 16:21

Encontro-me neste momento a responder a um inquérito (entregue em mão, claro…) da Deco Pro Teste (…sou católico mas também protestante e protesto…), sobre Transportes Públicos!
Aí por Arouca como é que rola a cena?
Há melhores estradas e menos transportes? Há mais viaturas particulares para alimentar o sistema e contribuir generosamente para o aquecimento da grande bola, porque há em consequência mais assopradeiras a botar prá atmosfera o snif quentinho com que me ganzo todas as manhãs???

Mas não resisto á tentação de dar um retoque ao comentário de Norberto Castro
“ Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior ??? Que é isto? Será que eles sabem observar?”

O OPDESUBI é uma coisa do outro mundo, tipo… CEAC (correspondência com o além), CEAFI (correspondência com ovnilogia, ufo`s, bufos e afins) e outras estruturas X Files maradas que tais e que, por imperioso segredo de estado, não podem aqui ser reveladas.

Quanto a Observar…claro que observam…tudo, menos o que está ali á volta da casa.

E, porque hoje o tempo vai escuroso e frio, – please: to ti tu tu tu tu (mestrado em inglês codificado). Fui…

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