AS PROMESSAS

por Pedro Sousa em 20 de Julho de 2009

em País

Sempre que aparecem estas épocas eleitorais existem uns partidos que acham que é útil dizer que não fazem promessas.

Acontece que as campanhas políticas são precisamente para que conheçamos as propostas dos partidos. Se não existirem propostas, as campanhas não servem para absolutamente nada. Nada me parece mais demagógico que dizer “apenas prometemos dar o máximo” ou “apenas prometemos trabalho”. Isso é a mediocridade.

Gerir um país é algo como gerir uma empresa (olha pra mim a citar um deputado do PSD).

Portanto, quando se faz um planeamento, propõe-se metas, objectivos. Crescer x%, reduzir custos em Y%, aumentar a margem, reduzir acidentes de trabalho, abrir lojas, o que seja. São sempre compromissos, propostas, promessas se lhe quiserem chamar.

Depois, durante a execução do plano estaremos em linha, acima do previsto ou abaixo do previsto. E teremos de actuar em conformidade, corrigir, tentar antecipar. Isso é gerir. Umas vezes consegue-se, outras falha-se.

Mentiras como “Só prometo o que vou cumprir” é do mais demagógico possível. É , pura e simplesmente, uma mentira antecipada!

Mas pronto… acredita quem quer!!

{ 7 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 F Santos 22 de Julho de 2009 às 22:29

Excelente análise, completamente de acordo. O discurso da líder do PSD deixa muito a desejar. Nunca, mas nunca mesmo, prometer e não cumprir. Isso não é demagogia, é erro de cálculo (dizes tu, como tento explicar adiante).

Mas e então quem promete mundos e fundos e não cumpre? Ah, já sei:
” Depois, durante a execução do plano estaremos em linha, acima do previsto ou abaixo do previsto. E teremos de actuar em conformidade, corrigir, tentar antecipar. Isso é gerir. Umas vezes consegue-se, outras falha-se” e depois o povo decide nas eleições, certo?? Se porventura decidir reeleger o PS, este é o maior, certo? Então, não foi demagógico a prometer e não cumprir, foi erro, foi uma falha, pronto.

Pedro, o teu blog tem arquivo, certo? Espero que sim, porque acho que este post ainda vai ser repescado em breve, para análise e contra-análise de opinião. Acho…

Quando é que tomamos um cafézinho num sábado à noite em ARC para falar sobre isto? Eu e vocês os 3 ;)

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2 Pedro Sousa 23 de Julho de 2009 às 0:38

Caro F Santos,

Se o povo decidir reeleger o PS (como espero) este não é o maior. É o vencedor e significa que, mesmo tendo sido obrigado a efectuar correcções de trajectória em função da conjuntura, os portugueses reconheceram que actuou bem.

Demagógico é prometer algo que, à partida, se sabe que não se pode cumprir. Fazer propostas assentes numa análise do tema nunca pode ser demagogia, se estas não estiverem desfasadas da realidade.

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3 F Santos 23 de Julho de 2009 às 11:53

“Demagógico é prometer algo que, à partida, se sabe que não se pode cumprir. Fazer propostas assentes numa análise do tema nunca pode ser demagogia, se estas não estiverem desfasadas da realidade.”

Exacto. Foi o que o teu partido andou a fazer 4 anos. A prometer com base em dados que se vieram a demonstrar desfasados. Erro de cálculo, não é?

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4 Pedro Sousa 23 de Julho de 2009 às 13:18

Caro F Santos,

Correctissimo… tanto é que grande parte dos indicadores (verificáveis nso diversos sites) demonstram um país em claro desenvolvimento antes da crise global. Dois exemplos são o fantástico controlo do déficit e os apx 120000 empregos líquidos criados, infelizmente rapidamente dizimados com a chegada do crise.

Quando as condições de mercado mudam… por exemplo, uma agência de viagens cujo principal destino vendido é o México fez uma previsão de crescimento que, a conjuntura, alterou rapidamente. Não foi um erro de cálculo… foram as condições de mercado

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5 F Santos 23 de Julho de 2009 às 16:20

O que mais me espanta é que tu és capaz de afirmar que o País em que vives hoje está melhor que há 4 anos! Ainda bem que para ti está, mas não deves ver telejornais, concerteza!

E a desculpa que o que estragou tudo foi a crise… é que já ninguém suporta essa ladaínha. É que estávamos a todo o gás antes do Madoff ser apanhado! A sério…

Ah, e a melhor do nosso PM, ontem, num jantar com empresários no Porto? ” Está para nascer um primeiro-ministro que faça o que eu fiz com o défice.” Eh, eh, eh!!! É a paródia total!

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6 Pedro Sousa 24 de Julho de 2009 às 19:03

Caro F Santos

Onde está a afirmação que o país está melhor que há 4 anos??
Agora digo-te com convicção: sem o extraordinário trabalho do Governos PS nestes 4 anos, num controlo do déficit rigoroso e sem plásticas (tipo venda de dívida ao Citigroup), o país estaría hoje mergulhado numa crise com uma dimensão muito superior.
O facto de o PS ter uma estratégia para o país – ao contrário do deixa andar e vamos ver – dá-me confiança para, passada a tormenta, o país recuperar.
Infelizmente, parece que vamos entrar num período de instabilidade política, que julgo não correrá bem, dadas as péssimas relações entre os líderes dos 2 principais partidos.
A ver vamos…

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7 F Santos 26 de Julho de 2009 às 21:25

Ah, vá lá, não está melhor que há 4 anos! Estamos a fazer progressos na análise, Pedro.

Gosto particularmente da adjectivação que aplicas ao classificar o trabalho do PS em matéria de défice. Ilucidativa.

Claro que se o défice fosse maior estaríamos pior! La Palisse!
O que é inaceitável é que depois venham dizer que não estamos melhor que há 4 anos por causa de uma crise que tem meio ano, que veio estragar o trabalhinho todo! Isso é falta de honestidade política e não só.

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