O AINDA INTERESSANTE TEMA DO MOMENTO

por Pedro Sousa em 8 de Dezembro de 2008

em Arouca

A vitória dos professores será a derrota de Portugal. Ao dia 5 de Dezembro de 2008, ninguém pôs os olhos num qualquer modelo de avaliação alternativo que tenha sido enfiado por alguma janela do Ministério. Nem há quem saiba ao certo o que os professores querem para além da demissão da Ministra e a garantia de uma progressão linear, sem distinção de mérito nem aumentos da actual carga laboral. Quando acabar esta fase, se garantirem o que a oposição já se comprometeu em lhes dar, vão voltar ao que eram: uma classe profissional que não se une na defesa da escola, que não confia nas autoridades, que despreza os colegas e que tem como principal critério de sucesso a capacidade de antecipar a reforma.

E AINDA

Haverá quem considere o meu raciocínio anti-democrático. Não é grave – ou melhor, é, porque é esse o problema, saber o que é democracia e como funciona. É o poder da rua? Não, não é. Claro que há governos que caem na rua, por protestos massivos. Claro que é isso que os professores pretendem representar – um protesto massivo. Mas se calhar é altura de pararem para contar quem têm do lado deles. A oposição? Sim, têm a oposição. Mas se contarem com o que vale em votos a oposição têm de contar com o que vale em votos o governo. E há esse pequeno pormenor: é o governo legítimo em funções. Claro que uma pessoa se pode estar nas tintas para isso, mas é estar-se nas tintas para a democracia. A democracia não é só eleições? Não, não é. Governar não é só mandar? Não, não é. Também é ouvir e negociar. Tudo isso sucedeu, e os professores averbaram várias vitórias. Querem “ir até ao fim”? Bom, é com eles. Mas se a ideia for derrubar o governo, talvez seja boa ideia dar uma olhadela às sondagens e tentar perceber quem ganhará se houver novas eleições. É capaz de não ser o PCP.

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