A Fenprof manipula e Mário Nogueira não é sério

por Pedro Sousa em 19 de Novembro de 2008

em País

A Fenprof manipula e Mário Nogueira não é sério


O líder da Federação de Professores (FENPROF), Mário Nogueira, abandonou a reunião que hoje mantinha com a ministra. Motivo: a ministra não suspendeu a avaliação como era exigência da Fenprop para continuar a negociar.

Mas a Fenprof e Mário Nogueira querem negociar o quê, se exigem a suspensão da avaliação? Resposta: não querem negociar nada. Querem somente deitar abaixo a ministra porque ela insiste que não desiste da avaliação.

Insiste e muito bem. Eu, como pai de dois alunos, quero que os professores deles sejam avaliados pelos seus pares e pelos pais, se possível. Quero saber se são bons, se são pedagogos, se não faltam, meses a fio com atestados médicos que todos sabemos serem falsos, se não metem sucessivos artigos quartos com uma enorme descontracção e sem nenhum problema de consciência, deixando turmas inteiras sem aulas durante horas, dias, meses.

Em todo o sector privado, a avaliação é uma regra há muitos anos. Aqui, nesta empresa, não só avaliamos os nossos subordinados, como eles nos avaliam e nós avaliamos os nossos superiores, inclusive o director-geral da empresa. Porque carga de água é que os professores, que passam o ano a avaliar milhares de alunos, não podem ser avaliados?

Para descredibilizar o processo, há escolas que transformaram a avaliação em manuais de mais de 30 páginas. E Mário Nogueira, que assinou um acordo com a ministra antes do Verão para prosseguir o processo de avaliação, rompeu-o sem nenhuma justificação credível.

A Fenprof é contra o processo, mas não sugere nada em alternativa. O que quer é uma avaliação de faz de conta, em que os bons e os maus professores são todos avaliados de forma positiva, o que é uma injustiça para os bons e um prémio para os maus. É isto que os professores querem? Não sei. Mas sei que é isto que a Fenprof e Mário Nogueira querem.

A Fenprof e Mário Nogueira não defendem um sistema de ensino melhor. Defendem os maus professores, os calões, os relapsos, os incompetentes. Defendem o pior que existe no ensino, os seus vícios, os seus erros, o descalabro provado através de estatísticas do ensino secundário em Portugal nos últimos 30 anos. É este o resultado das suas posições. E será este o resultado dos próximos 30 anos se a Fenprof e Mário Nogueira conseguirem manter o sistema de ensino sem uma avaliação séria e credível.

A Fenprof e Mário Nogueira são os principais responsáveis da mediocridade do ensino secundário em Portugal.

Nicolau Santos – Expresso

{ 6 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 F Santos 20 de Novembro de 2008 às 3:53

Este debate começa a ser pró e contra professores:
Insiste-se que os profs não querem avaliação, quando eles não querem ESTA avaliação. É difícil?;

O Mário Nogueira (e não é defendê-lo porque não tenho interesse particular nisso) apresentou 2 propostas de aproximação ao modelo da Ministra e esta nem quis ouvir;

Todos falam em atestados falsos como se nas suas próprias actividades isso não acontecesse (é exclusivo dos profs?);

Nunca se tinha ouvido posições tão extremadas sobre a classe docente. Tudo começa desde que a Mª de Lurdes é ministra;

A Mª de Lurdes pensa que este é o único modelo de avaliação (porque não ouve as alternativas?). Na perspectiva dela, quem está contra o seu modelo está contra o mundo;

Começa a ser ridículo este debate. Alguns comentadores insistem na idéia que os profs não querem ser avaliados, quando eu nunca ouvi um só dizer tal coisa.

Afinal a estratégia romana do “dividir para reinar” ainda existe, e este governo (também tenho direito a mandar umas postas de pescada) é pródigo e sábio a aplicá-la.

É lamentável esta situação. Vamos ver quem são os principais prejudicados. Depois, se calhar, pais afectos e aplicados como este sr Nicolau Santos talvez mudem de ideias. Ou não…

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2 F Santos 20 de Novembro de 2008 às 4:04

Ah, e esqueci-me! É incrível como o sr Nicolau quer alterar a estatística dos últimos 30 anos: é com a avaliação da Ministra! Esta sim quer mandar estatísticas imaculadas para Bruxelas (puxaram por ela, coitada…). Como? Professores, em parte, são avaliados em função das notas que dão aos alunos!!! Boas notas, bons professores (espectáculo!) Quem sai prejudicado? Pensem, eu não sou…
E sobre isto, ninguém publica artigos de opinião? Então (e sem ofensa) os professores do bairro do cerco do Porto vão ser todos péssimos pedagogos porque as notas vão ser fracas (como é que eu sei isto??). Isto é justiça? Mas que raio de avaliação é esta, srs cronistas? Falaram com os profs antes de publicar estas brilhantes crónicas???

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3 Pedro Sousa 20 de Novembro de 2008 às 5:22

Bem, caro Fernando, não acho que seja contra professores.

Aliás o título do artigo fala da FENPROF e do Mário Nogueira.
Nem admito sequer que se olhe para o que eu escrevo (no meu caso) como estando contra os professores.
Estou contra gente que chantageia a Ministra e sai de uma reunião ao fim de 15 minutos. Isso sim… a democracia às vezes atrapalha os pequenos ditadores.
Eu não acho que a Ministra deve ouvir alternativas… deve ouvir alterações ao modelo que o tornem mais eficiente. Começar tudo outra vez à à lá portuga… vai ficar tudo na mesma.
Lá diz o ditado da Gestão “Mais vale uma má decisão, que decisão nenhuma”
Já agora… no programa Eixo do Mal da semana passada, deram um exemplo da documentação a preencher por um Avaliador que tivesse 7 avaliados. E tenho de concordar… É PAPELADA A MAIS!!! Agora, isso não é motivo para suspender, é sim para alterar.
Outro dado… notícia hoje do JN “Secundária em Oeiras tem avaliação quase concluída“. Se calhar em Oeiras o processo é mais simples. No entanto, é tal a pressão dos professores mesmo aos seus pares, que “mas ninguém do conselho executivo quer tomar uma posição oficial sobre o assunto“. A democracia atrapalha…

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4 F Santos 20 de Novembro de 2008 às 5:37

Caro Pedro Sousa
O título não reflecte o conteúdo, porque o Sr Nicolau acaba o artigo a chamar nomes aos professores e se fosse ele a ouvi-los não gostava concerteza. Caiu-se no erro de se aproveitar esta questão para se ofender gratuitamente.

E o comentário anterior não é contra si. É porque já cansa ouvir cronistas famosos dar lenha sempre no mesmo e cansa ouvir argumentos contra os professores que, pior que tudo, não têm ponta de verdade.

Pedro, diz que a democracia atrapalha os pequenos ditadores e a seguir diz que a ministra não deve ouvir alternativas… é um facto, pois em ditadura é mesmo assim, mas com este elenco governativo já não nos surpreende. Quero, posso e mando e mais nada. Dá razão a quem diz que este governo não é de ditadura mas é autoritarista (diferente de autoritário).

A famosa reunião de ontem terminou porque, ao contrário do que a com. social deu a entender o Sr Mário Nogueira já tinha informado previamente a Ministra de que se não houvesse suspenção da actual avaliação, não haveria outro assunto a tratar e como tal a reunião terminaria. Bastante diferente de abandonar a reunião a meio.
A propósito: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1047092
E sobre os papéis (que até nem é o mais grave): http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1047093

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5 F Santos 20 de Novembro de 2008 às 5:47

Em democracia, digo eu, quando num sector de 150 mil profissionais, mais de 120 mil estão de acordo que as políticas da Srª Ministra não são as melhores e, ainda assim, esta não os ouve (SIM, NÃO OS OUVE SEQUER) algo vai mal. Isto não é, não pode ser, só capricho dos professores.
O último governo do PS, do Eng Guterres, congratulava-se com as políticas de “diálogo” (recordar-se-á, concerteza). Este governo é drasticamente o oposto. Mas, na minha humilde opinião, sem que melhores resultados estejam à vista.

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6 Azevedo 20 de Novembro de 2008 às 16:45

É evidente que avaliando os professores as dezenas de anos de atraso estrutural vão desaparecer com um ”puf”. É claro, como diz o senhor Nicolau Santos, que o sector privado português é um furioso defensor do mérito. Mas claro… É ver os exemplos edificantes na banca… o viçoso sector industrial português, nada dependente da mama europeia e do Estado… Dá-me vontade de rir essa ridícula defesa da meritocracia… Aliás conheço bem alguns desses defensores meritocráticos,desde os bancos do liceu… Alunos medíocres despejados directamente em universidades duvidosas que nunca entraram para as universidades públicas, ou para os sectores mais prestigiados da função pública, limitando-se a vaguear pela bajulação política ou pela adulação à chefia… Haja decoro que nem todos somos idiotas ou iletrados…

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